O refluxo é caracterizado como a volta do alimento do estômago para o esôfago, sendo o vômito o principal sintoma dessa condição.
Mas, é possível observar também um aumento da irritabilidade da criança e, em alguns casos, perda de peso.
Esse tipo de quadro está associado, principalmente, à imaturidade do sistema digestivo dos pequenos, por isso, é uma ocorrência muito comum em recém-nascidos, especialmente após a amamentação.
“A válvula [que se abre para dar passagem aos alimentos] só vai amadurecer ao longo do primeiro ano de vida. Se a criança mama demais ou fica agitada, pode vomitar ou regurgitar”, explica a gastroenterologista pediátrica Giovana Stival da Silva, do Serviço de Gastroenterologia do Hospital Pequeno Príncipe (PR).
Segundo ela, “a grande maioria dos bebês tem esse refluxo que determinamos como fisiológico”.
Estabilizam com o tempo
Vale destacar que os vômitos ocorrem em cerca de 20% dos lactentes. Pioram nos primeiros três meses, mas depois estabilizam. Quando a criança tem entre 4 e 7 meses, começam a diminuir e costumam desaparecer de vez entre 6 e 12 meses.
É importante ressaltar que existe também a doença do Refluxo Gastroesofágico, que se caracteriza pelo vômito anormal e persistente, a ponto de interferir no ganho de peso da criança.
“Além disso, irritabilidade e recusa alimentar também estão associadas, já que o retorno do conteúdo do estômago tem leite e suco gástrico, que é ácido e pode causar dor”, explica o pediatra Arno Norberto Warth. Como também surge na mesma época dos vômitos, pode confundir (e assustar) tanto os pais quanto os médicos.
O que diz a medicina
Segundo a gastroenterologista, a doença do Refluxo Gastroesofágico pode estar associada às alterações de anatomia como estreitamento na saída do estômago ou mudanças anatômicas que fazem com que o estômago esvazie de forma mais devagar.
As alergias alimentares também podem provocar refluxo patológico, assim como alguns processos infecciosos. Nesse caso, é importante buscar um especialista para iniciar o tratamento adequado.
No entanto, os pais também podem adotar algumas medidas em casa para evitar que os pequenos tenham esse tipo de desconforto. Confira!
1) Posição ao deitar!
O corpo do seu filho deve ficar inclinado, de modo que a cabeça fique mais alta que os pés, em um ângulo de, no máximo, 30 graus, e sempre com a barriga para cima.
2) De olho na alimentação
Estar atento aos hábitos alimentares também é essencial. “O leite materno é sempre o alimento ideal. Quando não disponível, os lactentes devem receber uma fórmula infantil. As fórmulas antirreflexo não são de uso obrigatório, mas podem ser uma opção”, afirma o pediatra Aristides da Cruz.
Depois da mamada, é fundamental mexer o mínimo possível na criança e deixar seu corpo elevado, de preferência de 20 a 30 minutos, para que o leite desça e se acomode no estômago. Uma dica é trocar a fralda antes de oferecer o leite, para evitar muita movimentação na sequência.
A gastroenterologista pediátrica Giovana Stival ainda explica que o ato do bebê engolir ar durante a amamentação pode aumentar a pressão no estômago, facilitando o retorno do alimento para esôfago.
Por isso, fazer com que o bebê arrote, sempre que possível, é uma medida importante para prevenir o refluxo. Contudo, é importante destacar que o bebê nem sempre engole ar ao se alimentar, portanto, não é necessário insistir excessivamente para que ele arrote.
4) Faça refeições com intervalos menores
Ficar sem comer é outro obstáculo para quem sofre de refluxo. O ideal é fazer refeições com intervalos menores, com pouca quantidade de comida.
Em casos mais graves, podem ser utilizados medicamentos que diminuem a produção de secreção do estômago (inibidor de receptor H2; inibidor de bomba de próton).
Porém, quando nenhuma dessas medidas surte efeito, a cirurgia antirreflexo se faz necessária. O que determina o tratamento, porém, é a gravidade dos sintomas, independentemente da idade do paciente.
5) Nada de chás
Quando se trata de refluxo, é comum a crença que o consumo de chá pode aliviar o sintoma. No entanto, fique atento!
Segundo gastroenterologista do Pequeno Príncipe (PR), os chás não são recomendados nessa situação, uma vez que podem diluir o conteúdo do estômago e aumentar a pressão gástrica, favorecendo o retorno do alimento.
De acordo com publicação da Revista Crescer, o consumo de bebidas saborizadas não são indicadas mesmo após a introdução alimentar, pois elas podem interferir na aceitação da água, que seria a bebida mais indicada para a hidratação das crianças.




