Sem internet, com criptografia e mais de 40 auditorias. Entenda em 5 tópicos como funciona a segurança da urna eletrônica do TSE
À primeira vista, a urna eletrônica parece um equipamento simples: o eleitor digita os números dos candidatos, confirma o voto e, ao final do dia, os resultados são totalizados.
Por trás dessa operação rápida, porém, existe uma arquitetura tecnológica robusta formada por softwares de ponta, criptografia avançada, registros digitais e dezenas de etapas de auditoria.
Utilizado desde 1996 e sem nenhum registro comprovado de fraude na coleta ou apuração de votos, o sistema brasileiro foi desenhado para que a segurança não dependa de uma única barreira.
Entenda em cinco pontos como funciona a engenharia por trás da urna:
1. O software passa por testes rigorosos antes de ir para a urna
A segurança começa muito antes de o equipamento chegar à seção eleitoral. Os sistemas passam por inspeções abertas ao público, como o Teste Público de Segurança, onde especialistas tentam encontrar falhas, e a abertura do código-fonte para partidos e instituições.
Depois disso, os programas recebem assinaturas digitais e códigos de verificação (hashes), que funcionam como lacres matemáticos.
Como explica Júlio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, cada urna possui chaves criptográficas exclusivas para atestar que o sistema instalado é idêntico ao auditado oficialmente.
2. A urna funciona totalmente offline (sem internet)
Esqueça qualquer boato sobre invasões virtuais: a urna eletrônica não se conecta à internet. Ela não possui Wi-Fi ou Bluetooth e opera de maneira isolada.
Nenhum dado é transmitido enquanto os eleitores estão votando. Somente após o encerramento da votação é que os dados são gravados em uma mídia física de resultado e enviados aos computadores de totalização do TSE por uma rede dedicada e segura.
3. O voto gera registros auditáveis e públicos
A urna produz documentos e arquivos digitais fundamentais para a fiscalização:
RDV (Registro Digital do Voto): Registra cada voto de forma individual e anônima, preservando totalmente o sigilo do eleitor;
Boletim de Urna (BU): Impresso logo após o encerramento da votação em cada seção, o documento exibe o resumo dos votos daquela urna e é afixado no local, além de ser comparado com os dados oficiais divulgados na apuração.
4. Testes de integridade (inclusive com biometria)
No dia da votação, a Justiça Eleitoral realiza testes práticos para provar que a urna contabiliza exatamente o que o eleitor digita.
Cédulas de papel preenchidas em votações simuladas são digitadas em urnas de teste, e o resultado final da máquina precisa bater 100% com o gabarito manual.
Desde 2024, esses testes também contam com a participação de eleitores voluntários usando a identificação biométrica.
5. Mais de 40 camadas de auditoria e fiscalização
A proteção da urna é estruturada em mais de 40 procedimentos de controle que acompanham todo o ciclo eleitoral. Partidos políticos, Ministério Público, OAB e o Congresso Nacional participam ativamente da fiscalização.
E para garantir que nenhum imprevisto pare a eleição, os equipamentos contam com baterias internas de alta autonomia para resistir a quedas de energia.
Fonte: Galileu




