Ansiedade eleitoral pode afetar sono e relacionamentos. Veja cinco cuidados para acompanhar as eleições sem prejudicar a saúde mental
Acompanhar as notícias, conferir as redes sociais a todo momento e entrar em discussões sobre política pode se tornar uma fonte de ansiedade e desgaste emocional durante o período eleitoral.
Quando a preocupação ocupa boa parte do dia e prejudica o sono, a concentração ou os relacionamentos, é importante rever a maneira de consumir informações.
Especialistas destacam que a saída não é ignorar o que acontece no país, mas encontrar um equilíbrio entre manter-se informado e preservar o bem-estar.
Definir horários para acompanhar as notícias, praticar atividades físicas e estabelecer limites em conversas políticas estão entre as medidas recomendadas.
A psicóloga clínica Aline Sampaio observa que o excesso de informações, especialmente as negativas, pode manter a pessoa em estado constante de alerta. Por isso, acompanhar cada atualização não significa necessariamente estar mais bem informado.
1. Estabeleça horários para acompanhar as notícias
Consultar o noticiário várias vezes ao dia, mesmo quando não há novidades relevantes, pode alimentar a preocupação e dificultar o afastamento dos assuntos que provocam tensão.
Uma alternativa é reservar períodos específicos para se informar e escolher fontes jornalísticas confiáveis. Também vale evitar conteúdos que aumentem a ansiedade logo ao acordar ou nos momentos que antecedem o sono.
Antes de compartilhar uma notícia, é importante conferir sua origem e verificar se as informações foram confirmadas. Isso ajuda a reduzir a exposição a boatos e conteúdos enganosos.
2. Preserve o sono e mantenha uma rotina
Em períodos de tensão, é comum continuar pensando nos acontecimentos mesmo depois de desligar o celular. O problema aparece quando essa preocupação começa a comprometer o descanso e as atividades cotidianas.
A psiquiatra Carolina Guedes recomenda manter horários regulares para dormir e acordar, cuidar da alimentação e preservar momentos de convivência e lazer.
Ter uma rotina previsível também ajuda a manter o foco em atividades que fazem parte da vida, independentemente do cenário político.
3. Faça atividades físicas e respeite seus limites
A prática regular de exercícios é outra estratégia apontada pelas especialistas para ajudar no controle do estresse.
Caminhadas, por exemplo, podem ser uma maneira acessível de movimentar o corpo e interromper temporariamente o ciclo de preocupação.
A recomendação é escolher atividades compatíveis com a condição física e a rotina de cada pessoa, sem transformar o exercício em mais uma obrigação.
Também é importante reservar tempo para atividades prazerosas, conversas com pessoas próximas e períodos de descanso. A vida não precisa ficar suspensa até que todas as incertezas sejam resolvidas.
4. Saiba quando interromper uma discussão política
Divergências políticas podem provocar conflitos entre familiares, amigos e colegas. Nessas situações, reconhecer os próprios limites ajuda a evitar que uma conversa se transforme em uma fonte contínua de sofrimento.
A psicóloga Aline Sampaio recomenda reconhecer que as opiniões são influenciadas pelas experiências e histórias pessoais de cada indivíduo. Isso não significa concordar com tudo, mas compreender que nem toda divergência precisa terminar em confronto.
Quando o diálogo se torna agressivo, é possível pedir uma pausa, mudar de assunto ou deixar a conversa para outro momento. Se houver desrespeito recorrente ou agressividade, estabelecer distância também pode ser necessário para preservar o bem-estar.
5. Aprenda a agir durante uma crise de ansiedade
Quando a ansiedade se intensifica, podem surgir sintomas como coração acelerado, falta de ar e sensação de que algo muito ruim está prestes a acontecer.
Nesses momentos, a psiquiatra Carolina Guedes recomenda começar por estratégias de regulação do corpo, como respirar lentamente, antes de tentar organizar os pensamentos. Uma opção é inspirar suavemente e soltar o ar de maneira lenta, sem forçar a respiração.
Depois que a intensidade dos sintomas diminuir, pode ficar mais fácil avaliar a situação e decidir o que fazer. Se os episódios forem frequentes, intensos ou acompanhados de sintomas físicos preocupantes, é importante procurar avaliação profissional.
Quando procurar ajuda profissional?
Sentir preocupação durante um período de disputa política não significa, por si só, ter um transtorno de ansiedade. O sinal de alerta aparece quando o sofrimento se torna persistente e começa a prejudicar o trabalho, os estudos, o sono ou os relacionamentos.
Crises frequentes, insônia persistente, dificuldade de concentração e sensação de não conseguir interromper o ciclo de preocupação são motivos para buscar orientação de um profissional de saúde.
O acompanhamento psicológico ou médico pode ajudar a identificar os fatores que mantêm a ansiedade e desenvolver estratégias adequadas para cada situação.
Estar informado não exige permanecer conectado o tempo inteiro. É possível acompanhar os acontecimentos, participar das conversas e exercer a cidadania sem deixar que a tensão eleitoral ocupe todos os espaços da vida.
Fonte: Metrópoles




