A indústria calçadista brasileira enfrenta um cenário de pressão crescente com o avanço das importações asiáticas e a redução do saldo comercial do setor.
Até setembro de 2026, a balança comercial de calçados recuou 56%, período em que as exportações caíram 15,6% e as importações aumentaram 12,5%.
Os números acendem um alerta para empresários, trabalhadores e fornecedores da cadeia produtiva, especialmente em polos industriais que dependem da fabricação de calçados e de seus componentes.
A combinação de menor desempenho nas vendas externas e maior entrada de produtos estrangeiros amplia a preocupação com competitividade, produção e empregos.
Os Estados Unidos continuam como principal destino do calçado brasileiro. Entre janeiro e setembro, foram enviados ao mercado norte-americano 7,9 milhões de pares, que renderam US$ 130,84 milhões. Na comparação anual, houve queda de 4,3% no volume e de 23,8% na receita.
Mercados tradicionais também recuam
A Argentina aparece na segunda posição entre os destinos. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, recebeu 6,17 milhões de pares, equivalentes a US$ 74,33 milhões.
Os resultados representam retrações de 43,7% em volume e de 52% em receita frente ao mesmo período do ano passado.
O Paraguai ocupa o terceiro lugar. Foram embarcados 6 milhões de pares, com receita de US$ 35,9 milhões. O volume diminuiu 14,7%, mas a receita cresceu 6,4%, indicando comportamento diferente dos dois principais mercados.
Impacto sobre empresas e trabalhadores
Para empresários, a combinação de custos de produção, concorrência externa e retração de mercados exige atenção à produtividade, à inovação e à busca por novos compradores.
Para os trabalhadores, a evolução das encomendas e da produção é decisiva, já que mudanças no ritmo industrial podem repercutir em jornadas, contratações e estabilidade dos postos de trabalho.
O cenário reforça a importância de acompanhar medidas de defesa comercial, condições de concorrência e iniciativas que ampliem o acesso dos calçados brasileiros a mercados externos.
Os dados mostram uma mudança relevante no equilíbrio do setor, embora os efeitos sobre cada empresa dependam de seu perfil de produto e de mercado.




