Cenário da pandemia pode acarretar outras doenças cardiológicas graves

  • Entre linhas
  • Publicado em 25 de junho de 2020 às 19:59
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:53
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Cardiologista Luciano Moreira Baracioli discutirá caso Takotsubo em jovem por Covid durante congresso virtual

“O estresse é considerado um fator de risco para a ocorrência e desenvolvimento da doença aterosclerótica cardíaca e um dos desencadeadores do infarto agudo do miocárdio.” 

A afirmação é do cardiologista e coordenador da Unidade Crítica Cardiológica do Hospital Sírio Libanês – SP Luciano Moreira Baracioli. 

Durante o Congresso Virtual de Cardiologia da SOCESP, que acontece entre os dias 29 de junho e 2 de julho pelas plataformas digitais, o especialista trará a discussão Takotsubo em jovem por Covid.

A síndrome de Takotsubo, também conhecida por Síndrome do Coração Partido, é uma cardiomiopatia induzida por estresse, cuja principal característica é a alteração súbita do funcionamento cardíaco, podendo causar lesão miocárdica, e sendo muitas vezes confundida com o infarto agudo do miocárdio. 

Em geral, as fortes emoções são as responsáveis pela ocorrência e, em tempos de COVID-19, os médicos consideram que o cenário da pandemia pode corroborar para isso. 

“A primeira descrição de Takotsubo foi em 1991, no Japão, e hoje já temos uma grande casuística dessa doença”, diz Baracioli. “Porém, no contexto da COVID-19, ainda não tivemos nenhuma publicação com importante série de casos, mas já há alguns relatos publicados.”

O desencadeamento de novos eventos cardíacos em pessoas que, até então, não tinham nenhum comprometimento também impacta a própria doença causada pelo novo coronavírus. 

“Sabemos que pacientes com doenças cardiovasculares prévias têm maior internação em unidades de terapia intensiva, durante o curso da infecção por COVID-19. Mas aqueles que apresentam novas lesões miocárdicas durante o período de contágio são os que apresentam o pior prognóstico, inclusive com maior índice de mortalidade”, alerta o cardiologista. “Por isso, a preocupação redobrada com síndromes cardíacas derivadas do estresse.”

Medo que paralisa

O receio da contaminação também promove outro problema: os pacientes em tratamento por outras doenças agudas – cardiovasculares ou não –, que necessitam de acompanhamento médico, estão negligenciando a rotina de saúde. 

Segundo Baracioli, esse procedimento inadequado poderá trazer consequências, como um boom de doentes no pós-pandemia. 

“Creio que, do ponto de vista cardiológico, estaremos sim diante de um aumento significativo de novos quadros de doenças cardiovasculares e de complicações ou descompensações das pré-existentes.”

Serviço:

Congresso Virtual de Cardiologia SOCESP

Tema: Takotsubo em jovem por COVID

Palestrante: Luciano Moreira Baracioli

Data: 29 de junho de 2020

Horário: 18h30 às 20h30

Informações e Inscrições: www.socesp.org.br/congressovirtual


+ Saúde