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O drama do armário duplo: a violência invisível entre casais do mesmo sexo

Pesquisas sugerem que entre 25% e 75% de lésbicas, gays e transexuais já foram vítimas de violência doméstica

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O drama do armário duplo: a violência invisível entre casais do mesmo sexo

​Erica é argentina e tinha 21 anos quando começou sua primeira relação com outra mulher, que era sete anos mais velha que ela. Pouco a pouco, ela se viu presa num círculo de isolamento e de controle asfixiante.

“Agora, quando olho para trás, é difícil entender, mas me lembro de estar convencida de que não ia poder sair disso nunca mais”, relata. “Me ligava constantemente, também quando estava no escritório. Se eu dizia que não podia falar, me ligava no telefone do trabalho”, conta.

Depois veio a violência física. A parceira batia na cabeça de Erica, deixava marcas no braço e, um dia, quebrou o nariz da namorada com um soco.

“No dia seguinte, disse a minha mãe que eu tinha caído”, conta Erica, hoje com 34 anos.

A história de Erica é parecida com a de muitas outras mulheres vítimas de violência doméstica, mas se difere no fato de que não é um homem o responsável pelas agressões, mas uma mulher.

E não é um caso isolado. Coletivos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) afirmam que a violência entre casais do mesmo sexo é mais comum do que se imagina.

Eles denunciam que, apesar de acontecer com frequência, pouca atenção é dada a esse tipo de violência.

“É uma violência invisível e um tabu”, assegura Paco Ramírez, presidente da confederação LGBT Colegas, baseada na Espanha.

Níveis semelhantes

Ainda que agressões, humilhações repetidas, ameaças ou controle doentio não sejam fenômenos exclusivos das relações heterossexuais, a violência entre pessoas do mesmo sexo é bem menos estudada.

Além disso, em muitos países a união homoafetiva não é reconhecida legalmente.

Na América Latina, muito recentemente, Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia e alguns Estados do México aprovaram casamento entre pessoas do mesmo sexo, enquanto o Equador e o Chile reconhecem as uniões estáveis.

No caso do Brasil, especificamente, o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2011 por unanimidade o reconhecimento legal da união homoafetiva. 

Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça aprovou resolução que impede os cartórios brasileiros de se recusarem a converter uniões estáveis homoafetivas em casamento civil.

Embora não haja estudos globais, os levantamentos existentes, principalmente centrados em países anglo-saxônicos, indicam que o problema existe e poderia ocorrer em níveis semelhantes aos de casais heterossexuais.

Essa é a conclusão de um estudo divulgado em 2014 pela Escola Feinberg de Medicina da Northwester University, de Chicago, que revisou pesquisas anteriores que sugeriam que entre 25% e 75% de lésbicas, gays e transexuais já foram vítimas de violência doméstica, para concluir que “a falta de dados representativos e a subnotificação de casos de abuso pintam um quadro incompleto do panorama real, sugerindo taxas ainda mais altas (de abuso)”.

“A violência doméstica é exacerbada porque casais do mesmo sexo têm de lidar com o estresse adicional de pertencerem a uma minoria sexual. Isso leva a uma relutância em abordar questões ligadas a violência doméstica”, diz o psicólogo Richard Carroll, um dos autores do estudo.

Em outra pesquisa, do Centro de Prevenção e Controle de Enfermidades de Estados Unidos, que ouviu mais de 16 mil pessoas, o índice de mulheres lésbicas e homens gays que afirmaram ter sido vítimas de violência íntima (física, sexual ou psicológica) por parte dos companheiros ou ex-companheiros foi similar e, em alguns casos, superior ao de heterossexuais.

Horóscopo

Lua crescente em Peixes · Sol em Libra

Áries 21/3 a 19/4

A sensibilidade da Lua convida a desacelerar o ritmo nas tarefas cotidianas. No trabalho, busque colaborar com empatia em vez de impor suas vontades. O diálogo afetuoso trará harmonia aos seus relacionamentos nesta quinta-feira.

Touro 20/4 a 20/5

Aproveite a gentileza no ar para estreitar laços com amigos e colegas de equipe. Suas metas práticas ganham leveza se você confiar mais na sua intuição. Reserve um momento tranquilo para organizar suas prioridades com calma.

Gêmeos 21/5 a 20/6

Sua criatividade ganha um impulso especial nas atividades profissionais hoje. Ouça com atenção o que os outros têm a dizer antes de tomar qualquer decisão importante. O equilíbrio entre razão e sensibilidade guiará suas conversas.

Câncer 21/6 a 22/7

O dia favorece o acolhimento e a partilha de bons sentimentos com quem convive ao seu lado. Nos projetos de trabalho, confie no seu aprendizado e siga com serenidade. Mantenha o coração aberto para novas perspectivas na rotina.

