Afogamentos podem acontecer mesmo com mar aparentemente calmo. Entenda o perigo das correntes de retorno e veja como se prevenir na praia
O mar está aparentemente tranquilo, as ondas são pequenas e a água parece convidativa. Ainda assim, entrar no mar nessas condições não significa estar livre de riscos, como afogamentos.
Um dos perigos menos perceptíveis para os banhistas são as chamadas correntes de retorno, fenômenos naturais que podem arrastar uma pessoa para longe da faixa de areia e provocar situações de afogamento.
Essas correntes se formam quando a água que chega à praia com as ondas retorna em direção ao mar aberto por determinados canais. O movimento concentra a força da água em trechos específicos, criando uma espécie de fluxo que pode ser difícil de identificar para quem não conhece o ambiente.
O perigo está justamente na aparência: em alguns pontos, a água parece mais calma do que nas áreas ao redor. A ausência de ondas, portanto, nem sempre indica um local seguro para o banho.
O que são as correntes de retorno?
Também conhecidas popularmente como repuxo ou valas, as correntes de retorno são movimentos de água que seguem da praia em direção ao mar aberto.
Elas podem surgir em diferentes trechos da costa e mudar de posição conforme as condições do mar. A presença de bancos de areia, pedras e outras características do fundo pode favorecer a formação desses fluxos.
De acordo com orientações do Corpo de Bombeiros, alguns sinais podem ajudar a identificar áreas de risco:
– Trechos com pouca ou nenhuma formação de ondas, entre áreas onde elas quebram normalmente;
– Água aparentemente mais escura, que pode indicar maior profundidade;
– Faixas com menos espuma ou movimento diferente do restante do mar;
– Locais próximos a pedras, encostas e estruturas que alteram a circulação da água.
A identificação visual, entretanto, não é simples e não substitui a orientação dos guarda-vidas. As condições podem mudar ao longo do dia, por isso é importante perguntar onde o banho é mais seguro.
Por que uma corrente pode provocar afogamento?
Quando uma pessoa é surpreendida por uma corrente de retorno, pode tentar nadar diretamente em direção à areia para escapar. O esforço contra o fluxo da água, porém, pode provocar cansaço rapidamente.
Com a perda de energia e a dificuldade para manter a respiração e a flutuação, aumenta o risco de afogamento. Mesmo pessoas que sabem nadar podem enfrentar dificuldades quando são surpreendidas por uma corrente forte.
Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), divulgados no Boletim Brasil de 2024, apontam que mais de 90% das mortes por afogamento em praias estão associadas às correntes de retorno.
O levantamento reforça que conhecer o próprio limite na água não é suficiente: também é necessário reconhecer os riscos do ambiente e respeitar a sinalização.
O que fazer se for arrastado pela corrente?
A orientação dos bombeiros é não entrar em desespero nem tentar vencer a força da água nadando diretamente contra ela.
Se perceber que está sendo levado para longe da praia, procure manter a calma, tente flutuar para economizar energia e peça ajuda levantando um dos braços para chamar a atenção dos guarda-vidas.
As recomendações oficiais também orientam a tentar sair do fluxo nadando paralelamente à praia, quando houver condições para isso, em vez de enfrentar a corrente diretamente. Se não conseguir, continue sinalizando por socorro.
É importante não insistir em movimentos que provoquem exaustão. A prioridade é manter-se na superfície e chamar ajuda.
Como evitar acidentes na praia?
A prevenção começa antes mesmo de entrar na água. Algumas atitudes simples reduzem a exposição ao risco:
– Prefira praias com postos de guarda-vidas e permaneça próximo às equipes de salvamento;
– Pergunte aos profissionais qual trecho está adequado para o banho;
– Respeite bandeiras, placas e outras sinalizações de perigo;
– Evite entrar no mar perto de pedras, píeres e estruturas;
– Não entre na água após consumir bebidas alcoólicas;
– Não superestime sua capacidade de nadar;
– Mantenha crianças sob supervisão constante e ao alcance de um adulto.
Boias, colchões infláveis e outros objetos de lazer também não substituem equipamentos de segurança e podem ser levados pela correnteza.
Tentar salvar alguém pode colocar mais uma vida em risco
Ao perceber uma pessoa em dificuldade na água, a orientação é acionar imediatamente os guarda-vidas ou o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193.
Quem não tem treinamento em salvamento aquático não deve entrar no mar para tentar resgatar a vítima. A tentativa pode fazer com que o socorrista também seja arrastado, aumentando o número de pessoas em perigo.
Sempre que possível, a recomendação é oferecer um objeto flutuante ou uma corda a partir de um local seguro, sem se expor à correnteza, enquanto aguarda a chegada dos profissionais.
O mar pode parecer tranquilo e, ainda assim, apresentar riscos que não são visíveis da areia. Por isso, respeitar a sinalização, buscar orientação dos guarda-vidas e reconhecer os próprios limites são atitudes fundamentais para aproveitar a praia com segurança.
Fonte: Aqui – Correio Brasiliense




