Conheça a história de Jubileu do Amendoim, personagem popular de Franca que conquistou gerações com seu pregão inconfundível nos estádios e ginásios
Quem frequentou o Ginásio Pedrocão ou o Estádio Lanchão nas últimas décadas certamente reconhece a lembrança: em meio ao barulho da torcida, aos comentários sobre o jogo e à movimentação das arquibancadas, uma voz se destacava com um chamado inconfundível: “Olha o amendoim, oiii!”.
Era Jubileu Ferreira dos Santos, conhecido como Jubileu do Amendoim. Com seu jeito alegre e uma maneira muito particular de anunciar o produto, ele conquistou gerações de francanos e se tornou um dos personagens mais queridos da história popular da cidade.
Para muita gente, encontrar Jubileu nas arquibancadas fazia parte do próprio ritual de assistir a uma partida de basquete ou futebol. O amendoim era o produto que ele vendia, mas sua voz e sua presença acabaram se tornando parte do espetáculo.
De Minas Gerais para Franca
Nascido em 1937, em Capetinga, Minas Gerais, Jubileu chegou ainda criança a Franca, acompanhado da família. Desde cedo, precisou trabalhar para ajudar no sustento da casa, experiência que marcou sua trajetória e o levou a buscar alternativas para garantir a própria renda.
Foi no comércio ambulante que encontrou uma atividade à qual dedicaria boa parte da vida. Com criatividade, disposição e um jeito próprio de conquistar clientes, começou a preparar e vender amendoim torrado pelas ruas da cidade.
Aos poucos, foi conquistando espaço em diferentes pontos de Franca, especialmente em locais de grande circulação de pessoas. Mais do que oferecer um produto, percebeu que a maneira de anunciá-lo poderia fazer toda a diferença.
E foi assim que seu bordão ganhou personalidade.
O amendoim que virou tradição nas arquibancadas

Jubileu do Amendoim – foto Facebook Acervo Leonardo Schizari
Os eventos esportivos acabaram se tornando o principal palco de Jubileu. Durante mais de quatro décadas, ele circulou entre torcedores no Estádio Lanchão e no ginásio que inicialmente ficou conhecido como Poliesportivo e, posteriormente, recebeu o nome de Pedrocão.
Também marcou presença nos corredores do Teatro Municipal e em outros eventos da cidade.
Seu anúncio era impossível de confundir. O prolongamento das palavras, a entonação característica e o famoso “oiii” faziam com que fosse reconhecido mesmo em meio à movimentação e ao barulho dos eventos.
Com o tempo, o bordão deixou de ser apenas uma estratégia de venda e passou a integrar a memória coletiva dos frequentadores desses espaços.
No basquete, especialmente, sua presença se misturou às lembranças de grandes partidas e noites movimentadas no Pedrocão. No futebol, o mesmo acontecia no Lanchão, onde torcedores encontravam no vendedor uma figura familiar em meio à emoção dos jogos.
Para muitos, comprar o amendoim de Jubileu era quase obrigatório. Para outros, ouvir seu chamado já era suficiente para despertar a lembrança de tantas partidas e encontros.
Muito além do vendedor
A popularidade de Jubileu não se explicava apenas pelo produto ou pelo pregão. Ele era lembrado pelo bom humor, pela conversa fácil e pela maneira carinhosa de tratar as pessoas.
Crianças, adultos e idosos reconheciam sua voz. Ao longo dos anos, construiu uma relação de proximidade com frequentadores dos espaços esportivos e culturais, tornando-se uma presença familiar para diferentes gerações.
Sua trajetória também representa a história de tantos trabalhadores que, longe dos holofotes, ajudam a construir a identidade de uma cidade.
Sem ocupar cargos públicos, disputar campeonatos ou comandar grandes empreendimentos, Jubileu conquistou um lugar especial na memória dos francanos por meio do trabalho cotidiano e de uma personalidade que não passava despercebida.
Uma voz que continua na memória de Franca
Jubileu morreu em dezembro de 2014, aos 77 anos. Sua partida deixou saudade entre pessoas que conviveram com ele e entre torcedores que se acostumaram a encontrá-lo nas arquibancadas durante décadas.
Mas algumas lembranças permanecem vivas justamente porque fazem parte da experiência de muitas pessoas. É o caso do famoso chamado que atravessava ginásios e estádios e que, mesmo depois de tantos anos, continua sendo reconhecido por quem viveu aquela época.
Quando alguém repete o tradicional “Olha o amendoim, oiii!”, não está apenas imitando um vendedor ambulante. Está trazendo de volta um pedaço da história de Franca, dos encontros no Pedrocão, das partidas no Lanchão e de um tempo em que personagens populares também eram parte fundamental dos acontecimentos da cidade.
Jubileu não precisava de microfone, uniforme ou apresentação para ser reconhecido. Bastava abrir a voz e anunciar seu amendoim. E Franca sabia exatamente quem estava chegando.



