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Lavar não basta: o que ninguém te conta sobre o alimento que você compra 

O consumidor deve olhar a embalagem, conferir a validade, conhecer a origem, variar as escolhas e acompanhar os alertas oficiais.

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Lavar não basta: o que ninguém te conta sobre o alimento que você compra 

Todos os dias, milhões de brasileiros tomam, sem perceber, uma das decisões mais importantes para a própria saúde. Não acontece no consultório médico nem na academia.

Acontece no corredor do supermercado, em frente a uma prateleira, com um produto na mão e poucos segundos para decidir. É ali, no gesto banal de colocar um item no carrinho que se define boa parte do que vai parar no prato da família.

O problema é que esse gesto ficou complexo. As gôndolas oferecem mais opções do que nunca, os rótulos competem por atenção com promessas cada vez mais sofisticadas, e as decisões precisam ser rápidas.

Enquanto isso, os alertas se acumulam: monitoramentos apontam resíduos de agrotóxicos acima do esperado em alimentos in natura, órgãos sanitários suspendem lotes de produtos processados por contaminação, e investigações revelam fraudes em itens tão comuns quanto o azeite e o café da manhã.

Efeito profundo

Diante desse cenário, a especialista em segurança dos alimentos Paula Eloize defende uma mudança de mentalidade que pode parecer pequena, mas tem efeito profundo.

“Nós aprendemos a cuidar da comida depois que ela chega em casa. Lavamos, cozinhamos, guardamos na temperatura certa. Tudo isso importa, mas é a segunda metade do jogo”, afirma.

“A primeira metade, a que quase ninguém disputa com atenção, acontece no supermercado. O consumidor que entende isso para de ser passageiro e assume o volante da própria alimentação.”

Hortifrúti: o mito da lavagem milagrosa

Frutas, legumes e verduras são, ao mesmo tempo, os alimentos mais recomendados por médicos e os que mais concentram resíduos de agrotóxicos.

Itens como tomate, pimentão, alface, beterraba, goiaba, alho e abacaxi aparecem com frequência no topo das listas de atenção dos monitoramentos nacionais. E é justamente sobre eles que circula um dos equívocos mais comuns da cozinha brasileira.

“Existe uma crença quase universal de que lavar bem resolve o problema do agrotóxico. Isso é meia verdade, e meia verdade na segurança dos alimentos pode ser perigosa”, explica Paula Eloize.

“Muitos desses resíduos são sistêmicos. Isso significa que a planta absorve a substância e ela passa a circular dentro do alimento, na polpa, não apenas na superfície. Você pode esfregar o tomate por dez minutos que parte do resíduo continua lá dentro.”

Movimentos simples

A especialista é categórica em afastar o pânico, e aqui está um ponto que ela faz questão de reforçar. “O risco de cortar frutas e verduras da alimentação é incomparavelmente maior do que o risco dos resíduos. Ninguém deveria deixar de comer hortifrúti por medo. A resposta não é parar de consumir, é consumir com inteligência.”

E o que seria consumir com inteligência, na prática? “Três movimentos simples”, lista ela.

Primeiro, diversificar. Quando você varia entre diferentes frutas, legumes e fornecedores, dilui a exposição em vez de concentrar sempre nos mesmos itens.

Segundo, valorizar a procedência. Produtor que comprova origem, feira que você conhece, marca que oferece rastreabilidade, tudo isso pesa.

Terceiro, higienizar corretamente em água corrente. Esse passo reduz a parte superficial e a contaminação por manuseio, mas não é uma varinha mágica. A escolha na hora da compra é mais decisiva do que a lavagem na pia.”

Produtos processados: o que a embalagem está tentando te dizer

Indicadores Agro
Boi gordo arroba · Franca
R$ 358,00 3,5% 02/10/2026
Café arábica saca 60kg · Franca
R$ 1.680,00 6,3% 05/10/2026
Laranja pêra cx 40,8kg · Franca
R$ 27,83 0,6% 05/10/2026
Milho saca 60kg · Franca
R$ 61,93 3,2% 05/10/2026
Soja saca 60kg · Franca
R$ 138,00 6,2% 29/09/2026
Algodão pluma 15kg · São Paulo/SP
R$ 144,00 1,4% 22/09/2026
Atualizado 05/10 06h00 · Agrolink · Franca/SP (dia)

Conservas, enlatados, polpas de fruta, laticínios e fórmulas infantis trouxeram praticidade para a rotina, mas exigem um olhar treinado.

Alertas recentes de órgãos sanitários já resultaram na suspensão de lotes por presença de materiais estranhos e por risco de contaminação microbiana, incluindo bactérias capazes de causar quadros graves.

Para Paula Eloize, o consumidor tem mais ferramentas de defesa do que imagina, e quase todas estão na própria embalagem.

