Pesquisa com 6.092 estudantes identificou pressão alta em crianças e adolescentes. Veja os fatores de risco e como prevenir a hipertensão infantil
A pressão alta não é um problema exclusivo dos adultos. Crianças e adolescentes também podem apresentar alterações na pressão arterial, muitas vezes sem sinais perceptíveis, o que torna o acompanhamento médico fundamental desde os primeiros anos de vida.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), realizado entre junho e outubro de 2026, avaliou 6.092 estudantes de 38 escolas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Os resultados apontaram que 28,3% apresentaram pressão arterial na faixa de hipertensão, enquanto 11,6% ficaram na faixa de pré-hipertensão.
Os dados chamam a atenção para a necessidade de acompanhar a saúde cardiovascular durante a infância. Entretanto, os números são resultado de uma triagem e não significam que todos os estudantes com medidas elevadas tenham diagnóstico confirmado da doença.
Pressão alta pode não apresentar sintomas
Um dos desafios da hipertensão infantil é que a condição pode passar despercebida. Por isso, esperar que a criança apresente algum sintoma para procurar avaliação médica não é a melhor estratégia.
O cardiologista Fabrício da Silva destaca a importância de medir a pressão arterial durante as consultas de rotina. A identificação de uma alteração permite que o profissional avalie a necessidade de novas medições e de investigação clínica.
Nas crianças, a interpretação dos resultados leva em conta fatores como idade, sexo e altura, além da técnica utilizada para aferir a pressão. Uma medição isolada acima do esperado não é suficiente para confirmar hipertensão.
Excesso de peso e sedentarismo merecem atenção
O levantamento também identificou fatores associados à saúde cardiovascular que merecem atenção das famílias. Entre os estudantes avaliados, 19,5% apresentavam sobrepeso e 13,6% tinham obesidade.
O tempo diante das telas também apareceu como ponto de atenção: 59% dos participantes permaneciam mais de três horas por dia usando dispositivos eletrônicos. Além disso, 66% praticavam apenas uma a duas horas de atividade física por semana.
Esses dados reforçam a importância de observar a rotina das crianças de forma ampla. A prevenção não depende de uma única medida, mas de hábitos que favoreçam o desenvolvimento saudável.
Como ajudar a prevenir a hipertensão infantil
A alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e o sono adequado fazem parte dos cuidados recomendados para a saúde cardiovascular.
A nutricionista Amanda Santiago, também ouvida pelo Metrópoles, ressalta a importância de oferecer alimentos variados, como frutas, verduras, legumes e feijão, além de reduzir o consumo excessivo de sal e de produtos ultraprocessados, que podem conter grandes quantidades de sódio.
As famílias também podem incentivar brincadeiras ao ar livre, caminhadas e esportes adequados à idade, além de estabelecer uma rotina que equilibre o tempo de tela, o movimento e o descanso.
O acompanhamento com o pediatra continua sendo essencial. Nas consultas, pais e responsáveis podem solicitar a aferição da pressão arterial e conversar sobre histórico familiar, alimentação, atividade física e outros possíveis fatores de risco.
A identificação precoce de alterações permite investigar suas causas e definir os cuidados necessários, contribuindo para proteger a saúde cardiovascular durante o crescimento.
Fonte: Metrópoles




