Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias podem indicar câncer bucal. Conheça os sinais de alerta e os fatores de risco da doença
Uma ferida na boca que parece uma afta costuma ser associada a algo passageiro. Em muitos casos, realmente é uma alteração benigna, provocada por diferentes fatores. Mas quando a lesão demora a desaparecer, aumenta de tamanho ou apresenta outras mudanças, é importante investigar.
O alerta merece atenção porque o câncer de boca pode começar com alterações discretas nos lábios, na língua, nas gengivas, nas bochechas e em outras regiões da cavidade oral. Algumas lesões podem se parecer com aftas e não necessariamente provocam dor nos estágios iniciais.
De acordo com o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca), feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias devem ser avaliadas por um profissional de saúde. A orientação também vale para manchas persistentes e caroços na região.
Quais sinais merecem atenção?
O câncer de boca pode atingir diferentes estruturas, como língua, gengivas, céu da boca, bochechas, lábios e a região localizada embaixo da língua.
Entre os principais sinais de alerta estão:
– Feridas ou úlceras na boca e nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias;
– Lesões que aumentam de tamanho ou apresentam sangramento;
– Manchas ou placas avermelhadas ou esbranquiçadas na língua, nas gengivas, nas bochechas ou no céu da boca;
– Caroços nos lábios, na boca ou no pescoço;
– Rouquidão persistente.
Em situações mais avançadas, também podem surgir dificuldade para mastigar, engolir ou falar, dificuldade para movimentar a língua e sensação de algo preso na garganta.
Um detalhe importante: a ausência de dor não deve ser considerada garantia de que uma lesão é inofensiva. Por isso, alterações persistentes precisam ser examinadas, mesmo quando não provocam desconforto.
O que aumenta o risco de câncer de boca?
O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco para a doença. A associação dos dois hábitos aumenta ainda mais a possibilidade de desenvolvimento do câncer.
Outros fatores também merecem atenção, como a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente em tumores da região da orofaringe, e a exposição frequente dos lábios à radiação solar sem proteção.
A alimentação pobre em frutas e verduras também está entre os fatores associados ao aumento do risco.
Como é feito o diagnóstico?
A avaliação começa com um exame clínico realizado por dentista ou médico, que observa as alterações na boca e pode examinar também a região do pescoço.
Quando existe suspeita, a confirmação depende de exames específicos, principalmente a biópsia, procedimento em que uma pequena amostra da lesão é retirada para análise laboratorial.
Nem toda ferida persistente significa câncer. Aftas, traumas e outras condições também podem provocar alterações na mucosa oral. É justamente a avaliação profissional que permite identificar a causa e definir a necessidade de investigação complementar.
Prevenção e diagnóstico precoce fazem diferença
O diagnóstico em fases iniciais aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento. Por isso, manter consultas odontológicas regulares e relatar qualquer alteração persistente são atitudes importantes.
Entre as medidas de prevenção recomendadas estão:
– Não fumar e evitar produtos derivados do tabaco;
– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
– Manter uma alimentação variada, com frutas, legumes e verduras;
– Usar protetor labial com filtro solar;
– Manter a vacinação contra o HPV em dia;
– Utilizar preservativo nas práticas de sexo oral.
A orientação principal é não esperar que uma ferida persistente desapareça sozinha. Se uma lesão não cicatrizar em até 15 dias ou apresentar mudanças suspeitas, procure uma unidade de saúde para avaliação.
Fonte: Notícias ao Minuto