Leão 23/7 a 22/8

A cooperação mútua será o melhor caminho para resolver pendências no trabalho. Mostre flexibilidade diante das pequenas mudanças que surgirem na sua rotina. Um gesto generoso fortalecerá a união com uma pessoa querida.

Virgem 23/8 a 22/9

As parcerias ganham um tom compreensivo, facilitando acordos tanto no serviço quanto na vida a dois. Procure não cobrar tanta perfeição de si mesmo nas tarefas habituais. Permita que a intuição suavize suas exigências diárias.

Libra 23/9 a 22/10

Com o Sol iluminando suas ideias, seu senso de diplomacia se destaca em qualquer ambiente. Organize o dia com delicadeza, dando espaço para pausas restauradoras entre os afazeres. A harmonia nos pequenos detalhes fará toda a diferença.

Escorpião 23/10 a 21/11

A imaginação fértil favorece soluções inventivas para os desafios do ambiente profissional. No campo afetivo, expresse o que sente com sinceridade e doçura. Um olhar mais sensível tornará o convívio diário muito mais leve.

Sagitário 22/11 a 21/12

O aconchego do lar e o apoio das relações próximas trazem a segurança necessária para agir. No trabalho, realize uma etapa de cada vez sem atropelar o tempo das coisas. A tranquilidade interior será sua melhor companheira hoje.

Capricórnio 22/12 a 19/1

A comunicação ganha clareza se você expressar suas opiniões com tato e serenidade. Alinhe suas obrigações cotidianas com mais flexibilidade para evitar desgastes desnecessários. Valorize a troca sincera com quem trabalha com você.

Aquário 20/1 a 18/2

Concentre-se em valorizar o que realmente importa nas suas escolhas práticas e profissionais. O momento pede calma para administrar o tempo sem cobranças excessivas. Cultive a paciência nas conversas com pessoas queridas.

Peixes 19/2 a 20/3

A Lua em seu signo amplia sua sensibilidade e inspira atitudes gentis em todos os espaços. Canalize essa energia para harmonizar as relações de trabalho e espalhar compreensão. Confie no seu sexto sentido para conduzir o seu dia.

Mesmo que nenhum estudo tenha identificado se a violência doméstica é maior em casos de casais homossexuais que nos demais – os dados normalmente não indicam o sexo do agressor e podem estar relacionados a momentos anteriores aos que pessoas passaram a se identificar como homossexuais -, os achados refletem o que muitos na comunidade LGBT já viam como um fato: as mulheres heterossexuais não são as únicas vítimas de violência entre casais, não é certo que os homens nunca sejam vítimas e tampouco que as mulheres não possam ser a parte agressora.

Crenças falsas

Carlos García, trabalhador social especializado em violência doméstica, conversou com 27 homens e mulheres na Espanha que viveram situações de violência doméstica. 

Observou que os homens dificilmente se identificavam como vítimas. “Me diziam: É que não podia me ver como uma dessas mulheres maltratadas que aparecem na televisão. Tinha que ser outra coisa”, disse García.

“Socialmente, acredita-se que se a violência acontece entre pessoas do mesmo sexo, então tem que ser nos dois sentidos, pois não haveria dominação nem submissão”, afirma García, que compartilhou seus achados no livro La huella de la violencia en parejas del mismo sexo (“A Marca da Violência entre Casais do Mesmo Sexo”, em tradução livre).

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Atualizado 22/10 18h00 · Agrolink · Franca/SP (dia)

Por isso, se é difícil para uma mulher hétero denunciar abusos do próprio companheiro, no caso dos homossexuais pode ser ainda pior.

É o que está sendo chamado de “armário duplo”: além de ter a dificuldade de admitir ser vítima de violência da(o) própria(o) companheira(o), ainda tem de se identificar como LGBT a uma autoridade em que – muitas vezes – não confia.

Além disso, há numerosos casos em que os agressores ameaçam divulgar a orientação sexual da vítima no círculo familiar ou de amizades, e usam isso como mecanismo de controle.

Quando a pessoa decide denunciar, nem sempre encontra instituições ou autoridades prontas para protegê-la.

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“Me disseram que riram de algumas mulheres que foram à polícia contar que o agressor é outra mulher”, disse Karen Vasquez, psicóloga e coordenadora de promoção de saúde sexual da Associação de Psicologia de Porto Rico.

Algo semelhante aconteceu com um dos homens entrevistados por García. Quando ele foi à polícia denunciar as surras que recebia do namorado, não o viram como vítima, mas como alguém que tinha se envolvido numa briga.

“Se é uma pessoa trans imigrante e vítima de violência, por que vai chamar a polícia? Obviamente não se sentem seguros”, assegura Genevive Rodríguez, organizadora de La Línea, uma entidade de Boston, dos EUA, que luta contra abusos de casais em comunidades LGBT e de minorias.

