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Jovens “nem-nem” (que não trabalham e nem estudam) chegam a 16% durante pandemia

  • Nene Sanches
  • Publicado em 21 de julho de 2021 às 06:30
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Dentre os que não trabalham, 60% não tiveram qualquer atividade remunerada. 40% obtiveram alguma renda na informalidade ou como autônomo.

Especialistas começam a discutir razões do surgimento da geração “nem nem”. (Foto: Walter Campanato – Agência Brasil)

Dados da segunda edição do Atlas da Juventude apontam que a pandemia afetou especialmente os mais jovens.

Houve crescimento considerável dos chamados jovens “nem-nem”, ou seja, daqueles que não estudam ou trabalham.

De 10% dessa população, em 2020, saltou, em 2021, para 16%.

Para a presidente-executiva da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), Fernanda Amorim, o levantamento pode ajudar a embasar políticas voltadas à inclusão e a uma educação de melhor qualidade.

“Os efeitos da pandemia sobre a vida do jovem são visíveis”, diz Fernanda.

Ela afirma que quando se debruça sobre o aspecto estritamente do trabalho, observa não apenas os impactos na renda, mas também no ingresso ao mercado de trabalho.

“Os jovens que estão trabalhando são, em sua maioria, estudantes e se dividem principalmente entre os que são dependentes financeiros de suas famílias e aqueles de quem o domicílio depende do seu salário”, explica Amorim.

Segundo as informações obtidas pelo Atlas, as principais atividades exercidas continuam sendo empregos com carteira assinada (principalmente entre os mais velhos) e aprendizes.

Os trabalhos autônomos são mais comuns na faixa dos 25 a 29 anos e em áreas urbanas.

A ajuda doméstica sem remuneração é mais comum na faixa dos 15 a 17 anos e em áreas rurais.

Entre jovens consultados que não estão trabalhando, 30% não estão estudando.

A grande maioria continua procurando alguma colocação. Dentre estes, 40% estão nessa busca pela primeira vez.

“A dependência financeira é a realidade da grande maioria deles, mas 7% contribuem para sustentar o domicílio, total ou parcialmente”, detalha a presidente -executiva da Brasil Júnior.

Dentre os jovens que não estão trabalhando, 60% não tiveram qualquer atividade remunerada neste período.

Os 40% restantes obtiveram alguma renda na informalidade ou no trabalho autônomo.

Destes, 20% fizeram trabalhos pontuais sem carteira assinada e 10% trabalharam por conta própria ou abriram um negócio, o que mostra uma crescente no desejo dos jovens de empreender

Dos jovens que declararam não estar trabalhando e nem procurando trabalho, quase a totalidade é de dependentes financeiros.

O que impressiona é que mesmo assim, 3% nessa situação de vulnerabilidade contribuem para sustentar de alguma forma o domicílio em que vivem.

Longe da educação

“Neste grupo, temos, entre 15 e 24 anos, 60% que estão se dedicando aos estudos, o que nos leva a um marcar terrível de 40% de pessoas nesta faixa etária longe da educação”,  aponta Amorim.

Diante de uma realidade difícil, o sentimento dos jovens em relação às perspectivas do trabalho no futuro é de desconfiança: 40% estão animados e esperançosos, mesmo percentual daqueles que se sentem inseguros.

Os números do Atlas da Juventude, que é produzido por entidades dedicadas à causa jovem, incluindo a Brasil Júnior, podem embasar políticas de inclusão desse contingente no mercado de trabalho, passando pelo incentivo a uma educação inclusiva de qualidade.

“Temos ainda como reverter um quadro sombrio e sem muitas perspectivas. O futuro precisa de cuidado hoje”, resume Amorim.


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