Estudo da Unicamp revela que a musculação queima gordura visceral e reduz inflamações em apenas sete dias, mesmo antes da perda de peso na balança
No processo de perda de peso, a ausência de resultados imediatos na balança costuma gerar frustração, mas está longe de significar que o esforço físico não está funcionando.
Com testes em laboratório, uma pesquisa conduzida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicada na revista Life Sciences revelou que apenas sete dias de treino de força já conseguem aumentar a queima de gordura visceral em camundongos obesos, antes mesmo que ocorra qualquer emagrecimento perceptível.
O experimento integra uma linha de investigação científica desenvolvida há quase 20 anos sobre os impactos do exercício físico na saúde metabólica.
O principal objetivo do projeto foi isolar e compreender o que acontece no tecido adiposo logo no início da musculação, sem que a perda de peso corporal interferisse diretamente nas análises.
Metodologia e Simulação de Treino
Para o estudo, camundongos machos foram divididos: parte recebeu alimentação padrão, enquanto o restante passou por uma dieta rica em gordura para induzir a obesidade.
Os animais obesos foram então separados em dois subgrupos — um permaneceu sedentário e o outro iniciou o treinamento de força, mantendo o consumo da dieta calórica para que a única variável fosse a atividade física.
Como os exercícios tradicionais de academia não podem ser replicados diretamente em roedores, a equipe adaptou uma metodologia de esforço resistido.
Os camundongos realizavam subidas em uma escada de 70 centímetros carregando uma carga proporcional na cauda. Foram sete sessões no total, compostas por 20 subidas cada, sob 70% da capacidade máxima e intervalos de descanso entre 60 e 90 segundos.
“Obviamente, não dá para reproduzir os mesmos exercícios de musculação feitos por uma pessoa, mas conseguimos provocar no organismo um esforço semelhante ao da musculação, com uma contração mais intensa, mimetizando bem uma sessão de musculação para humanos”, destaca Leandro Moura, médico, profissional de educação física e professor da Unicamp.
Impacto Direto na Gordura Visceral
Os resultados foram avaliados no tecido adiposo mesentérico — camada de gordura localizada ao redor dos intestinos que serve como principal equivalente à gordura visceral humana.
Esse tipo de gordura acumula-se profundamente na região abdominal, ao redor dos órgãos vitais, sendo altamente prejudicial por liberar substâncias inflamatórias diretamente na corrente sanguínea.
Conforme aponta Leandro Moura, ao manter o peso corporal estável durante a análise, os pesquisadores isolaram o real papel do exercício.
“Quando conseguimos manter o mesmo peso corporal e observamos o que aconteceu no organismo, podemos isolar diretamente o que o exercício físico favoreceu antes do emagrecimento”.
Mesmo sem alteração na balança, os dados mostraram que a musculação reduziu a gordura abdominal profunda e provocou o encolhimento das células adiposas. Essa diminuição celular reverteu o estado inflamatório do tecido, tornando-o metabolicamente mais saudável de forma precoce.
Em nível molecular, o treino de força reativou proteínas essenciais para a lipólise — o processo biológico de quebra da gordura armazenada —, além de inibir genes ligados ao estoque de novas calorias.
O achado desmistifica o conceito de que a musculação serve exclusivamente para o ganho de massa magra, comprovando sua atuação direta no metabolismo e na queima de gordura desde as primeiras sessões.
Fonte: CNN




