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Pesquisa explica por que casais com filhas meninas sofrem mais divórcios

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 22 de março de 2021 às 15:00
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Desde a década de 80, estudos feitos em todo o mundo apontavam maior probabilidade de divórcio em casais com filhos primogênitos mulheres, mas sem explicações claras do porquê

Pesquisa mostra que casais com filhas tem uma tendência maior ao divórcio

 

Desde a década de 80, estudos feitos em todo o mundo apontavam maior probabilidade de divórcio em casais (heterossexuais) com filhos primogênitos mulheres, e não homens, mas sem explicações claras do porquê desse efeito.

Agora, uma pesquisa conduzida pelos economistas Jan Kabátek, da Universidade de Melbourne, na Austrália, e David Ribar, da Universidade de Geórgia, em Atlanta (EUA) parece ter encontrado o motivo desse aumento.

Avaliando quase 3 milhões de registros matrimoniais na Holanda de 1971 a 2015, os dados apontam que o risco médio de divórcio quando a primeira filha do casal é menina é cerca de 5% maior em comparação com casais cujo primeiro filho é do sexo masculino, mas somente durante a fase da adolescência -de 13 a 18 anos.

Essa probabilidade maior chega a 9,3% quando a menina tem 15 anos.

Para avaliar esse risco, os autores fizeram uso de uma ferramenta estatística poderosa que, com um conjunto de variáveis observáveis, pode gerar um modelo de predição, conhecido como risco condicional (ou conditional hazard).

Este modelo leva em consideração também o risco acumulado de divórcio ao longo do tempo, ou seja, se esse efeito é igual desde o nascimento até a idade adulta dos filhos (25 anos).

Em vez de atribuir pesos iguais a faixas etárias distintas no cálculo do risco de divórcio dos pais, os pesquisadores ajustaram qual seria o risco em relação ao gênero das crianças para cada ano de idade das mesmas.

Considerando o acúmulo de anos, o efeito das filhas sobre divórcios existe, mas é pequeno, de 1,8% (taxa de divórcio de 20,48% para filhas mulheres contra 20,12% de filhos homens).

A mesma probabilidade cai para quase zero quando os filhos têm 19 anos; e é de pouco mais de 0,3% quando eles são crianças (0 a 12 anos).

Para Jan Kabátek, o estudo é inédito em demonstrar essa relação idade-específica de maior risco de divórcio quando comparados os gêneros dos filhos.

“O argumento frequente de preferência por filhos homens não condizia com nossas observações. A relação idade-específica é importante porque invalida essa visão de preferência por filhos homens; em vez disso, os dados apontam para uma explicação mais plausível, a de relações familiares conturbadas, possivelmente por conflitos envolvendo papéis de gênero.”

“Com base nisso, pode-se levantar uma hipótese de que os conflitos tanto na visão do pai com a filha adolescente de questões de gêneros quanto visões distintas entre os dois pais sobre como essas questões devem implicar na criação das filhas também são fatores que aumentam o risco de divórcio”, explica.

Um dado relevante que surgiu e que provavelmente não foi encontrado em estudos anteriores foi que pais que não tinham irmãs o risco de divórcio era maior quando a primeira filha é mulher, mas ele é igual a zero se o pai teve pelo menos uma irmã, indicando que crescer com uma presença feminina ajuda na resolução dos conflitos de gênero.

“De novo, essa é uma das possibilidades, mas existem outras hipóteses que podem atuar e que não temos como dizer com certeza.”

É importante destacar que esse foi um estudo baseado em um modelo estatístico produzido a partir de dados observados na Holanda, e não necessariamente pode ser replicado em outros países ou em outras sociedades distintas.

*Conteúdo Folhapress


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