Saiba como reduzir o açúcar na alimentação infantil sem proibir todos os doces, com mudanças nos hábitos da família e escolhas mais saudáveis
Reduzir o consumo de açúcar na infância não precisa significar eliminar completamente os doces da rotina. O caminho mais sustentável é mudar os hábitos alimentares aos poucos, diminuir a frequência de bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados e oferecer alternativas nutritivas sem transformar a comida em motivo de conflito.
O tema discute como pais e responsáveis podem controlar o consumo de açúcar sem recorrer a proibições generalizadas.
A preocupação tem fundamento. O consumo frequente e excessivo de açúcar está associado a maior risco de cáries e pode contribuir para o ganho de peso excessivo e problemas metabólicos. Além disso, os hábitos formados na infância podem influenciar as escolhas alimentares ao longo da vida.
Refrigerantes e bebidas açucaradas merecem atenção
O açúcar nem sempre aparece apenas em balas, chocolates e sobremesas. Refrigerantes, sucos industrializados, achocolatados, bebidas lácteas adoçadas e alguns cereais matinais também podem contribuir significativamente para o consumo diário.
Uma das mudanças mais simples é priorizar a água no lugar de bebidas açucaradas. Frutas inteiras também são boas opções para os lanches, pois fornecem fibras e outros nutrientes.
Outra medida é observar os rótulos dos produtos. A lista de ingredientes ajuda a identificar a presença de açúcar adicionado, que pode aparecer com diferentes nomes, como glicose, xarope de glicose, frutose e sacarose.
Proibir tudo pode dificultar a relação com a comida
Estabelecer limites é importante, mas transformar doces em alimentos proibidos ou motivo de culpa pode aumentar os conflitos nas refeições.
Uma alternativa é definir, de maneira adequada à idade, quais alimentos fazem parte da rotina e quais devem aparecer apenas ocasionalmente. A criança também precisa aprender que doces não são recompensas obrigatórias por bom comportamento nem ferramentas para aliviar toda situação de tristeza ou frustração.
O objetivo não é fazer com que a criança tenha medo de determinados alimentos, mas ajudá-la a desenvolver hábitos equilibrados. Para isso, a conversa deve ser simples, sem ameaças ou constrangimentos.
Atenção: para crianças menores de 2 anos, a recomendação do Ministério da Saúde é não oferecer açúcar nem alimentos ou preparações que contenham o ingrediente.
A mudança começa dentro de casa
A alimentação infantil é influenciada pelo ambiente familiar. Se refrigerantes e biscoitos recheados estão sempre disponíveis, enquanto frutas e outras opções ficam em segundo plano, a mudança pode se tornar mais difícil.
Algumas atitudes ajudam a construir uma rotina mais equilibrada:
Ofereça frutas com frequência: varie as opções e deixe que a criança participe da escolha.
Priorize água: mantenha água acessível e reduza a presença de refrigerantes e outras bebidas adoçadas.
Prepare lanches em casa: sanduíches, bolos caseiros com pouco ou nenhum açúcar adicionado e iogurte natural podem ser alternativas, conforme a idade da criança.
Leia os rótulos: compare produtos e observe a quantidade de açúcar e a lista de ingredientes.
Evite usar doces como recompensa: carinho, atenção e reconhecimento não precisam estar associados à comida.
Dê o exemplo: quando os adultos também adotam hábitos mais saudáveis, a mudança tende a fazer parte da rotina familiar.
Envolver a criança no preparo das refeições e nas escolhas de frutas e outros alimentos também pode despertar curiosidade e facilitar a aceitação de novos sabores.
O que dizem as recomendações de saúde?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcares livres corresponda a menos de 10% da ingestão total de energia. Reduzir essa proporção para menos de 5% pode trazer benefícios adicionais, especialmente para a saúde bucal.
A recomendação considera os açúcares adicionados aos alimentos e bebidas, além daqueles naturalmente presentes no mel, nos xaropes e nos sucos de frutas.
Na prática, não é necessário buscar uma alimentação perfeita todos os dias. O mais importante é evitar que produtos muito açucarados ocupem espaço excessivo na rotina e garantir variedade de alimentos nutritivos.
Com limites consistentes, participação da família e mudanças graduais, é possível reduzir o consumo de açúcar sem transformar cada pedido de doce em uma disputa. O foco deve estar na construção de hábitos que possam acompanhar a criança durante o crescimento
Fonte: O Globo




