Virar o colchão pode ajudar a reduzir o desgaste irregular. Saiba quando girar, quais modelos podem ser virados e quando trocar o colchão
Você costuma dormir sempre do mesmo lado da cama e começou a perceber que o colchão está afundando ou perdeu o conforto? Girá-lo pode ajudar a distribuir melhor o desgaste e preservar suas características por mais tempo.
Mas atenção: a recomendação depende do tipo de colchão, e nem todos os modelos podem ser virados de um lado para o outro.
Segundo especialistas, a mudança de posição pode reduzir a concentração de pressão nas mesmas regiões e dar aos materiais a oportunidade de recuperar parte da forma entre os períodos de uso.
Por que o colchão se deforma?
Durante o sono, o peso do corpo exerce pressão sobre o colchão. Com o uso contínuo, a espuma e os sistemas de molas passam por ciclos repetidos de compressão e recuperação, o que pode provocar desgaste ao longo do tempo.
Quando o suporte perde eficiência, o colchão pode deixar de oferecer o conforto esperado. Em alguns casos, isso também pode contribuir para desconfortos nas costas e rigidez ao acordar, embora esses sintomas tenham diversas causas e não devam ser atribuídos automaticamente ao colchão.
O ortopedista Marcelo Risso, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que alterações no suporte podem afetar a distribuição das pressões sobre o corpo e favorecer desconfortos musculares.
Girar o colchão realmente funciona?
A prática pode ajudar a evitar que determinadas áreas recebam pressão repetidamente, favorecendo um desgaste mais uniforme.
A professora de materiais do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, Viviane Tavares de Moraes, destaca que mudar a posição em que a carga é aplicada pode contribuir para aumentar a durabilidade do produto.
A orientação, porém, varia conforme os materiais e a construção do colchão. Por isso, a recomendação mais importante é consultar o manual ou as instruções do fabricante.
Como referência geral, a especialista menciona uma periodicidade média de quatro meses para mudar a posição do colchão, desde que o modelo permita esse procedimento.
Como mudar a posição corretamente
Existem duas maneiras principais de reposicionar o colchão:
Giro de 180 graus: trocar a posição da cabeceira pela dos pés, mantendo a mesma face para cima.
Virada completa: colocar para cima a face que ficava voltada para baixo.
A escolha depende do modelo. Colchões chamados one side são projetados para uso em apenas uma face e, por isso, devem ser girados, mas não virados completamente.
Já os modelos double side têm camadas de conforto nos dois lados e podem permitir tanto o giro quanto a virada, conforme as orientações do fabricante.
Antes de movimentar o colchão, confira as instruções do produto para evitar danos ou uso inadequado.
Quando é hora de trocar o colchão?
Mesmo com os cuidados recomendados, os materiais sofrem desgaste e perdem desempenho com o tempo. Por isso, além de observar o tempo de uso, é importante verificar as condições do colchão.
Entre os sinais de alerta citados pelos especialistas estão:
Afundamentos visíveis: especialmente nas áreas que recebem maior pressão do corpo.
Desconforto frequente ao acordar: dores ou rigidez que parecem melhorar ao longo do dia merecem atenção, embora possam ter outras causas.
Perda de sustentação: espuma que não recupera a forma ou molas que já não oferecem o suporte esperado.
Tempo de uso elevado: a vida útil varia conforme o modelo, os materiais, o peso suportado e as orientações do fabricante. O intervalo de sete a dez anos é uma referência geral, não um prazo obrigatório para todos os colchões.
O ortopedista Marcelo Risso recomenda avaliar periodicamente a capacidade de suporte do colchão. Já a professora Viviane Tavares de Moraes ressalta que a escolha de um produto compatível com a carga a que será submetido também influencia sua durabilidade.
No fim, girar o colchão pode ser um cuidado simples para reduzir o desgaste irregular, mas não recupera materiais que já perderam suas propriedades.
A melhor estratégia é respeitar as orientações do fabricante, observar sinais de deformação e avaliar se o colchão continua oferecendo conforto e sustentação adequados.
Fonte: Casa e Jardim




