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O hambúrguer do futuro chegou. Mas será que você vai querer experimentar?

Para imitar o sabor da carne e satisfazer carnívoros, Vale do Silício usa componentes da carne “de verdade”

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O hambúrguer do futuro chegou. Mas será que você vai querer experimentar?

Apesar do velho caso de amor com a carne vermelha, cada vez mais
americanos estão optando por imitações à base de vegetais em restaurantes e
supermercados. Não aquele hambúrguer vegetariano que parece um disco de hóquei esquecido no fundo
do seu freezer, mas alternativas à base de vegetais criadas para imitar o sabor
da carne de verdade.

Mas fazer vegetais parecerem carne
sempre foi difícil. Para criar algo que satisfaça os carnívoros, o Vale do Silício decidiu que é preciso utilizar componentes da carne de verdade – e isso
significa ir ao laboratório. A dúvida é se os consumidores vão querer devorar,
sem pestanejar, um hambúrguer feito de células cultivadas em um biorreator.

Como ocorre com quase tudo o que
os americanos compram, o gerenciamento de marca de uma carne tão artificial
será fundamental. Essa é a conclusão de um estudo divulgado na semana passada
pela Faunalytics, um grupo de defesa dos animais, e pelo Good Food Institute
(GFI), um grupo sem fins lucrativos da indústria de alternativas aos produtos
de origem animal. É improvável que um hambúrguer “feito em laboratório”, “in
vitro” ou “com carne artificial” faça um sucesso estrondoso. Mas chamá-lo de “clean
meat” (“carne limpa”), termo usado por esse setor incipiente,
pode atrair novos clientes.

Dois terços dos participantes da
pesquisa da Faunalytics disseram que provariam carne produzida a partir do
cultivo de células quando descrita como “carne limpa” e depois de ouvirem
descrições positivas dos produtos. O termo, segundo a pesquisa, “reduz a
sensação de nojo”. Mensagens negativas a respeito da carne convencional também
ajudaram na aceitação pelo consumidor.

Pesquisas de outras empresas não
associadas à defesa dos animais, no entanto, têm sido menos favoráveis. Segundo
dados da empresa de marketing agrícola e de alimentos Charleston|Orwig, apenas
3% dos consumidores não expressaram “nenhuma reserva” em relação à
ingestão desses produtos, enquanto 57% responderam “não, de jeito
nenhum”. Em um terceiro estudo, da empresa de pesquisa de tendências
alimentares Datassential, 68% dos participantes disseram que “não
estavam interessados” em carnes artificiais.

Alguém poderia pensar que os
benefícios gerados ao ambiente e ao bem-estar animal seriam argumentos de venda
para a carne artificial — mas não é assim. Embora os consumidores mais jovens
estejam antenados com esses assuntos, estes geralmente são os motivos menos
apontados para a redução do consumo de carne, disse Kyle Chamberlin, da
Datassential.

O crescimento dos alimentos à base
de vegetais é basicamente estimulado por preocupações com a saúde. Quase metade
dos consumidores compra hambúrgueres vegetarianos por considerar que eles são
mais saudáveis, segundo um relatório de março da Datassential. 

O GFI informou
que a agricultura celular gera benefícios para a saúde. Ao contrário da carne convencional,
esses produtos não têm contaminação fecal e dispensam o uso de antibióticos,
por isso não contribuem para a resistência humana aos antibióticos. Mas estes
argumentos relacionados à saúde não são tão comuns quanto evitar gordura
saturada e colesterol e perder peso. “Isto é um grande enigma”, disse Mark Gale, CEO da
Charleston Orwig. As empresas “não deveriam supor que haverá necessariamente
uma ampla adoção só porque elas poderiam conseguir criar isso.”

Autor

Cesar Colleti

Redação · Jornal da Franca

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Atualizado 22/09/2026 22h30
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