Pesquisadores identificaram uma tendência de caminhar em círculos para a esquerda em diferentes grupos. Entenda o que a ciência descobriu e por que o fenômeno intriga os cientistas
Você já tentou caminhar sem um destino definido e percebeu que acabou fazendo uma curva, mesmo sem intenção?
Esse comportamento pode estar relacionado a uma tendência observada por pesquisadores: muitas pessoas apresentam uma preferência por se movimentar no sentido anti-horário, ou seja, para a esquerda, em determinadas situações.
O fenômeno foi investigado em um estudo publicado em junho de 2026 na revista científica Nature Communications.
Os pesquisadores realizaram cinco experimentos em diferentes condições, na Espanha e no Japão, para entender por que grupos de pessoas acabam circulando predominantemente na mesma direção.
A tendência aparece até quando as pessoas estão sozinhas
A investigação começou durante estudos sobre o comportamento de pedestres em espaços compartilhados. Os cientistas perceberam que pessoas caminhando livremente em uma área fechada formavam trajetórias circulares, geralmente no sentido anti-horário.
Inicialmente, os pesquisadores consideraram explicações como a influência das paredes, a preferência individual por virar para determinado lado e os hábitos culturais. Entretanto, os testes mostraram que esses fatores não explicavam completamente o comportamento.
Em um dos experimentos, mais de cem adolescentes caminharam livremente em um espaço aberto na Espanha. Mesmo sem paredes delimitando a área, a tendência de movimento anti-horário continuou presente.
Os cientistas também observaram o comportamento em participantes no Japão, onde os hábitos de circulação de pedestres são diferentes dos encontrados em países europeus. A preferência pela direção anti-horária persistiu.
Outro teste analisou mais de 200 voluntários caminhando individualmente em uma área vazia. Mesmo sem a influência direta de outras pessoas, uma parcela expressiva apresentou a mesma tendência.
O que explica esse comportamento?
Os resultados indicam que o fenômeno pode estar relacionado a características individuais do movimento humano, possivelmente de origem biológica. No entanto, os pesquisadores não conseguiram identificar o mecanismo responsável pela preferência.
A lateralidade — como ser destro ou canhoto — também não explicou o padrão observado. Os experimentos mostraram que a tendência persistia mesmo entre participantes com diferentes preferências de movimento.
A descoberta ajuda a ampliar a compreensão sobre como as pessoas se deslocam e pode contribuir para estudos sobre circulação de pedestres e organização de espaços públicos.
Apesar dos resultados consistentes, ainda são necessárias novas investigações para esclarecer por que essa tendência aparece. Os próprios pesquisadores destacam que a origem exata do comportamento permanece em aberto.
Fonte: G1




