Seis mitos viver mais são questionados por especialistas. Entenda o que a ciência diz sobre envelhecimento, genética, suplementos e hábitos saudáveis
Viver mais e manter a saúde ao longo dos anos se tornou um dos grandes interesses da atualidade. Nas redes sociais, multiplicam-se promessas de rejuvenescimento, suplementos e estratégias para prolongar a vida. Mas nem tudo o que circula sobre longevidade tem comprovação científica.
Especialistas ouvidos pelo The New York Times, reuniram seis ideias populares que precisam ser revistas.
Entre elas estão a crença de que determinados produtos podem prolongar a vida e a ideia de que hábitos saudáveis garantem chegar aos 100 anos. Veja:
1. O objetivo é viver mais anos
Para pesquisadores do envelhecimento, aumentar a expectativa de vida não é necessariamente o principal objetivo. A prioridade é ampliar o período em que as pessoas permanecem saudáveis, com autonomia e qualidade de vida.
Esse conceito é conhecido como expectativa de vida saudável. Viver mais tempo pode ser positivo, mas o resultado ganha importância quando os anos adicionais são acompanhados de bem-estar e independência.
2. As pessoas estão vivendo mais e melhor
O aumento da expectativa de vida não significa, automaticamente, que as pessoas passam mais anos com boa saúde.
A sobrevivência a determinadas doenças pode melhorar enquanto problemas crônicos e limitações se tornam mais frequentes na velhice.
Por isso, pesquisadores defendem que a prevenção e a manutenção da capacidade física e cognitiva recebam atenção semelhante àquela dedicada ao tratamento de doenças.
3. Suplementos e medicamentos prolongam a vida
Produtos como resveratrol, NAD+ e hormônio do crescimento são promovidos em alguns ambientes como estratégias antienvelhecimento. Entretanto, não há comprovação suficiente de que esses produtos prolonguem a vida humana.
Resultados observados em animais não podem ser automaticamente aplicados às pessoas. Além disso, algumas intervenções podem provocar efeitos adversos. O uso de substâncias com finalidade antienvelhecimento exige cautela e orientação profissional.
4. Mulheres permanecem saudáveis por mais tempo que homens
Embora as mulheres tenham, em média, maior expectativa de vida, isso não significa necessariamente que vivam mais anos livres de doenças ou limitações.
Especialistas apontam que diferenças na ocorrência de doenças, os efeitos da menopausa e lacunas históricas nas pesquisas sobre saúde feminina ajudam a explicar por que viver mais não é sinônimo de envelhecer com mais saúde.
5. Perder peso é sempre benéfico
A perda de peso pode trazer benefícios em determinadas situações, mas seus efeitos dependem da idade, das condições de saúde e das circunstâncias em que ocorre.
Em pessoas mais velhas, especialmente, o emagrecimento pode envolver perda de massa muscular e óssea, comprometendo a força e a mobilidade.
A perda de peso involuntária também pode sinalizar problemas de saúde e merece avaliação médica.
Por isso, mudanças no peso devem ser analisadas individualmente, sem tratar o emagrecimento como um objetivo universal.
6. Quem cuida da saúde certamente chegará aos 100 anos
Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e prevenção de doenças contribuem para a saúde, mas não garantem uma idade específica.
Genética, ambiente, condições socioeconômicas e fatores que não estão totalmente sob controle individual também influenciam a longevidade.
Entre as pessoas que chegam a idades muito avançadas, a influência genética pode ser particularmente importante. Isso não significa que os hábitos deixem de importar, mas que envelhecer é um processo complexo, sem uma fórmula capaz de assegurar uma vida centenária.
O que realmente importa no envelhecimento?
A principal mensagem dos especialistas é que a busca pela longevidade deve priorizar a saúde, e não apenas o número de anos vividos.
Manter-se ativo, cuidar da alimentação, acompanhar a saúde e evitar promessas milagrosas são medidas mais consistentes do que apostar em soluções rápidas para combater o envelhecimento.
Fonte: O Globo




