Descubra por que usamos alianças de casamento. A história de 3 mil anos passa pelo Egito Antigo, império romano e pela Segunda Guerra
O gesto de deslizar um anel pelo dedo da pessoa amada no dia do casamento é uma das tradições mais universais e duradouras da humanidade. Mas você já parou para pensar de onde surgiu esse costume?
Longe de ser apenas um acessório estético, a aliança carrega uma história rica que remonta a mais de 3 mil anos, passando por Faraós, impérios antigos e até por uma reviravolta cultural em tempos de guerra.
O Começo de Tudo: Os Faraós e o Egito Antigo
Historiadores apontam o Egito Antigo como o primeiro cenário em que os anéis passaram a ser usados de forma habitual. Para os faraós, o círculo — uma forma geométrica sem começo nem fim — funcionava como a metáfora perfeita para representar a eternidade.
No entanto, egípcios de menor poder aquisitivo também utilizavam peças circulares como ferramentas práticas para selar documentos e recipientes.
Foi durante a dinastia ptolemaica (de 305 a.C. a 30 a.C.) que os egípcios inauguraram o uso do anel como símbolo de afeto e compromisso entre casais. Além de remeter ao amor eterno, o formato circular também prestava culto ao Sol e à Lua, astros sagrados para a civilização.
Como o metal ainda não era o padrão, esses primeiros anéis de compromisso eram confeccionados em cânhamo ou juncos.
Com o desgaste rápido, passaram a ser substituídos por materiais mais resistentes como couro ou marfim — afinal, quanto mais caro o material da peça, maior era a demonstração pública de afeto de quem a presenteava.
A “Vena Amoris” e o Dedo Anelar na Roma Antiga
Do Egito, o costume migrou para a Grécia Antiga (onde era visto mais como símbolo de amor do que de casamento) e, posteriormente, consolidou-se na Roma Antiga.
Nas sociedades grega e romana, anéis com gravuras de mãos entrelaçadas eram muito comuns para denotar acordo e união. O anel entregue pelo homem à mulher como promessa de matrimônio era chamado de annulus pronubus (“anel de promessa”) e podia ser feito de ferro, bronze ou ouro, simbolizando força e permanência.
Foi também em solo romano que nasceu a tradição de usar a aliança no quarto dedo da mão esquerda — o atual dedo anelar.
A escolha não era acasaleira: os romanos acreditavam que ali passava a vena amoris (a veia do amor), um vaso sanguíneo que conduziria o sangue diretamente até o coração.
Da Igreja Medieval à Virada na Segunda Guerra Mundial
Após a queda de Roma, o hábito se espalhou pela Europa. Por volta do século III d.C., as classes mais abastadas já adotavam a aliança para oficializar noivados.
Na Idade Média, a Igreja Católica incorporou o anel aos ritos matrimoniais, consagrando-o como o selo de um elo inquebrável diante da fé.
Porém, por séculos, o uso da aliança foi quase exclusivo das mulheres. O hábito de os homens também usarem o anel de casamento é relativamente recente, tendo se popularizado apenas em meados do século XX.
A grande virada aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, muitos soldados ocidentais enviados para frentes de batalha distantes começaram a usar alianças como uma forma de carregar uma lembrança física e constante de suas esposas e famílias.
O costume pegou tanto que, após o fim do conflito, tornou-se o padrão que conhecemos hoje: um símbolo duplo de compromisso mútua.
Fonte: Galileu




