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Mais do que companhia: por que amizades são fundamentais para a nossa saúde mental

No Dia Nacional da Amizade, especialista diz como cultivar vínculos genuínos fortalece a saúde mental e o sentimento de pertencimento.

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Mais do que companhia: por que amizades são fundamentais para a nossa saúde mental

Um estudo da AARP Research, realizado recentemente com quase 1.500 adultos, reforça o papel das amizades na qualidade de vida. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados consideram os amigos essenciais para uma vida feliz e saudável.

O levantamento também mostra que, embora a maioria das pessoas continue aberta a conhecer novos amigos, criar esses laços tende a se tornar mais desafiador com o passar dos anos.

Para a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna,  a amizade atende a uma das necessidades humanas mais fundamentais que é se sentir-se parte de um grupo.

Segundo a especialista, as pessoas são, por natureza, seres relacionais e dependem do contato com o outro desde o nascimento não apenas para sobreviver fisicamente, mas também para desenvolver a identidade, aprender a regular as emoções e construir a autoestima.

Influências recíproas

As primeiras relações, especialmente com os cuidadores, funcionam como um espelho e influenciam a forma como cada indivíduo passa a enxergar a si mesmo e ao mundo.

“É por meio dessas experiências que começamos a responder perguntas que nos acompanham por toda a vida, como: ‘Sou importante?’, ‘Sou digno de amor?’ e ‘Posso confiar nas pessoas?’. Quando essas necessidades emocionais são atendidas de forma consistente, desenvolvemos mais segurança para estabelecer conexões saudáveis ao longo da vida. Quando isso não acontece, podem surgir crenças que dificultam nossos relacionamentos”, explica.

A docente ressalta que a amizade vai muito além da companhia para sair, viajar ou conversar ocasionalmente.

“As amizades verdadeiras são espaços de segurança emocional. São relações em que podemos celebrar conquistas sem receio de despertar inveja, dividir dificuldades sem medo de julgamentos e demonstrar fragilidade sem sentir vergonha. Um bom amigo não elimina nossos problemas, mas torna o peso deles mais suportável.”

Quantidade não é qualidade

Dra. Mariana destaca ainda que estar sem amigos não significa, necessariamente, estar sozinho. Muitas pessoas convivem diariamente com colegas de trabalho, familiares ou centenas de contatos nas redes sociais e, mesmo assim, experimentam uma profunda sensação de vazio.

“Uma das maiores ilusões da vida moderna é acreditar que quantidade representa qualidade. É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se profundamente sozinho quando faltam relações construídas com confiança, respeito e reciprocidade. A sensação de fazer parte nasce da qualidade dessas conexões. Pertencemos aos lugares e às pessoas onde somos aceitos, respeitados e acolhidos exatamente como somos.”

Solidão x solitude

Embora os termos sejam frequentemente confundidos, existe uma diferença importante entre estar sozinho e sentir-se sozinho.

Enquanto a solidão costuma estar associada ao sofrimento provocado pela ausência de conexões afetivas significativas e pela sensação de isolamento, a solitude representa a capacidade de aproveitar a própria companhia de forma saudável e voluntária.

“Estar sozinho por escolha pode ser extremamente positivo para o autoconhecimento e o equilíbrio emocional. A solitude é um momento de encontro consigo mesmo, que favorece a criatividade, a autorreflexão e a regulação das emoções”, explica a psicóloga.

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Atualizado 20h35 · Agrolink · Franca/SP (dia)

“Já a solidão surge quando existe o desejo de se conectar, mas a pessoa sente que não consegue estabelecer relações que ofereçam apoio, compreensão e segurança emocional. Quem aprende a conviver bem consigo tende a desenvolver relacionamentos mais saudáveis, pois deixa de atribuir ao outro a responsabilidade exclusiva por preencher seus vazios emocionais”, acrescenta.

Amizades virtuais na era da hiperconectividade

Embora a tecnologia facilite encontros e amplie as possibilidades de interação, ela também evidencia que o número de contatos não é sinônimo de relações significativas.

Dados do Digital Wellness Lab, do Boston Children’s Hospital, divulgados no relatório Pulse Survey: Belonging (2025), mostram que 50% dos adolescentes afirmam ter amigos próximos que conheceram exclusivamente pela internet e nunca encontraram pessoalmente.

Além disso, 71% dizem ter desenvolvido amizades significativas em ambientes virtuais, enquanto 67% consideram esses amigos tão importantes quanto os presenciais.

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Amizades genuinas

Segundo a especialista, as amizades iniciadas no ambiente digital podem ser tão relevantes quanto as presenciais quando são construídas com confiança, respeito, apoio mútuo e disponibilidade emocional.

Para ela, a internet ampliou as possibilidades de encontro e aproxima pessoas com interesses em comum, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades para socializar presencialmente.

