Alguns alimentos comuns na mesa dos brasileiros podem provocar gases, sensação de estufamento, arrotos e desconforto abdominal.
Entre os principais estão o feijão, o leite, o brócolis, a couve-flor, o repolho e determinados tipos de frutas e grãos. Embora esses sintomas sejam frequentes, a intensidade varia de pessoa para pessoa e depende tanto da alimentação quanto do funcionamento do sistema digestivo.
Os gases são produzidos, em parte, quando bactérias presentes no intestino grosso fermentam carboidratos que não foram completamente digeridos no intestino delgado. Comer depressa,
ingerir bebidas gaseificadas e mascar chicletes também pode aumentar a quantidade de ar engolido, contribuindo para o desconforto.
Feijão e outras leguminosas
O feijão, a lentilha, o grão-de-bico e a ervilha são fontes importantes de fibras, proteínas vegetais e minerais. No entanto, contêm carboidratos que podem ser fermentados pelas bactérias intestinais, aumentando a produção de gases.
Uma forma de reduzir o desconforto é deixar os grãos de molho por cerca de oito a 12 horas, descartar a água e cozinhar em água nova até ficarem bem macios.
Começar com porções menores e aumentar o consumo gradualmente também ajuda o organismo a se adaptar às fibras.
Brócolis, couve-flor e repolho
Esses vegetais são ricos em nutrientes e fibras, mas podem provocar gases em pessoas mais sensíveis. A recomendação é consumi-los em porções moderadas e testar se o cozimento facilita a digestão.
Cozinhar no vapor ou em água até que fiquem macios pode melhorar a tolerância de algumas pessoas. Não é necessário eliminar esses vegetais da alimentação quando não há intolerância ou orientação médica específica.
Leite, queijos e outros derivados
O leite e alguns derivados podem causar gases, distensão abdominal e diarreia em pessoas com intolerância à lactose. Isso ocorre quando o organismo não produz lactase suficiente para digerir o açúcar naturalmente presente no leite.
Nesses casos, uma alternativa é experimentar leite sem lactose ou produtos com menor teor desse açúcar, observando a reação do organismo. Queijos maturados, como parmesão, geralmente contêm menos lactose do que o leite. A retirada de todos os laticínios, porém, não é necessária para quem tolera esses alimentos.
Cebola, alho e algumas frutas
Cebola e alho contêm carboidratos fermentáveis que podem desencadear sintomas em pessoas com intestino sensível.
Entre as frutas, maçã, pera, manga e melancia podem causar desconforto em algumas pessoas, especialmente quando consumidas em grandes quantidades.
A melhor estratégia é observar quais alimentos provocam sintomas e reduzir temporariamente as porções, sem restringir toda a variedade de frutas e vegetais.
Pessoas com síndrome do intestino irritável podem se beneficiar de uma avaliação nutricional individualizada.
Refrigerantes e adoçantes
Bebidas gaseificadas aumentam a quantidade de gás no sistema digestivo, enquanto produtos com sorbitol, manitol e outros polióis podem provocar fermentação, inchaço e diarreia em pessoas sensíveis.
Esses adoçantes são encontrados em alguns produtos sem açúcar, balas e chicletes.
Beber água sem gás, evitar grandes quantidades de bebidas gaseificadas e conferir os rótulos dos produtos são medidas simples para diminuir os sintomas.
Hábitos que ajudam
Além de prestar atenção aos alimentos, alguns cuidados podem reduzir a formação de gases e a sensação de barriga inchada:
– Comer devagar e mastigar bem os alimentos.
– Fazer refeições em porções moderadas, evitando exageros.
– Aumentar o consumo de fibras gradualmente, em vez de mudar a dieta de uma só vez.
– Manter uma boa hidratação ao longo do dia.
– Caminhar ou realizar movimentos leves depois das refeições, conforme a disposição.
– Anotar os alimentos consumidos e os sintomas para identificar possíveis desencadeadores.
Quando procurar orientação médica?
A ocorrência ocasional de gases costuma ser normal. Entretanto, quando o desconforto é persistente, interfere na rotina ou vem acompanhado de dor intensa, perda de peso involuntária, sangue nas fezes, vômitos frequentes ou alteração prolongada do funcionamento intestinal, é importante procurar avaliação médica.
A orientação geral é evitar dietas restritivas por conta própria. Os alimentos que provocam gases em uma pessoa podem ser bem tolerados por outra, e a exclusão desnecessária de grupos alimentares pode reduzir a ingestão de nutrientes importantes.
O ideal é ajustar as quantidades e o preparo de acordo com a tolerância individual, preservando uma alimentação variada e equilibrada.




