Especialistas explicam se os aromas das flores influenciam as emoções e o que a ciência revela
A Primavera, estação mais florida do ano começou oficialmente, transformando a paisagem com novas cores, plantas e uma variedade de aromas no ar. Mas, afinal, o perfume das flores realmente tem o poder de influenciar o nosso humor?
De acordo com a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, a relação entre os aromas e as emoções existe, mas é profunda e individual, fugindo de classificações simplistas como “calmante” ou “estimulante”.
A especialista aponta que o cérebro não recebe um aroma acompanhado de instruções fixas. O olfato possui ligações estreitas com circuitos cerebrais responsáveis pela memória e pelas emoções, o que explica a capacidade de um perfume evocar lembranças autobiográficas antes mesmo de qualquer elaboração consciente.
Fatores como histórias de vida e preferências particulares fazem com que o mesmo aroma seja extremamente agradável para alguém e indiferente para outro.
O que dizem as pesquisas sobre os aromas
Estudos científicos têm buscado mensurar os impactos de óleos essenciais por meio de relatos subjetivos e de parâmetros fisiológicos:
Óleo de rosa e relaxamento: Experimentos com o uso de óleo de rosa — seja por inalação rápida ou por aplicação tópica com isolamento do cheiro — apontaram redução na concentração de oxi-hemoglobina no córtex pré-frontal direito, diminuição da frequência respiratória, da pressão arterial sistólica e da saturação de oxigênio, acompanhadas de relatos de maior conforto e calmaria.
Óleo de jasmim e estímulo: Em contraponto aos efeitos relaxantes da rosa, pesquisas com óleo de jasmim demonstraram aumento da potência das ondas beta no cérebro, elevação da frequência respiratória e da pressão arterial, além de relatos de maior vigor, estado de alerta e redução da sonolência entre os participantes.
Gerânio e sintomas depressivos: Um ensaio clínico com mulheres na pós-menopausa indicou que a massagem associada à aromaterapia com gerânio a 2% contribuiu para a redução de escores de depressão, embora pesquisadores restrinjam o uso a uma abordagem complementar e não substitutiva a tratamentos médicos.
Existe um aroma da felicidade?
Para Daiana Petry, a resposta é negativa. Não há um “botão olfativo” universal capaz de gerar felicidade ou tranquilidade idêntica em todas as pessoas. A experiência olfativa é moldada por uma combinação de química, contexto, memórias e estado emocional atual.
A recomendação prática da especialista para a nova estação é aproveitar o período para criar rituais de desaceleração — associando um cheiro agradável a momentos de pausa —, prestando atenção consciente ao que cada fragrância desperta individualmente.
Fonte: Alto Astral




