A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 podem trazer impactos importantes para a indústria calçadista brasileira, especialmente em regiões onde o setor tem forte participação na economia
.Em Franca e nos municípios do entorno, a fabricação de calçados representa uma das principais atividades industriais, com influência direta na geração de empregos, na renda das famílias e no desenvolvimento econômico regional.
Em nota oficial divulgada em 15 de outubro de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação com os possíveis efeitos das mudanças na jornada de trabalho sobre a sustentabilidade das empresas e a preservação dos postos de trabalho.
Reconhecimento
A entidade reconhece a importância da valorização dos trabalhadores, do descanso e do convívio familiar, mas defende que eventuais alterações sejam conduzidas com responsabilidade, diálogo e equilíbrio.
Segundo a associação, o desafio é conciliar a melhoria da qualidade de vida dos profissionais com a manutenção dos empregos, da renda e da capacidade produtiva das empresas, sobretudo em segmentos que dependem intensamente da mão de obra.
Setor reúne mais de 270 mil trabalhadores
De acordo com os dados apresentados pela Abicalçados, a indústria calçadista brasileira responde por mais de 270 mil empregos diretos, distribuídos em aproximadamente 5,3 mil estabelecimentos e mais de 600 municípios do País.
A dimensão do setor ajuda a explicar a preocupação com mudanças que possam afetar o ritmo de produção. Em Franca, tradicional polo nacional de fabricação de calçados, a atividade industrial movimenta uma extensa cadeia econômica, que inclui fabricantes, fornecedores de matérias-primas, prestadores de serviços, transportadoras e estabelecimentos comerciais.
Por isso, alterações nos custos e na organização do trabalho podem repercutir não apenas dentro das fábricas, mas também em outros segmentos que dependem da atividade calçadista para manter seus negócios e empregos.
Redução da jornada
Na avaliação técnica apresentada pela Abicalçados, uma redução de 9,1% nas horas de trabalho disponíveis poderá provocar diminuição proporcional da capacidade produtiva do setor, caso seja mantido o número atual de trabalhadores e permaneçam constantes as demais condições de produção no curto prazo.
A entidade ressalta que a indústria de calçados é formada predominantemente por micro e pequenas empresas, que podem enfrentar dificuldades adicionais para reorganizar turnos, contratar funcionários ou adaptar os processos produtivos.
Nesse cenário, as empresas teriam de avaliar alternativas para manter o volume de fabricação, atender aos pedidos e cumprir os prazos de entrega.
Dependendo das condições de cada negócio, a adaptação poderá exigir mudanças na organização das equipes, investimentos em produtividade ou aumento dos custos operacionais.
Competitividade e empregos
Outro ponto levantado pela associação é a concorrência com os produtos importados. Segundo a Abicalçados, a eventual elevação dos custos de produção precisa ser analisada em um ambiente econômico marcado pela pressão crescente das importações.
A preocupação é que o aumento das despesas, sem ganhos correspondentes de produtividade, possa pressionar os preços dos calçados brasileiros e dificultar a concorrência com produtos estrangeiros.
A entidade também aponta possíveis reflexos sobre investimentos, continuidade das atividades e manutenção dos empregos.
Na região
Para Franca e região, onde a indústria calçadista tem peso histórico na economia, a discussão ganha relevância diante da necessidade de preservar a competitividade das fábricas e a capacidade do setor de continuar gerando oportunidades de trabalho.
Os efeitos, entretanto, dependerão das regras que venham a ser estabelecidas, dos prazos de implementação e das condições de adaptação de cada empresa.
Entidade defende diálogo
A Abicalçados afirma que a valorização dos trabalhadores e a melhoria das condições de trabalho são objetivos importantes, mas defende que as mudanças sejam acompanhadas de condições adequadas de transição.
A associação considera necessário levar em conta as diferenças entre os setores econômicos e os portes das empresas, permitindo que os ajustes sejam realizados sem comprometer a sustentabilidade dos negócios e a preservação dos postos de trabalho.
O debate sobre a jornada de trabalho, portanto, envolve um desafio que vai além da organização dos horários. Para a indústria calçadista, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre qualidade de vida dos trabalhadores, produtividade, competitividade e geração de empregos.
Em Franca e nos municípios da região, onde o setor representa uma das bases da economia, as decisões sobre a jornada de trabalho poderão ter repercussões importantes para a atividade industrial e para milhares de famílias que dependem direta ou indiretamente da cadeia produtiva do calçado.




