O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A doença é a mais incidente entre os homens brasileiros, depois dos tumores de pele não melanoma, e pode evoluir silenciosamente, sem provocar alterações perceptíveis nas fases iniciais.
Com a aproximação do Novembro Azul, especialistas alertam que esperar pelo surgimento de sintomas pode atrasar a identificação de tumores que teriam mais possibilidades de tratamento se descobertos precocemente.
Para o Dr. Ricardo Brandina, urologista e cirurgião robótico, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina e professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR, a campanha é uma oportunidade para reforçar a importância de conhecer os fatores de risco e discutir com o médico quando a investigação é indicada, mesmo na ausência de desconfortos.
Mortalidade
A preocupação é sustentada pelos números de mortalidade. Segundo o INCA, 17.826 brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata em 2024, o equivalente a aproximadamente 49 mortes por dia.
Embora o Ministério da Saúde já tenha disponibilizado registros preliminares de 2025, o total específico de óbitos pela doença ainda precisa ser confirmado nessa base.
Um dos principais equívocos relacionados ao câncer de próstata é acreditar que a doença necessariamente provoca alterações urinárias.
Na realidade, muitos tumores não apresentam manifestações nas fases iniciais. Quando surgem, sintomas como dificuldade para urinar, sangue na urina ou aumento da frequência urinária também podem estar associados a condições benignas.
A ausência de sintomas não significa ausência da doença
Por isso, a avaliação médica não deve depender exclusivamente do aparecimento desses sinais. Idade, histórico familiar, características individuais e condições gerais de saúde precisam ser considerados na decisão sobre a necessidade de investigação.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta que homens a partir dos 50 anos conversem com um especialista sobre a avaliação prostática. Para aqueles com maior risco, incluindo homens negros e pessoas com histórico familiar da doença, essa discussão pode começar aos 45 anos.
É importante destacar que não existe recomendação universal para a realização automática de exames em todos os homens sem sintomas.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado, devido aos riscos de diagnósticos e tratamentos desnecessários. A decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, considerando benefícios e possíveis consequências.
Diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento
O exame de sangue que mede o antígeno prostático específico (PSA) é uma das ferramentas utilizadas na avaliação da próstata, mas seu resultado não determina sozinho a presença ou a ausência de câncer. Alterações podem ocorrer por diferentes motivos, incluindo crescimento benigno da glândula e processos inflamatórios.
Quando existe suspeita, o urologista pode indicar exames complementares e, em determinadas situações, biópsia para confirmar o diagnóstico.
A identificação de um tumor também não significa necessidade imediata de cirurgia. Atualmente, existem diferentes estratégias terapêuticas, que variam conforme a agressividade da doença, sua extensão, a idade e as condições clínicas do paciente.
Entre as possibilidades estão a vigilância ativa, indicada para determinados tumores de baixo risco, a radioterapia e o tratamento cirúrgico.
Cirurgia
Nos casos em que a operação é recomendada, a cirurgia robótica pode auxiliar na precisão dos movimentos e na visualização das estruturas anatômicas, embora seus resultados dependam de fatores clínicos e da experiência da equipe.
Com mais de 20 anos de atuação em urologia e participação no tratamento de mais de 2 mil pacientes por cirurgia robótica, Brandina concentra sua prática no tratamento de tumores prostáticos e renais.
A avaliação individualizada permite considerar não apenas o controle do câncer, mas também os possíveis impactos do tratamento sobre a continência urinária, a função sexual e a qualidade de vida.
A prevenção precisa continuar depois de novembro
Embora a campanha de conscientização concentre a atenção pública durante um mês, o cuidado com a saúde masculina exige continuidade.
Manter o peso adequado, praticar exercícios físicos, evitar o tabagismo e adotar uma alimentação equilibrada são medidas importantes para a saúde geral, ainda que não eliminem o risco de câncer de próstata.
O acompanhamento ganha relevância especial entre homens com histórico familiar da doença, principalmente quando parentes próximos foram diagnosticados antes dos 60 anos.
Mais do que estimular a realização indiscriminada de exames, o Novembro Azul representa uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre riscos, diagnóstico e possibilidades terapêuticas.
A orientação é procurar um especialista para uma avaliação individualizada e não esperar que o organismo apresente sinais de alerta para começar a cuidar da saúde.




