Após proibição da Anvisa a produtos sem registros com soluções à base de percarbonato, ABRALIMP destaca o papel do insumo na limpeza
A recente determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a comercialização, fabricação e uso de 12 produtos de limpeza vendidos sem regularização sanitária trouxe novamente ao centro do debate a segurança no uso de insumos químicos.
Entre os itens recolhidos pela agência estão alvejantes, tira-manchas e formulações ilegítimas à base de percarbonato de sódio.
A ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) alerta sobre os perigos do uso de saneantes informais e reforça o papel inegociável da regularização sanitária na proteção à saúde.
“A ação da Anvisa é fundamental para proteger a sociedade. É preciso esclarecer que compostos como o percarbonato de sódio são excelentes aliados da limpeza profissional e possuem alta eficácia na remoção de manchas e desinfecção quando formulados dentro dos padrões técnicos”, explica Fábio Stort, Diretor da Câmara Setorial de Químicos da ABRALIMP.
Milagres na limpeza
O produto virou febre nas redes sociais com vídeos curtos que prometem “milagres” nas limpezas diária, como tirar manchas difíceis, mas o componente é um químico forte usado em lavanderias comerciais, hotelaria, hospitais e outros serviços de limpeza que dependem de processos de higienização estruturados.
“Sem laudos de eficácia microbiana e sem rotulagem de risco adequada, esses produtos deixam de ser uma solução de higienização e passam a representar um risco real de acidentes químicos e intoxicações”, afirma Fábio.
O que é o percarbonato de sódio?
É um agente alvejante à base de oxigênio, utilizado principalmente para clarear e desencardir tecidos, remover manchas de alimentos, suor, bebidas e atuar na higienização de superfícies.
Quimicamente, trata-se de uma combinação de carbonato de sódio com peróxido de hidrogênio, em contato com água, o produto se decompõe liberando oxigênio ativo, responsável pela ação alvejante e oxidativa.
O acidente levanta um alerta sobre os produtos “em pó branco”, que muitas vezes são confundidos com (sal, açúcar, bicarbonato, sanitizantes, alvejantes).
Além disso, a cultura de reutilizar potes de alimentos para guardar produtos químicos é frequente em residências e, infelizmente, ainda aparece em alguns ambientes profissionais.
Boas práticas de uso
Para evitar que a eficiência da limpeza se transforme em uma emergência médica, a ABRALIMP reforça três regras de ouro inegociáveis:
Nunca reaproveite embalagens: produtos químicos jamais devem ocupar potes de sorvete, margarina, garrafas de refrigerante ou outras que possam causar confusão.
Identificação ostensiva: se adquirido a granel, o recipiente deve receber uma etiqueta grande, legível e inconfundível (ex: “PERIGO – PRODUTO DE LIMPEZA”).
Isolamento total: mantenha produtos de higiene e limpeza em armários altos ou trancados, em cômodos absolutamente separados da despensa de alimentos e fora do alcance de pessoas não autorizadas.
A conscientização sobre o uso correto de saneantes é uma medida de preservação da vida. A regra de ouro da limpeza profissional é simples: nunca utilize misturas caseiras e produtos que não possuem validação da ANVISA.