Veja cinco hábitos que podem prejudicar a saúde do cérebro e saiba como sono, atividade física, alimentação e aprendizado influenciam a memória e a cognição
A qualidade do sono, a prática de exercícios físicos e até a disposição para aprender coisas novas podem influenciar a saúde do cérebro ao longo da vida.
Alguns hábitos cotidianos, por outro lado, merecem atenção por estarem associados a prejuízos à memória, à concentração e a outras funções cognitivas.
O neurologista colombiano Leonardo Bello chamou a atenção para cinco aspectos relacionados à saúde cerebral: dormir menos do que o necessário, deixar de praticar atividade física, conviver com estresse crônico, comer em excesso e abandonar o aprendizado de novas habilidades.
As recomendações foram divulgadas pelo médico em suas redes sociais e repercutiram em reportagens publicadas em outubro.
Embora não sejam resultado de um único estudo clínico sobre esses cinco comportamentos, elas estão relacionadas a fatores de estilo de vida investigados pela ciência na prevenção do declínio cognitivo.
1. Dormir menos de seis horas por noite
O sono desempenha funções importantes para o organismo, incluindo processos relacionados à consolidação da memória, à aprendizagem e à recuperação física e mental.
Dormir pouco de maneira frequente pode prejudicar a atenção e o desempenho cognitivo durante o dia. A privação de sono também aparece em pesquisas como um dos fatores associados a maior risco de problemas cognitivos no longo prazo.
Isso não significa que uma noite mal dormida provoque demência. A preocupação está principalmente na falta de sono recorrente e nos problemas que podem estar por trás dela.
Manter horários regulares para dormir e acordar e criar condições adequadas para o descanso são medidas que ajudam a preservar a qualidade do sono.
2. Deixar a atividade física de lado
O sedentarismo também merece atenção quando o assunto é saúde cerebral. A prática regular de exercícios contribui para a saúde cardiovascular e para o controle de fatores como pressão arterial e diabetes, que podem influenciar o risco de declínio cognitivo.
Bello também critica produtos apresentados como “oxigenadores cerebrais” e destaca a atividade física como uma alternativa importante para cuidar do organismo.
Caminhadas, dança, ciclismo e outras modalidades adaptadas às condições de cada pessoa são exemplos de atividades que podem fazer parte de uma rotina mais ativa.
A orientação é respeitar os próprios limites e buscar acompanhamento profissional quando necessário, especialmente para quem tem problemas de saúde ou está começando a se exercitar.
3. Conviver com estresse por períodos prolongados
O estresse faz parte da vida e pode ajudar o organismo a reagir a situações desafiadoras. O problema é quando a tensão se mantém por longos períodos, sem oportunidades suficientes de recuperação.
O estresse crônico pode afetar o sono, o humor, a concentração e a memória. Também pode contribuir para comportamentos prejudiciais à saúde, como sedentarismo e alimentação desregulada.
Buscar momentos de descanso, manter vínculos sociais e procurar ajuda profissional quando a tensão começa a comprometer a rotina são formas de lidar com esse cenário.
Nem sempre é possível eliminar as causas do estresse, mas desenvolver estratégias para enfrentá-lo pode ajudar a proteger a saúde física e emocional.
4. Comer em excesso com frequência
A alimentação também participa dos cuidados com o cérebro. O consumo excessivo de alimentos, quando associado a uma dieta desequilibrada e a outros fatores, pode contribuir para problemas metabólicos, como resistência à insulina, obesidade e diabetes.
Essas condições estão relacionadas a riscos para a saúde vascular e podem influenciar a saúde cognitiva ao longo do tempo.
Isso não significa que exista um número universal de refeições que todas as pessoas devam seguir. As necessidades nutricionais variam conforme a idade, as condições de saúde e a rotina de cada indivíduo.
O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, com variedade de alimentos, e evitar excessos frequentes. Orientações individualizadas podem ser obtidas com profissionais de saúde.
5. Parar de aprender coisas novas
O quinto ponto destacado pelo neurologista é a importância de continuar aprendendo ao longo da vida. O estímulo cognitivo pode envolver atividades simples, sem a necessidade de frequentar uma instituição de ensino ou conquistar novos diplomas.
Aprender um idioma, desenvolver uma habilidade artística, ler sobre assuntos desconhecidos, estudar música ou participar de atividades que exijam raciocínio são algumas possibilidades.
Essas experiências desafiam o cérebro e contribuem para manter a mente ativa. O contato com outras pessoas e a participação em atividades sociais também são importantes para a saúde cognitiva.
A recomendação é encontrar atividades que despertem interesse e possam ser mantidas de forma regular, respeitando as preferências e as possibilidades de cada pessoa.
É possível prevenir o declínio cognitivo?
Embora nenhum hábito isolado garanta que uma pessoa não desenvolverá demência, há evidências de que cuidar da saúde ao longo da vida pode ajudar a reduzir ou adiar parte dos riscos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de diretrizes divulgadas em julho de 2026, reforçou a importância de medidas como praticar atividade física, não fumar, manter uma alimentação saudável, controlar doenças crônicas e estimular a cognição.
Segundo a organização, fatores de risco modificáveis podem estar relacionados a até 45% dos casos de demência no mundo.
É importante lembrar que esquecer algo ocasionalmente não significa, necessariamente, que exista uma doença. No entanto, dificuldades de memória que se tornam frequentes ou progressivas, principalmente quando começam a prejudicar as atividades diárias, merecem avaliação médica.
Cuidar do cérebro envolve um conjunto de escolhas e acompanhamento da saúde, e não uma fórmula única. Sono adequado, movimento, alimentação equilibrada, controle do estresse e estímulos intelectuais são pontos importantes dessa rotina.
Fonte: O Globo




