Com a aproximação do verão e das férias escolares, aumentam as preocupações com a saúde e a segurança das crianças. O calor intenso, a exposição solar e o maior tempo dedicado às brincadeiras podem favorecer situações como desidratação, queimaduras solares, problemas respiratórios e acidentes domésticos.
Segundo o médico pediatra Otávio Rubin de Araújo, formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com experiência em pronto atendimento e liderança de plantão em emergência pediátrica, a prevenção exige atenção redobrada dos responsáveis, tanto dentro quanto fora de casa.
Um dos principais riscos da estação é a desidratação, especialmente quando associada às infecções intestinais, popularmente conhecidas como viroses. Com as altas temperaturas, os alimentos podem estragar mais rapidamente, favorecendo a contaminação.
O problema se torna ainda mais preocupante quando a criança apresenta vômitos ou diarreia, aumentando a perda de líquidos.
Desconforto térmico
“As crianças já tendem a desidratar com altas temperaturas. Se estiverem vomitando ou apresentando diarreia, esse risco aumenta exponencialmente”, alerta o pediatra, que recomenda não demorar a procurar assistência médica nessas situações.
Entre os sinais de desidratação, o especialista destaca choro sem lágrimas, redução do volume urinário, palidez da pele, boca e pontas dos dedos, além de náuseas e sonolência excessiva. A recusa alimentar e os vômitos persistentes também exigem atenção imediata.
Outro cuidado importante, muitas vezes negligenciado, é a escolha das roupas. De acordo com dr. Otávio, um dos erros mais comuns dos pais é agasalhar excessivamente as crianças, inclusive bebês e recém-nascidos. O excesso de roupas pode intensificar o desconforto térmico e contribuir para a desidratação, especialmente nos dias mais quentes.
Na proteção solar, o pediatra reforça a importância do uso de protetor a partir dos seis meses de idade, inclusive em áreas pouco expostas, evitando a região dos olhos. Os produtos específicos para crianças costumam apresentar formulações mais hipoalergênicas.
Bonés e óculos de sol também podem complementar a proteção das crianças maiores. Para bebês menores de seis meses, a orientação é evitar a exposição direta ao sol, priorizando a proteção com roupas adequadas e sombra.
Olho vivo
Em clubes, praias e piscinas, a supervisão contínua é indispensável. “Nunca tire o olho da criança. Crianças são imprevisíveis, ágeis e ainda não conseguem medir riscos e consequências de determinadas ações”, alerta dr. Otávio. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 71.663 mortes por afogamento entre 2010 e 2023.
Desse total, 5.878 vítimas, o equivalente a 8,2%, eram crianças de 1 a 4 anos. O pediatra chama atenção especialmente para a fase entre 1 e 3 anos, quando as crianças costumam ser mais ativas, curiosas e exploradoras.
Por isso, a recomendação é nunca deixar crianças sozinhas perto da água. Coletes salva-vidas adequados podem oferecer proteção adicional, mas não substituem a vigilância de um adulto. Boias recreativas, por sua vez, não devem ser consideradas equipamentos de segurança contra afogamentos.
Além dos ambientes aquáticos, a própria residência exige cuidados. Segundo o médico, os acidentes domésticos estão entre os problemas mais frequentes, especialmente aqueles relacionados à ingestão de produtos químicos, como materiais de limpeza, medicamentos dos pais e outras substâncias.
“A criança passa mais tempo em casa, e se não tivermos cuidado redobrado com o lugar e disposição de cada coisa, acidentes podem e vão acontecer”, adverte.
Doenças respiratórias também merecem atenção
Embora o calor seja uma das principais preocupações, o período também pode favorecer problemas respiratórios alérgicos. Segundo dr. Otávio, a polinização das flores durante a primavera, associada ao clima mais seco e quente, cria condições favoráveis para quadros como rinite alérgica, sinusites e crises de asma.
Entre as medidas que podem ajudar a amenizar os sintomas estão a intensificação da lavagem nasal e o uso de umidificadores de ar. Medicamentos antialérgicos também podem ser utilizados quando houver indicação médica.
O especialista reforça que alguns sintomas não devem ser ignorados. Em crianças asmáticas, tosse seca acompanhada de falta de ar repentina exige avaliação imediata.
Já sinais como redução importante do volume urinário, sonolência excessiva, recusa alimentar e vômitos que não cessam também indicam a necessidade de procurar atendimento médico sem demora.
Para o pediatra, a principal orientação é que os responsáveis estejam atentos às mudanças no comportamento e nas condições de saúde das crianças. Afinal, a prevenção dos riscos do verão não se limita aos cuidados durante passeios ou viagens, mas começa na rotina da própria família.




