Entenda como funciona o golpe da biometria facial, quais são as estratégias usadas por criminosos e como proteger seus dados pessoais e contas digitais
A biometria facial, adotada por bancos, lojas e serviços digitais para confirmar a identidade dos usuários, também entrou na mira de criminosos.
Com o avanço da inteligência artificial, golpistas passaram a utilizar fotos, vídeos manipulados e até pessoas com aparência semelhante à das vítimas para tentar burlar sistemas de reconhecimento facial.
O objetivo pode ser abrir contas bancárias em nome de terceiros, movimentar dinheiro, obter crédito ou aplicar golpes financeiros.
Além das tentativas de enganar os sistemas, os criminosos também recorrem à engenharia social, estratégia que consiste em convencer a própria vítima a fornecer informações e imagens pessoais.
Dados da empresa de tecnologia Certiface citados em reportagem do jornal Extra apontam que mais de 3,6 milhões de rostos foram registrados com restrições no Brasil devido a tentativas de fraude. Entre maio e setembro de 2026, foram impedidos três ataques por minuto em instituições financeiras, varejistas e outros negócios monitorados pela empresa.
Como funciona o golpe da biometria?
Uma das estratégias é conseguir imagens do rosto da vítima para utilizá-las em tentativas de validação de identidade. Fotografias e vídeos publicados nas redes sociais podem servir de matéria-prima para manipulações digitais, inclusive com ferramentas de inteligência artificial.
Outra modalidade é o chamado golpe do sósia. Nesse caso, criminosos procuram pessoas com características físicas semelhantes às de indivíduos cujos dados foram obtidos ilegalmente. A intenção é utilizar essa semelhança para tentar criar cadastros ou abrir contas.
Também existem abordagens diretas: o golpista se apresenta como funcionário de uma instituição financeira, representante de uma empresa ou responsável por uma promoção e pede uma selfie, um vídeo ou uma confirmação facial sob um pretexto falso.
Em outubro, o Itaú publicou um alerta sobre esse tipo de abordagem. Uma das situações descritas envolve criminosos que prometem liberar um prêmio ou benefício e solicitam imagens da pessoa para supostamente confirmar sua identidade. Os registros podem ser utilizados posteriormente em tentativas de fraude.
Inteligência artificial amplia os riscos
A popularização de ferramentas de inteligência artificial tornou mais sofisticada a manipulação de imagens e vozes. Com técnicas de deepfake, criminosos conseguem produzir conteúdos que imitam a aparência ou a voz de pessoas reais.
Esses recursos também aparecem em golpes contra cidadãos comuns. Uma pessoa pode receber um vídeo ou áudio aparentemente enviado por um familiar, amigo ou conhecido, acompanhado de um pedido urgente de dinheiro.
Por isso, o risco não está apenas na possibilidade de alguém acessar uma conta bancária usando uma biometria fraudada. A tecnologia também pode ser usada para construir situações falsas e convencer a vítima a fazer transferências ou compartilhar informações.
Veja como proteger seus dados biométricos
Especialistas em segurança digital recomendam alguns cuidados para reduzir a exposição de informações pessoais:
Desconfie de pedidos de selfies: não envie fotos segurando documentos nem grave vídeos de confirmação a pedido de desconhecidos.
Confira a identidade de quem fez o contato: se alguém disser que representa um banco, empresa ou órgão público, procure os canais oficiais antes de fornecer qualquer informação.
Revise a privacidade nas redes sociais: limite a exposição de fotos e vídeos pessoais, especialmente de conteúdos que permitam identificar facilmente seu rosto.
Verifique as permissões dos aplicativos: confira quais programas têm acesso à câmera e à galeria do celular e mantenha apenas as autorizações necessárias.
Use mais de uma barreira de segurança: sempre que disponível, combine a biometria com senha, PIN ou autenticação em duas etapas.
Desconfie de mensagens urgentes: pedidos inesperados de dinheiro, mesmo quando acompanhados de áudio ou vídeo de alguém conhecido, precisam ser confirmados por outro canal.
Uma medida simples é desligar uma chamada suspeita e telefonar diretamente para a pessoa pelo número já salvo na agenda. Em situações envolvendo pedidos de dinheiro, também pode ser útil combinar previamente com familiares uma palavra ou frase de segurança.
Biometria não é garantia absoluta
O reconhecimento facial continua sendo uma ferramenta importante de proteção, mas não deve ser tratado como uma barreira infalível.
O próprio Serpro alerta que sistemas biométricos podem ser alvo de manipulações e precisam ser combinados com outros mecanismos de autenticação e prevenção a fraudes.
A recomendação vale tanto para empresas quanto para usuários: proteger a identidade digital exige atenção ao que é compartilhado, cuidado com abordagens inesperadas e uso de diferentes recursos de segurança.
Afinal, uma imagem publicada na internet pode parecer apenas mais uma fotografia, mas, nas mãos erradas, pode se transformar em instrumento para uma tentativa de fraude.
Fonte: Extra




