Notícia de possível tsunami no Brasil deixou internautas assustados. Fato ou boato?

  • Marcia Souza
  • Publicado em 19 de setembro de 2021 às 06:00
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Assunto começou quando o vulcão Cumbre Vieja teve um rápido aumento das atividades sísmicas

Tsunami

Assunto começou quando o vulcão Cumbre Vieja teve um rápido aumento das atividades sísmicas, o que chamou a atenção de especialistas

Na última quinta-feira (16), a notícia de um possível tsunami na costa do Brasil gerou alarde e foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

A ocorrência do tsunami estaria ligada à possível erupção de um vulcão nas Ilhas Canárias. Mas, afinal, essa história é #fato ou #fake? Com ajuda do ClimaTempo, a gente te explica!

Tudo começou quando o vulcão Cumbre Vieja teve um rápido aumento das atividades sísmicas nos últimos dias, o que chamou a atenção de especialistas.

O vulcão fica na ilha de La Palma, nas Canárias, a cerca de 500 km da costa africana, a baixas latitudes – próximo ao Marrocos.

Sinal de alerta

Com um aumento rápido no número de atividades sísmicas e alteração na emissão de gases, o Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca) elevou o nível de alerta do vulcão de verde para amarelo. Mas o que isso significa na prática?

A geóloga e vulcanóloga da Universidade de São Paulo (USP), Leticia Freitas Guimarães, explica que os observatórios vulcanológicos divulgam constantemente relatórios com resultados de análises de vários parâmetros medidos em um vulcão (como sismo, deformação do solo e emissão e composição de gases).

Esses parâmetros definem um sistema de alerta que é dividido em quatro estágios, representados pelas cores verde, amarelo, laranja e vermelho.

“Se a atividade vulcânica é considerada normal e está no alerta verde, você não precisa se preocupar. No entanto, conforme ocorre deformação do solo, por exemplo, ou há maior ocorrência de sismos e eles estão sendo mais rasos, ou conforme a composição dos gases muda, esses são indícios de uma erupção iminente, e com isso o alerta vai mudando de cor”, afirma Leticia.

De qualquer modo, a geóloga reitera que, para uma população que vive em local próximo a um vulcão, um alerta amarelo não representa motivo para pânico.

E o tsunami?

Um trabalho publicado em 2001 por cientistas americanos que afirma existir o potencial de um colapso de terreno (deslizamento) caso uma grande erupção do Cumbre Vieja aconteça está sendo utilizada por diversos portais de notícias de forma sensacionalista.

Segundo a geóloga Letícia Freitas, para causar o colapso, a erupção precisa ser de alta magnitude, ou seja, muito explosiva. “Não é impossível, mas é muito pouco provável”, afirma.

“É claro que existem outros mecanismos capazes de gerar um colapso, como por exemplo o colapso gravitacional, que é muito comum em regiões montanhosas”.

A vulcanóloga frisa que a publicação, realizada há 20 anos, analisou o chamado “Worst-case Scenario” (pior cenário possível).

“Mesmo que isso venha a acontecer, o tsunami viajaria uma distância enorme das Ilhas Canárias até o Brasil e, conforme essa viagem acontecesse, haveria muita energia sendo dissipada. Existe uma infinidade de fatores que iriam acarretar nessa dissipação de energia, que não é considerada neste estudo”, afirma a geóloga.

Com isso, a probabilidade de um tsunami na costa do Brasil acontecer é muito pequena e, caso ela ocorra, a chance dele chegar em forma de ondas gigantescas no litoral do país é praticamente nula.

Cuidado com as notícias alarmistas!

Em tempos de fake news, é importante que você sempre procure informação em portais de credibilidade. No caso de vulcões, a melhor fonte são os órgãos oficiais, responsáveis pela observação e divulgação de qualquer alteração nos parâmetros.


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