Suor excessivo pode ser sinal de hiperidrose. Conheça os tratamentos disponíveis e entenda quando a cirurgia pode ser indicada
Escrever, usar o celular, segurar objetos ou cumprimentar alguém podem se tornar situações desconfortáveis para quem convive com suor excessivo.
Quando a transpiração acontece de maneira intensa, mesmo sem calor ou esforço físico, pode ser sinal de hiperidrose, condição que afeta entre 2% e 3% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O problema pode atingir diferentes partes do corpo, principalmente mãos, pés, axilas e rosto. Além do desconforto físico, a transpiração excessiva pode interferir na rotina profissional, nas relações sociais e no bem-estar emocional.
Embora existam diferentes formas de tratamento, algumas pessoas continuam apresentando sintomas importantes mesmo após tentativas de controle. Nesses casos, dependendo da região afetada e da gravidade do quadro, a cirurgia pode ser considerada.
O que é hiperidrose e como identificar?
Suar é um mecanismo natural do organismo para regular a temperatura corporal. Na hiperidrose, porém, a produção de suor é desproporcional à necessidade do corpo, podendo ocorrer até mesmo em repouso.
A condição pode ser primária, quando não está associada a outra doença identificável, ou secundária, quando decorre de problemas de saúde ou do uso de determinados medicamentos.
A forma primária costuma atingir regiões específicas, como mãos, pés e axilas, e pode começar ainda na infância ou adolescência.
Já a transpiração que surge repentinamente, atinge várias partes do corpo ou ocorre durante o sono merece investigação médica, especialmente quando acompanhada de outros sintomas.
O diagnóstico depende da avaliação profissional, que considera o padrão da transpiração, o histórico clínico e possíveis causas associadas.
Quais tratamentos podem ajudar?
A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, das regiões afetadas e das características de cada paciente. Nem todos os casos exigem procedimentos invasivos.
Entre as alternativas disponíveis estão:
Antitranspirantes específicos: podem ajudar a reduzir a produção de suor nas áreas afetadas.
Medicamentos: algumas opções atuam nos mecanismos responsáveis pela transpiração, mas precisam de indicação e acompanhamento profissional.
Toxina botulínica: aplicada em determinadas regiões, pode bloquear temporariamente os estímulos que ativam as glândulas sudoríparas.
Iontoforese: utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade e pode ser indicada principalmente para mãos e pés.
Procedimentos para as axilas: em situações selecionadas, técnicas que removem ou reduzem a atividade das glândulas sudoríparas podem ser consideradas.
A resposta varia de pessoa para pessoa. Por isso, o tratamento deve ser definido com orientação médica, levando em conta os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
A cirurgia costuma ser considerada quando os tratamentos clínicos não proporcionam alívio satisfatório ou não são bem tolerados.
Uma das técnicas utilizadas é a simpatectomia torácica por videotoracoscopia, procedimento realizado sob anestesia geral que interrompe parte dos sinais nervosos responsáveis por estimular a transpiração. A técnica é utilizada principalmente em casos selecionados de hiperidrose nas mãos e, em algumas situações, nas axilas.
A indicação precisa ser criteriosa. Antes de decidir pelo procedimento, o especialista avalia a intensidade dos sintomas, o impacto na qualidade de vida, os tratamentos já realizados e os riscos envolvidos.
Embora possa proporcionar melhora importante na região tratada, a cirurgia não é uma solução isenta de complicações.
Suor pode aumentar em outras partes do corpo
Um dos principais efeitos adversos da simpatectomia é a chamada hiperidrose compensatória, caracterizada pelo aumento da transpiração em outras regiões, como costas, abdômen e coxas.
A intensidade varia entre os pacientes. Em alguns casos, o aumento é discreto; em outros, pode provocar um desconforto significativo e comprometer os benefícios percebidos na região operada.
Esse risco precisa ser discutido antes da decisão pela cirurgia. A avaliação também deve considerar possíveis causas secundárias da transpiração excessiva, como alterações hormonais, doenças e efeitos de medicamentos.
Quando procurar um especialista?
Quem percebe que o suor excessivo interfere nas atividades diárias pode procurar um dermatologista para avaliação e orientação sobre as opções de tratamento.
É especialmente importante investigar quadros de início recente, transpiração generalizada ou suor durante o sono, sobretudo quando acompanhados de febre, perda de peso inexplicada ou palpitações.
A hiperidrose tem alternativas de tratamento, e a cirurgia é apenas uma delas. O acompanhamento especializado permite identificar a causa do problema e escolher a abordagem mais adequada para cada caso.
Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Manual MSD e reportagem do Notícias ao Minuto.




