Cinco grupos de medicamentos podem atrapalhar o sono. Entenda como eles interferem no descanso e por que é importante conversar com o médico antes de qualquer mudança
A dificuldade para dormir nem sempre está relacionada apenas ao estresse, à ansiedade ou aos hábitos noturnos. Em alguns casos, a origem do problema pode estar em medicamentos utilizados para tratar outras condições de saúde.
Remédios com e sem prescrição podem provocar efeitos sobre o sistema nervoso, alterar o estado de alerta ou aumentar a necessidade de urinar durante a noite. Essas reações podem dificultar o início do sono, provocar despertares ou comprometer a qualidade do descanso.
Especialistas em sono e farmacologia destacam cinco grupos de medicamentos que merecem atenção, veja a seguir.
1. Medicamentos estimulantes para TDAH
Alguns medicamentos utilizados no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pertencem à categoria dos estimulantes.
Eles atuam sobre substâncias químicas do cérebro relacionadas à atenção e ao estado de alerta. Por esse motivo, podem dificultar o adormecimento, especialmente quando seus efeitos permanecem ativos até o período da noite.
A resposta varia entre os pacientes e também depende da formulação e da duração de ação do medicamento.
2. Descongestionantes
Alguns medicamentos utilizados para aliviar a congestão nasal contêm substâncias estimulantes, como a pseudoefedrina.
Embora ajudem a reduzir o inchaço das vias nasais e facilitem a respiração, podem aumentar o estado de alerta e provocar palpitações em algumas pessoas. Esses efeitos podem atrapalhar o descanso noturno.
O cuidado é importante porque determinados descongestionantes estão presentes em fórmulas combinadas para sintomas de resfriado e alergia. Por isso, observar a composição dos medicamentos é uma medida relevante.
3. Produtos utilizados para parar de fumar
Produtos que contêm nicotina, como adesivos, gomas e pastilhas, também podem interferir no sono.
A nicotina tem efeito estimulante e pode aumentar a frequência cardíaca e o estado de alerta. Em algumas pessoas, isso dificulta o adormecimento ou provoca alterações no descanso.
A própria adaptação à interrupção do tabagismo também pode afetar temporariamente o sono. Por isso, quem está passando pelo processo deve receber acompanhamento profissional para lidar com possíveis efeitos da abstinência e ajustar o tratamento quando necessário.
4. Alguns antidepressivos
Os efeitos dos antidepressivos sobre o sono variam bastante conforme a substância e as características de cada paciente.
Alguns podem provocar maior disposição ou dificuldade para adormecer, enquanto outros causam sonolência. Há ainda medicamentos que alteram o padrão de sono durante o período de adaptação ao tratamento.
Quando surgem alterações persistentes, o médico responsável pode avaliar a necessidade de ajustes. A resposta não é interromper o antidepressivo por conta própria, pois a suspensão inadequada pode provocar efeitos indesejados e comprometer o tratamento.
5. Diuréticos
Os diuréticos são utilizados no tratamento de condições como hipertensão e algumas doenças cardíacas e renais. Eles atuam aumentando a eliminação de água e sódio pela urina.
Quando a necessidade de urinar se intensifica durante a noite, o sono pode ser interrompido repetidamente. Esse efeito é conhecido como noctúria e pode prejudicar a continuidade do descanso.
A frequência urinária noturna também pode estar relacionada a outras condições de saúde, por isso é importante investigar a causa antes de atribuí-la exclusivamente ao medicamento.
O que fazer quando um remédio parece atrapalhar o sono?
Se a dificuldade para dormir começou depois do início de um tratamento ou de uma alteração na medicação, vale registrar quando os sintomas aparecem e conversar com o profissional responsável.
Dependendo do caso, o médico poderá avaliar a relação entre o medicamento e o problema, além de considerar alternativas ou ajustes apropriados.
Não é recomendável suspender, reduzir ou mudar o horário de um remédio sem orientação profissional. Mesmo medicamentos de uso comum podem apresentar contraindicações e interações.
Hábitos também ajudam a proteger o sono
Além de investigar possíveis efeitos dos medicamentos, algumas medidas podem contribuir para uma rotina de descanso mais regular:
– Manter horários consistentes para dormir e acordar;
– Evitar cafeína no período da tarde e à noite;
– Reduzir o uso de telas próximo ao horário de dormir;
– Manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
– Evitar bebidas alcoólicas antes de dormir.
Quando a dificuldade para dormir é frequente ou começa a comprometer as atividades durante o dia, a avaliação profissional é importante.
Uma noite ruim pode acontecer ocasionalmente, mas problemas persistentes merecem investigação. Identificar a causa — inclusive possíveis efeitos de medicamentos — é o caminho para encontrar uma solução segura e adequada.
Fonte: O Globo