“Antes de colocar uma conserva ou um enlatado no carrinho, o consumidor deveria fazer três perguntas em segundos. A embalagem está íntegra? A validade está adequada? O produto parece normal? Lata estufada, amassada justamente na emenda ou com sinal de vazamento não é pechincha, é risco. Pote de vidro cuja tampa não faz aquele estalo de vácuo ao abrir merece desconfiança.”

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Perigo que não se vê

Ela chama atenção para o perigo do que não se vê. “O mais traiçoeiro na contaminação microbiana é que ela nem sempre muda o cheiro, a cor ou o sabor do alimento. A pessoa abre, parece tudo normal, e consome. Por isso os sinais da embalagem importam tanto, porque às vezes são a única pista disponível antes do problema.”

Há ainda um hábito que, segundo a especialista, separa o consumidor comum do consumidor consciente.

“Acompanhar os comunicados da Anvisa deixou de ser coisa de técnico. Quando um lote é suspenso, a informação é pública e gratuita. Quem cria o hábito de ficar atento ganha tempo precioso, seja para devolver um produto que já comprou, seja para evitar a compra. Informação, nesse caso, é literalmente proteção.”

Fraudes: quando o rótulo promete o que o produto não cumpre

Alguns alimentos atraem fraudes justamente por serem valiosos ou muito consumidos. Azeite de oliva e café estão entre os campeões de adulteração no país, em práticas que vão da mistura com óleos e ingredientes inferiores ao uso de aditivos não declarados.

Para o consumidor, flagrar uma fraude no supermercado parece tarefa de detetive, mas Paula Eloize garante que existem sinais acessíveis.

“O primeiro alerta quase sempre é o preço. Quando algo é bom demais para ser verdade, geralmente não é verdade”, resume.

“Um azeite extra virgem de qualidade tem custo de produção que simplesmente não cabe em determinadas promoções. Isso não significa que caro é sinônimo de bom, mas barato demais é, com frequência, sinal de que algo foi cortado no caminho.”

Loterias
Mega-Sena Concurso 3066 03/10/2026 Acumulou Último resultado
04 06 09 13 28 48

Prêmio estimado: R$ 92.000.000,00 Próximo: 06/10/2026

Quina Concurso 7134 03/10/2026 Acumulou Último resultado
14 15 43 54 72

Prêmio estimado: R$ 24.000.000,00 Próximo: 05/10/2026

Lotofácil Concurso 3796 03/10/2026 Último resultado
03 04 05 06 07 09 10 11 12 15 16 19 20 21 24

Prêmio estimado: R$ 2.000.000,00 Próximo: 05/10/2026

Atualizado 04/10/2026 23h46

Rótulo

A leitura do rótulo, para ela, é uma habilidade que todo consumidor deveria desenvolver. “O rótulo é o documento de identidade do alimento.

Aprender a lê-lo com calma transforma a compra. Desconfie de informações vagas, valorize marcas que detalham origem e composição, observe a embalagem com atenção. Transparência virou um diferencial, e o consumidor que recompensa quem é transparente está, na prática, educando o próprio mercado.”

O elo mais forte da cadeia é quem empurra o carrinho

Por trás de cada alimento existe uma cadeia longa: produtores, transportadoras, indústrias, distribuidores, fiscais, laboratórios.

Notas de falecimento
  • FRANSERGIO MARTINS SILVA Falecimento 04/10/2026

Ver todas →

Mas Paula Eloize insiste que o consumidor não é o fim passivo desse processo, e sim uma de suas peças mais poderosas.

“A gente costuma achar que segurança dos alimentos é responsabilidade só de quem produz e de quem fiscaliza. É verdade que eles carregam a maior parte do peso. Mas o consumidor fecha o ciclo. Quando ele escolhe melhor, lê rótulo, cobra procedência e devolve um produto irregular, ele manda um sinal que sobe toda a cadeia. Mercado nenhum ignora cliente atento por muito tempo.”

E é nesse ponto que a especialista deixa a mensagem que considera mais importante. 

“Eu não quero que ninguém saia do supermercado com medo da própria comida. Medo paralisa e não protege. O que protege é consciência. Olhar a embalagem, conferir a validade, conhecer a origem, variar as escolhas e acompanhar os alertas oficiais. São cinco atitudes simples, que cabem na rotina mais corrida, e que juntas transformam uma pessoa comum no protagonista da própria saúde e da saúde de quem ela ama.”

Ela encerra com uma imagem que resume sua defesa. “A próxima vez que você empurrar um carrinho pelo supermercado, lembre que não está apenas fazendo compras. Está montando, item por item, a alimentação da sua família pela semana inteira. Poucas decisões do dia merecem tanta atenção, e poucas estão tão ao seu alcance.”

Autor

Joao Batista Freitas

Redação · Jornal da Franca

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