O comportamento das crianças e dos adolescentes em Franca vem acompanhando uma transformação observada em diferentes partes do país.
As brincadeiras coletivas e presenciais, que durante décadas fizeram parte da rotina da infância, dividem cada vez mais espaço com os jogos virtuais, as plataformas digitais e as salas de interação pela internet.
Atividades tradicionais, como esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, queimada, pular corda, jogar bola na rua, andar de bicicleta e brincar de casinha, que antes reuniam crianças nas calçadas, praças, quintais e áreas de lazer dos bairros, já não ocupam o mesmo espaço na rotina de muitos jovens.
O outro lado
Em contrapartida, jogos eletrônicos e ambientes virtuais ganharam popularidade. Um dos exemplos é o Roblox, plataforma que permite aos usuários explorar diferentes mundos, participar de desafios, criar experiências e interagir com outras pessoas por meio de avatares.
As chamadas salas de jogos também se tornaram pontos de encontro virtuais, nos quais crianças e adolescentes conversam, jogam e passam horas conectados.
Socialização mudou de ambiente
A mudança não significa necessariamente que as novas gerações deixaram de gostar de brincar ou de conviver com outras pessoas. O que ocorre é uma transformação na maneira como essa interação acontece.
Em vez de se encontrar fisicamente na casa de um amigo ou na praça do bairro, muitos jovens preferem combinar partidas pela internet e manter contato dentro dos próprios jogos.
O ambiente digital oferece entretenimento, criatividade e possibilidades de socialização, mas também exige atenção. O tempo excessivo diante das telas pode prejudicar o sono, reduzir a prática de atividades físicas e diminuir as oportunidades de convivência presencial.
Além disso, a permanência prolongada nos jogos pode interferir nos estudos e em outras atividades importantes para o desenvolvimento.
Atenção à segurança
Outro ponto que merece preocupação é a segurança. Em plataformas abertas, como o Roblox, os usuários podem interagir com desconhecidos, participar de conversas e receber convites para outros ambientes virtuais.
Isso exige cuidado com o compartilhamento de informações pessoais, contatos com estranhos, conteúdos inadequados e possíveis tentativas de manipulação ou aliciamento.
A orientação aos pais e responsáveis é acompanhar os jogos utilizados pelos filhos, conhecer as ferramentas de comunicação disponíveis, configurar os controles parentais e estabelecer limites de tempo de uso.
Também é importante conversar sobre os riscos da internet, sem transformar a tecnologia em um assunto proibido.
Equilíbrio
O desafio das famílias é encontrar equilíbrio. Os jogos virtuais podem fazer parte do lazer e do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, mas não devem substituir completamente as experiências presenciais.
Estimular atividades esportivas, passeios ao ar livre, brincadeiras em grupo e encontros com amigos continua sendo fundamental.
Afinal, mesmo com toda a tecnologia disponível, correr, pular, dividir uma brincadeira e conviver pessoalmente com outras crianças são experiências importantes para a infância e não deveriam desaparecer da rotina das novas gerações.




