Reclamar faz mal? Psicólogos explicam como o hábito libera cortisol, prejudica a saúde e afasta amigos, e ensinam a dosar os desabafos
Quem nunca se pegou reclamando do trânsito, do clima ou da rotina que atire a primeira pedra. O ato de reclamar faz parte da natureza humana e, em doses controladas, pode até ter um papel funcional.
No entanto, quando o desabafo pontual se transforma no estilo de vida dos chamados “reclamões crônicos”, o hábito deixa de ser inofensivo e passa a cobrar caro da saúde física e mental.
Especialistas em psicologia ouvidos pela revista Real Simple explicam que o segredo está no limite entre extravasar emoções e alimentar um ciclo vicioso de negatividade.
Quando Reclamar Faz Bem à Mente
De acordo com a psicóloga Kerry Cannity, reclamar de forma pontual tem utilidade terapêutica: permite colocar para fora sentimentos negativos, comunicar o que nos incomoda e dar o primeiro passo rumo à resolução de problemas.
Estudos mostram que reprimir emoções sistematicamente tem um preço alto, estando associado a falhas de memória, estresse nos relacionamentos e até a problemas cardíacos.
Além disso, ser ouvido por alguém empático — que apenas acolhe a dor sem tentar consertar tudo de imediato — traz um forte alívio emocional, como aponta a terapeuta Sarah Close.
O Perigo do Hábito Crônico (e o Estresse no Cérebro)
O problema começa quando a queixa se torna automática. Segundo Cannity, reclamar o tempo todo reprograma o cérebro para focar em cenários pessimistas, ativando zonas de alerta e aumentando os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) no organismo.
Em excesso, o cortisol prejudica o sono, eleva a pressão arterial e afeta o metabolismo.
Pesquisas clássicas já indicavam que se expor a reclamações constantes por apenas meia hora pode impactar negativamente o hipocampo, área cerebral ligada à memória e ao controle emocional.
Além dos danos neurológicos, a assistente social clínica Mary McLaughlin alerta para o desgaste social: “Se toda conversa se transforma em reclamação, em algum momento as pessoas vão querer parar de conversar”. A negatividade crônica afasta cônjuges, amigos e colegas de trabalho.
Como Sair do Ciclo e Reclamar com Consciência
Parar de reclamar 100% não é necessário (nem realista). A chave é mudar a intenção: em vez de resmungar por hábito, o ideal é focar na busca por soluções.
Uma dica prática sugerida por especialistas é adicionar uma perspectiva de equilíbrio à frase, usando conectivos como “e” ou “mas”. Por exemplo: “Estou exausto hoje porque dormi mal, mas estou animado para o jantar de logo mais”. Dessa forma, você valida o sentimento ruim sem permitir que ele paralise o seu dia.
Fonte: Notícias ao Minuto