“As redes sociais podem, sim, favorecer a construção de amizades genuínas. Muitas pessoas encontram apoio, identificação e até relacionamentos importantes por meio da internet. No entanto, a tecnologia, por si só, não substitui elementos essenciais de um vínculo saudável, como presença, reciprocidade, confiança e disponibilidade emocional. Mais importante do que o lugar onde uma amizade começa é a qualidade da conexão construída. Nenhum algoritmo é capaz de substituir o conforto de alguém que verdadeiramente nos escuta “, enfatiza.

Por que algumas pessoas têm dificuldade para fazer amigos?

Diversos fatores emocionais e psicológicos podem dificultar a construção de amizades, como baixa autoestima, medo da rejeição, ansiedade social, traumas, experiências de abandono, excesso de autocrítica e dificuldade para confiar nas pessoas.

Mudanças na rotina, como trabalho remoto, jornadas extensas, mudança de cidade, maternidade, envelhecimento e o uso excessivo das redes sociais, também reduzem as oportunidades de convivência e de criação de novos laços.

Segundo Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna, muitas pessoas acreditam que simplesmente não nasceram para fazer amigos, quando, na realidade, carregam experiências que afetam a forma como se relacionam.

“Essa é uma frase que escuto com frequência no consultório: ‘Eu simplesmente não nasci para fazer amigos’. Na maioria das vezes, porém, ela não descreve uma realidade. Ela revela uma história marcada por rejeições, críticas, bullying ou relações que ensinaram a pessoa a acreditar que não era suficientemente boa. Quando essas barreiras emocionais são compreendidas e trabalhadas, muitos pacientes descobrem que nunca lhes faltou capacidade para construir amizades. O que lhes faltava era segurança para acreditar que eram dignos de serem aceitos”, comenta.

Loterias
Mega-Sena Concurso 3060 20/09/2026 Acumulou Último resultado
06 15 23 36 37 38

Prêmio estimado: R$ 32.000.000,00 Próximo: 22/09/2026

Quina Concurso 7122 20/09/2026 Acumulou Último resultado
22 33 35 36 72

Prêmio estimado: R$ 1.300.000,00 Próximo: 21/09/2026

Lotofácil Concurso 3784 20/09/2026 Último resultado
01 02 08 10 11 12 15 16 18 19 20 21 22 24 25

Prêmio estimado: R$ 2.000.000,00 Próximo: 21/09/2026

Atualizado 21/09/2026 20h35

Isolamento

A psicóloga destaca que essas dificuldades costumam alimentar um ciclo de isolamento. “Quanto mais alguém evita interações por medo da rejeição ou por acreditar que não corresponderá às expectativas dos outros, menores se tornam as oportunidades de criar novas amizades. Com o tempo, esse isolamento reforça sentimentos de inadequação e intensifica o sofrimento emocional.”

A falta de uma rede de apoio também pode tornar os desafios cotidianos mais difíceis. Segundo a especialista, relações interpessoais saudáveis ajudam a reduzir os impactos do estresse, fortalecem a resiliência e protegem a saúde mental.

“Os amigos funcionam como uma rede de suporte emocional. Eles não resolvem os nossos problemas, mas ajudam a diminuir o peso que eles exercem sobre quem atravessa uma situação difícil. Sentir-se ouvido, compreendido e acolhido transforma a maneira como enfrentamos as adversidades”, afirma.

A terapia pode ajudar?

Para quem encontra dificuldades para criar ou manter amizades, a psicoterapia pode ser uma importante aliada. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para compreender a origem dos medos, identificar crenças que interferem na forma de se relacionar e desenvolver maneiras mais saudáveis de interpretar as relações.

Notas de falecimento
  • VERA LUCIA DOS SANTOS Falecimento 21/09/2026
  • RN DE EMILY BERNAL CAMPOS SANTANA Falecimento 21/09/2026
  • CELIO DOMINGOS DE OLIVEIRA Falecimento 21/09/2026

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Além disso, contribui para fortalecer habilidades sociais, ampliar a consciência emocional e aumentar a segurança na construção de novos vínculos.

“Na Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, identificamos pensamentos automáticos que alimentam sentimentos de rejeição, inadequação e insegurança. A partir desse trabalho, a pessoa aprende a interpretar as relações de maneira mais saudável e desenvolve recursos para lidar com o medo da rejeição”, explica Dra. Mariana.

Barreiras emocionais

Ela diz que “muitas vezes, ela acredita que simplesmente ‘não nasceu’ para fazer amigos, quando, na verdade, enfrenta barreiras emocionais que podem ser compreendidas e superadas. O objetivo da terapia não é transformar alguém em uma pessoa extremamente sociável, mas ajudá-la a construir vínculos verdadeiros, respeitando sua personalidade, seu ritmo e seus limites”,.

A especialista ressalta que desenvolver boas amizades também exige disponibilidade e investimento contínuo. “Assim como qualquer relacionamento importante, a amizade precisa de cuidado, presença e reciprocidade. Pequenos gestos, conversas sinceras e demonstrações genuínas de interesse fortalecem a confiança e contribuem para uma vida emocional mais saudável”, conclui.

Autor

Joao Batista Freitas

Redação · Jornal da Franca

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