O maior temor é a discriminação ou baixa confiança na atuação da polícia. Na Venezuela, os tribunais também foram identificados como importantes obstáculos para denunciar este tipo de agressão, de acordo com um estudo publicado em 2003 por Reynaldo Hidalgo, professor de criminologia da Universidade de Los Andes.

Invisíveis

Tudo isso contribui para que ganhem visibilidade apenas os casos mais extremos. Como um caso recente que foi parar nos jornais espanhóis, de uma mulher de 53 anos acusada de matar sua parceira a facadas após uma discussão no meio da noite.

Na Argentina, um espaço para mulheres lésbicas e bissexuais chamado La Fulana começou a reunir notícias sobre casos de violências entre mulheres e percebeu que estes eram relatados como briga entre mulheres, entre “amigas”, e que não aparecia a palavra “lésbica”, segundo explicou Paz Dellacasa, coordenadora geral do centro.

Segundo Dellacasa, quando uma lésbica se arriscava a fazer uma denúncia nas autoridades, o caso era registrado como uma “briga” ou “desentendimento”, e não em como violência de gênero.

“O que queremos é que nos reconheçam. O que não tem nome, não existe. E o que não existe, não tem direito”, salienta Dellacasa.

Loterias
Mega-Sena Concurso 3072 20/10/2026 Acumulou Último resultado
02 06 09 16 31 40

Prêmio estimado: R$ 200.000.000,00 Próximo: 22/10/2026

Quina Concurso 7148 21/10/2026 Acumulou Último resultado
13 16 55 72 74

Prêmio estimado: R$ 57.000.000,00 Próximo: 22/10/2026

Lotofácil Concurso 3810 21/10/2026 Acumulou Último resultado
01 05 06 07 10 11 14 15 16 17 18 19 20 23 24

Prêmio estimado: R$ 14.000.000,00 Próximo: 22/10/2026

Atualizado 22/10/2026 09h33

No Chile, o Movimento de Libertação e Integração Homossexual (Movilh), abriu seu próprio centro para atender vítimas que chegavam à procura de proteção por não ter aonde ir.

Agora, a entidade está se reunindo com representantes do Ministério da Mulher e de Igualdade de Gênero para ajudar a desenvolver políticas públicas que incorporem as lésbicas.

“Há uma vontade de ir aprimorando as leis, mas, sem dúvidas, há também uma resistência cultura”, assegura Rolando Jiménez, porta-voz do Movilh.

Jiménez disse que, apesar de tudo, no Chile, o deficit mais grave está no caso dos homens, “porque o ministério não tem competência para atendê-los”.

Notas de falecimento
  • VALDIR RODRIGUES DA SILVA Falecimento 21/10/2026
  • MARIA APARECIDA Falecimento 21/10/2026
  • ANTONIO SERGIO VITAL Falecimento 21/10/2026

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“Hoje em dia, não há possibilidade de um homem agredido pelo parceiro e com sua vida perigo, procurar um centro de proteção e ser acolhido nesse espaço”, diz Jiménez.

Vazio legal e resistência

Muitos países têm leis específicas para violência de gênero – mas nem sempre a legislação engloba os homossexuais.

É o que acontece na Espanha, onde a lei de violência de gênero protege apenas as mulheres que são agredidas por homens.

“Muitas feministas não querem que a lei seja ampliada para não diluir o objetivo. Por isso, optamos para pedir proteção e direitos por meio das leis específicas LGBT que estão sendo aprovadas em diferentes comunidades autônomas [regionais]”, afirma Paco Ramírez, da confederação espanhola LGBT Colegas.

No entanto, em uma audiência no Parlamento espanhol em 2009, o centro Aldarte de atenção a gays, lésbicas e trans pediu que a lei contra violência contra mulheres fosse alterada para incluir esses grupos.

Especialistas como García veem a violência contra gays, lésbicas e trans cometida por pessoas da mesma orientação sexual como violência de gênero e pedem que as autoridades a reconheçam como tal.

“A sociedade tem que entender que a violência de gênero não é somente a do homem contra a mulher, mas de tudo que se considera ‘masculino’ contra o que é ‘feminino'”, avalia García. Para ele, ‘masculino’ nesse caso são atributos como salário maior, mais força física ou prestígio social.

Sob a ótima de García, os padrões de gênero, então, podem funcionar independentemente do sexo da pessoa.

Mas a realidade é sempre mais complexa.

Erica, a argentina que apanhou da primeira namorada, era, fisicamente, mais forte que sua agressora e praticava boxe, mas nunca se defendeu dos ataques com força.

“Quando ela ficava violenta, me dava taquicardia. Tentava acalmá-la e dizia o que ela queria… Se a segurasse pelas mãos e a continha, ela ficava ainda mais violenta”, relata.

Apesar do medo das reações da companheira, tinha outra razão para se submeter à violência disse Erica: “No início, não podia acreditar que precisava me defender de uma pessoa que amava”.

Autor

Cesar Colleti

Redação · Jornal da Franca

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