Substância encontrada em frutas pode ajudar contra picada de jararaca

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 23 de dezembro de 2018 às 21:23
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:15
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O veneno da jararaca responde por cerca de 70% dos acidentes com serpentes peçonhentas no estado de SP

Uma pesquisa feita no
Instituto Butantan demonstrou que uma substância encontrada em plantas e frutas
tem efeito protetor contra o veneno da cobra jararaca.

A pesquisa, que foi realizada em 72
camundongos, mostrou que a rutina, uma molécula comum em plantas e alimentos,
foi capaz de protegê-los de problemas de sangramento e de inflamação
decorrentes do veneno da serpente.

O trabalho é de Marcelo Larami
Santoro, Ana Teresa Azevedo Sachetto e Jaqueline Gomes Rosa, produzido pelo
Laboratório de Fisiopatologia do Butantan, em São Paulo.

A rutina é um flavonoide que serve de
pigmento a diversos vegetais e frutas, tais como cerejas, framboesas e maçãs,
dando a eles cores vibrantes, com alto poder antioxidante e anti-inflamatório.

O efeito observado na pesquisa poderá
ajudar no tratamento das picadas de serpentes, principalmente nos considerados
secundários, tal como a formação de coágulos sanguíneos. “O envenenamento
por picadas de jararaca causa problemas de coagulação, que resultam do aumento
da atividade do fator tissular. A atividade do fator tissular é controlada pela
enzima PDI e sabemos que a rutina tem o poder de inibir a PDI. Pensamos que
seria possível usar a rutina para evitar a expressão do fator tissular nos
casos de envenenamento, reduzindo assim complicações secundárias como a
coagulação sanguínea”, explicou Santoro.

O veneno da jararaca responde por
cerca de 70% dos acidentes com serpentes peçonhentas no estado paulista.
“No envenenamento, aumenta a atividade do fator tissular. No grupo de
animais nos quais injetou-se veneno e rutina, verificamos que a rutina reduziu
o distúrbio da coagulação, protegendo assim o organismo dos camundongos das
ações de coagulação do envenenamento”, disse Santoro. “No entanto, não
sabemos qual foi o alvo da rutina ou de que forma ela agiu no organismo dos
animais para controlar o fator tissular”, ressaltou.

De acordo com Santoro, novos estudos
serão necessários para compreender melhor a atividade da rutina.  “A
pesquisa sugere que a rutina tem um grande potencial como uma droga auxiliar em
conjunto com a terapia antiveneno para tratar picada de cobra, particularmente
em países onde a disponibilidade de antiveneno é escassa”, disse.