Especialista diz que consulta com urologista vai além da prevenção do câncer de próstata e pode ser decisiva para identificar doenças silenciosas
Quando chega a época dos exames de rotina, muitos homens acreditam que basta fazer o famoso exame de sangue relacionado à próstata para confirmar que está tudo bem com a saúde. A realidade, porém, é bem diferente.
Especialistas alertam que essa é uma das principais falsas impressões da prevenção masculina e que diversas doenças podem passar despercebidas quando o check-up não é realizado de forma completa.
O câncer de próstata continua entre os tumores de maior incidência na população masculina brasileira. Para o triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 78 mil novos casos por ano no Brasil, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico.
Apesar da relevância desse cuidado, a saúde do homem está longe de se resumir à próstata.
Alerta do urologista
Segundo o urologista Dr. Rodolfo José Favaretto Filho, um dos maiores equívocos é acreditar que um único exame seja suficiente para dizer se o homem está saudável.
“Existe uma falsa sensação de segurança. Muitos homens fazem apenas o exame de sangue relacionado à próstata, recebem um resultado normal e acreditam que está tudo certo. Mas esse exame representa somente uma parte da avaliação. O check-up masculino precisa considerar a história clínica do paciente, seus hábitos, fatores de risco, possíveis sintomas, exame físico e, quando necessário, outras investigações”, explica.
Durante uma consulta de rotina, o urologista pode avaliar diferentes aspectos da saúde masculina, inclusive alterações que ainda não provocaram dor, desconforto ou mudanças perceptíveis no organismo.
Avaliação
“A consulta não serve apenas para procurar uma doença específica. Ela permite olhar para o homem de forma mais ampla, avaliar o funcionamento do organismo e reconhecer sinais que, isoladamente, poderiam ser ignorados. Muitas doenças começam silenciosamente e só apresentam sintomas quando já estão em uma fase mais avançada”, afirma o especialista.
Além da próstata, o acompanhamento urológico pode envolver a avaliação dos rins, da bexiga, dos testículos, das vias urinárias, da saúde sexual, da fertilidade e das condições hormonais. Algumas alterações urinárias ou sexuais também podem estar associadas a outros problemas de saúde e merecem investigação adequada.
“Uma dificuldade urinária, uma mudança na função sexual ou uma alteração aparentemente simples não deve ser tratada apenas como consequência natural da idade. Em alguns casos, esse pode ser o primeiro sinal de que algo no organismo precisa de atenção. Por isso, o paciente deve evitar o autodiagnóstico e procurar avaliação médica”, alerta Dr. Rodolfo.
Demora para buscar atendimento
Outro problema frequente é a demora para buscar atendimento. Muitos homens chegam ao consultório somente quando a dor aparece ou quando os sintomas já comprometem a rotina e a qualidade de vida.
“Infelizmente, ainda existe uma cultura de procurar o médico apenas quando alguma coisa está muito errada. O ideal é justamente o contrário: cuidar da saúde antes que os problemas apareçam. Quanto mais cedo identificamos uma alteração, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento, controle e preservação da qualidade de vida”, ressalta.
O médico reforça que o acompanhamento deve ser individualizado. Idade, histórico familiar, condições de saúde, hábitos de vida e fatores de risco influenciam na escolha dos exames e na frequência das consultas.
“Não existe uma lista única de exames que funcione para todos. Cada homem possui uma história e riscos diferentes. A consulta é fundamental para definir o que realmente precisa ser investigado, evitando tanto a falta de cuidado quanto a realização de exames sem indicação”, explica.
Fatores de risco
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com um urologista sobre a avaliação da próstata, mesmo quando não apresentam sintomas. Para aqueles com fatores de risco, como histórico familiar da doença, obesidade ou homens negros, essa conversa deve começar a partir dos 45 anos.
Para Dr. Rodolfo, o principal desafio ainda é fazer o homem entender que a prevenção não deve acontecer apenas em campanhas específicas ou diante de algum sintoma.
“Hoje falamos muito sobre longevidade, mas não basta viver mais. É preciso viver melhor, com autonomia, disposição e qualidade de vida. O check-up masculino não se resume a um único exame. Ele é uma oportunidade de olhar para a saúde de forma completa, identificar riscos e agir antes que um problema se torne mais difícil de tratar”, conclui.