Uso de produto de limpeza sem registro coloca em risco a saúde e segurança caseiras

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 20 de agosto de 2026 às 17:00
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Após proibição da Anvisa a produtos sem registros com soluções à base de percarbonato, ABRALIMP destaca o papel do insumo na limpeza

A recente determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a comercialização, fabricação e uso de 12 produtos de limpeza vendidos sem regularização sanitária trouxe novamente ao centro do debate a segurança no uso de insumos químicos.

Entre os itens recolhidos pela agência estão alvejantes, tira-manchas e formulações ilegítimas à base de percarbonato de sódio.

A ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) alerta sobre os perigos do uso de saneantes informais e reforça o papel inegociável da regularização sanitária na proteção à saúde.

“A ação da Anvisa é fundamental para proteger a sociedade. É preciso esclarecer que compostos como o percarbonato de sódio são excelentes aliados da limpeza profissional e possuem alta eficácia na remoção de manchas e desinfecção quando formulados dentro dos padrões técnicos”, explica Fábio Stort, Diretor da Câmara Setorial de Químicos da ABRALIMP.

Milagres na limpeza

O produto virou febre nas redes sociais com vídeos curtos que prometem “milagres” nas limpezas diária, como tirar manchas difíceis, mas o componente é um químico forte usado em lavanderias comerciais, hotelaria, hospitais e outros serviços de limpeza que dependem de processos de higienização estruturados.

“Sem laudos de eficácia microbiana e sem rotulagem de risco adequada, esses produtos deixam de ser uma solução de higienização e passam a representar um risco real de acidentes químicos e intoxicações”, afirma Fábio.

O que é o percarbonato de sódio?

É um agente alvejante à base de oxigênio, utilizado principalmente para clarear e desencardir tecidos, remover manchas de alimentos, suor, bebidas e atuar na higienização de superfícies.

Quimicamente, trata-se de uma combinação de carbonato de sódio com peróxido de hidrogênio, em contato com água, o produto se decompõe liberando oxigênio ativo, responsável pela ação alvejante e oxidativa.

Em recente caso de um churrasco em família em São José do Vale do Rio Preto (RJ) ganhou as manchetes nacionais nos últimos dias por um motivo inusitado e perigoso: o responsável pela grelha confundiu sal grosso com percarbonato de sódio, o que resultou na ida de 11 pessoas ao hospital.

O acidente levanta um alerta sobre os produtos “em pó branco”, que muitas vezes são confundidos com (sal, açúcar, bicarbonato, sanitizantes, alvejantes).

Além disso, a cultura de reutilizar potes de alimentos para guardar produtos químicos é frequente em residências e, infelizmente, ainda aparece em alguns ambientes profissionais.

Boas práticas de uso

Para evitar que a eficiência da limpeza se transforme em uma emergência médica, a ABRALIMP reforça três regras de ouro inegociáveis:

Nunca reaproveite embalagens: produtos químicos jamais devem ocupar potes de sorvete, margarina, garrafas de refrigerante ou outras que possam causar confusão.

Identificação ostensiva: se adquirido a granel, o recipiente deve receber uma etiqueta grande, legível e inconfundível (ex: “PERIGO – PRODUTO DE LIMPEZA”).

Isolamento total: mantenha produtos de higiene e limpeza em armários altos ou trancados, em cômodos absolutamente separados da despensa de alimentos e fora do alcance de pessoas não autorizadas.

A conscientização sobre o uso correto de saneantes é uma medida de preservação da vida. A regra de ouro da limpeza profissional é simples: nunca utilize misturas caseiras e produtos que não possuem validação da ANVISA.


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