Cascas, sementes, talos e outras partes de frutas e vegetais podem concentrar mais fibras do que a polpa. Veja o que descobriu um estudo britânico
Na hora de preparar frutas e vegetais, é comum separar cascas, sementes, talos e outras partes antes de consumir os alimentos. Mas algumas dessas porções que geralmente acabam no lixo podem esconder uma quantidade expressiva de fibras.
Um estudo conduzido por pesquisadores do King’s College London, no Reino Unido, identificou que partes normalmente descartadas de 10 entre 12 frutas e vegetais analisados apresentavam maior concentração de fibras alimentares do que as porções habitualmente consumidas.
A pesquisa, publicada no periódico International Journal of Food Sciences and Nutrition, investigou o chamado aproveitamento integral dos alimentos, conhecido como conceito root-to-tip, que propõe utilizar diferentes partes dos vegetais para reduzir o desperdício e ampliar o aproveitamento nutricional.
Abacaxi e melancia estão entre os destaques
Entre os resultados, o abacaxi chamou a atenção pela diferença na quantidade de fibras. A casca e o miolo apresentaram aproximadamente cinco vezes mais fibras do que a polpa, considerando a comparação por peso.
Na melancia, a parte branca da casca também apresentou uma concentração relevante: cerca de 2,1 gramas de fibras a cada 100 gramas.
Outro destaque foi a abóbora do tipo butternut, cuja casca e sementes apresentaram aproximadamente 9,25 gramas de fibras por 100 gramas. Já a casca do kiwi também apareceu entre as partes com maior concentração desse nutriente.
O estudo ainda avaliou alimentos como beterraba, pimentão, brócolis, couve-flor, couve e erva-doce.
O padrão, entretanto, não foi observado em todos os casos. No brócolis, por exemplo, os floretes, que são a parte normalmente consumida, apresentaram mais fibras do que os talos. A erva-doce também foi uma exceção.
Por que as fibras são importantes?
As fibras alimentares desempenham funções importantes no organismo, especialmente no funcionamento do sistema digestivo. Elas contribuem para o trânsito intestinal, ajudam a regular a absorção de nutrientes e podem favorecer o controle da glicemia e do colesterol.
Uma alimentação rica em fibras também está associada a benefícios para a saúde cardiovascular e metabólica.
Apesar dessa importância, o consumo costuma ficar abaixo das recomendações em diferentes populações. Por isso, aproveitar melhor as partes comestíveis de frutas e vegetais pode ser uma alternativa para ampliar a presença desse nutriente nas refeições.
Nem toda casca deve ser consumida
Embora os resultados chamem a atenção, os pesquisadores ressaltam que o aproveitamento integral precisa considerar a segurança alimentar.
A presença de fibras não significa que todas as partes dos alimentos sejam apropriadas para consumo. Algumas cascas podem concentrar resíduos de agrotóxicos ou contaminantes, enquanto determinadas partes precisam de preparo específico.
Por isso, é importante higienizar corretamente frutas e vegetais, observar as orientações de preparo e utilizar apenas partes reconhecidamente próprias para alimentação.
No caso do abacaxi, por exemplo, a casca costuma ser aproveitada em preparações como bebidas e infusões, após higienização adequada, em vez de ser consumida diretamente.
Também é importante lembrar que a pesquisa mediu a quantidade de fibras nos alimentos, mas não avaliou diretamente os efeitos sobre a saúde de pessoas que passaram a consumir essas partes.
Aproveitamento integral também ajuda a reduzir o desperdício
Além do aspecto nutricional, o estudo chama atenção para a quantidade de alimento que acaba descartada durante o preparo das refeições.
Segundo os pesquisadores, as partes normalmente desprezadas representavam entre 25% e 48% do peso total dos produtos analisados. Isso significa que uma parcela considerável do alimento comprado pode não chegar ao prato.
A proposta não é consumir indiscriminadamente tudo o que seria descartado, mas reconhecer que algumas partes comestíveis podem ser aproveitadas em receitas e preparações.
Talos podem ser incorporados a refogados e sopas, sementes podem ser utilizadas em preparações culinárias e determinadas cascas podem entrar em receitas depois de higienizadas e preparadas corretamente.
A descoberta reforça uma ideia simples: aproveitar melhor os alimentos pode contribuir tanto para uma alimentação mais variada quanto para diminuir o desperdício na cozinha.
Fonte: Extra




