Sintoma comum pode estar relacionado a diferentes condições de saúde; especialistas explicam quais sinais exigem investigação médica
Quatro em cada dez pessoas no mundo sofrem de dor de cabeça, conhecida como cefaleia. Só no Brasil, 30 milhões sofrem especificamente de enxaqueca, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para além dos números, o principal alerta é que a dor de cabeça, por vezes, pode ser um sintoma de doenças mais graves, como câncer cerebral, aneurisma e meningite.
Segundo o Ministério da Saúde, a cefaleia pode ter diferentes causas, sendo as principais o estresse, a falta de sono e a desidratação. Há casos em que o sintoma pode estar atrelado a alguns tipos de câncer, como os tumores que atingem a cabeça, o pescoço e os seios da face, leucemias e linfomas.
Ainda de acordo com a pasta, sinais que podem indicar dor de cabeça secundária a tumor são fraqueza em um lado do corpo, perda de equilíbrio ou audição, alterações na visão, dificuldade para falar e episódios de convulsão. No caso do câncer cerebral, a dor tende a ser mais intensa, mais frequente e pode piorar ao se deitar.
Neoplasias malignas
Somente no Brasil, 11 mil novos casos de câncer no cérebro são registrados por ano, alerta o Instituto Nacional de Câncer (Inca), acrescentando que a doença representa cerca de 2% a 4% de todas as neoplasias malignas em adultos ao redor do mundo.
A condição é considerada rara, mas apresenta taxa de letalidade alta. No Brasil, o índice ultrapassa 84% dos casos. Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a investigação de episódios recorrentes de dor de cabeça pode facilitar o diagnóstico desse tipo de câncer e acelerar o início do tratamento.
Conforme a SBCO, o câncer cerebral possui dois picos de incidência. O primeiro enquadra crianças, já o segundo abrange adultos acima dos 45 anos de idade. A sociedade aponta que os gliomas são os mais frequentes em adultos. As causas podem estar associadas à exposição à radiação ionizante, fatores genéticos e até hereditariedade.
Exame de imagem
O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.
De acordo com o Ministério da Saúde, a investigação médica precoce é fundamental em razão dos tumores serem silenciosos e provocarem sinais graves à saúde. A pasta descreve que certos casos exigem ainda a realização de biópsia para saber o tipo exato do tumor.
O exame de tomografia por emissão de pósitrons identifica alterações por meio da alta atividade metabólica das células, recurso que frequentemente levanta dúvidas entre pacientes e familiares sobre quais cânceres o PET-CT detecta.
A Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN) explica que o equipamento é empregado no diagnóstico, estadiamento e monitoramento de tumores nas regiões de cabeça, pescoço, pulmão, esôfago e próstata.
Quadros graves exigem tratamento integrado Se o exame confirmar a existência do câncer cerebral, o paciente é encaminhado para a etapa de tratamento.
Segundo o Ministério da Saúde, radioterapia, quimioterapia e procedimentos mais modernos, como imunoterapia e radiocirurgia, podem ser orientados aos pacientes. Determinados casos exigem cirurgia, procedimento que envolve o que trata o neurocirurgião geral.
A pasta descreve que as etapas do tratamento buscam controlar os sintomas, como os episódios de forte dor de cabeça, e remover o tumor. O acompanhamento dos pacientes exige também o atendimento integrado entre especialistas.
Além do neurologista, o monitoramento pode contar com profissionais como nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e enfermeiro.
Nem toda dor de cabeça é sinal de doenças sérias
Não é em todo caso que a dor de cabeça pode estar associada a doenças mais sérias. De acordo com o Ministério da Saúde, a cefaleia tende a estar relacionada também ao estilo de vida dos pacientes. Sedentarismo, obesidade, tabagismo, alimentação inadequada e transtornos de humor são condições que podem favorecer a cefaleia.
Segundo a pasta, existem mais de 150 tipos de dor de cabeça. Todos são classificados de acordo com a sua origem. Explica que a cefaleia de tensão costuma surgir no fim do dia e é resultado do acúmulo de estresse.
A dor desse tipo pode atingir a cabeça inteira, mas geralmente não impede que as pessoas continuem as suas atividades cotidianas.
A cefaleia do tipo em salvas tende a afetar somente um lado da cabeça e provocar dores pulsantes. Ela pode envolver os olhos ao causar queda na pálpebra e lacrimejamento.
Cefaleia de rebote
O Ministério da Saúde detalha que essa variação da cefaleia surge e desaparece de repente. Já cervicogênica se origina no pescoço e é resultado de processos relacionados à coluna vertebral na maioria dos casos.
De acordo com o órgão federal, a dor de cabeça causada por medicamentos é conhecida como cefaleia de rebote. O seu surgimento está ligado ao uso excessivo de analgésicos contra dores de cabeça. A ingestão de alta frequência faz com que o organismo dependa da medicação e provoque ainda mais dor em sua ausência.
Já a enxaqueca pode ser provocada por cheiros fortes, sons, ambientes com alta luminosidade e ingestão de cafeína em excesso, conforme o Ministério da Saúde. As dores de cabeça são pulsantes e podem ser moderadas ou intensas. As crises de enxaqueca podem durar de quatro a 72 horas.
Estresse
Cerca de 95% das pessoas terão em suas vidas ao menos um episódio de dor de cabeça. O dado é da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), que defende a adoção de hábitos saudáveis para prevenir as dores. Dieta equilibrada, ingestão suficiente de água e boas noites de sono ajudam a evitar quadros de cefaleia.
Para a SBCe, a prática regular de atividades físicas e o gerenciamento do estresse são ações essenciais para quem busca não sofrer de dor de cabeça. Outra dica da instituição é evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e com cafeína, principalmente antes do descanso noturno.