Trabalhar por horas no computador pode contribuir para dores nos ombros. Veja dicas de ergonomia, pausas e sinais de alerta
Quem passa várias horas diante do computador pode terminar o expediente com dores nos ombros, no pescoço e nas costas. Embora o desconforto possa parecer consequência natural de um dia cansativo, a repetição de posturas inadequadas e a permanência prolongada na mesma posição podem sobrecarregar a musculatura.
O ortopedista Kaleu Nery, especialista em ombro e cotovelo, explica que manter os músculos responsáveis pela sustentação do pescoço e pela estabilização das escápulas contraídos por muito tempo pode favorecer a fadiga e o aparecimento de dores.
O risco não depende apenas da quantidade de horas trabalhadas. A postura, a intensidade das atividades e a falta de intervalos para movimentar o corpo também influenciam o desconforto.
Uma revisão de estudos publicada em 2026 encontrou associação entre o uso prolongado do computador e queixas musculoesqueléticas nos braços, no pescoço e nos ombros.
Postura e posição dos equipamentos fazem diferença
Inclinar a cabeça para a frente, manter os ombros elevados ou trabalhar com os braços muito afastados do tronco são hábitos que podem aumentar a sobrecarga muscular.
A altura do monitor, a distância do teclado e do mouse e a possibilidade de apoiar os antebraços também interferem na posição adotada durante o expediente.
Para tornar o ambiente mais confortável, a recomendação é manter o monitor aproximadamente na altura dos olhos e deixar o teclado e o mouse próximos ao corpo. Os ombros devem ficar relaxados, com os cotovelos próximos ao tronco e os antebraços apoiados sempre que possível.
Não existe uma postura perfeita que deva ser mantida rigidamente durante todo o dia. Alternar posições e movimentar-se regularmente também é importante.
Pausas ajudam a reduzir a sobrecarga
Fazer pequenas pausas ao longo do expediente permite interromper períodos prolongados de contração muscular.
Levantar-se, caminhar um pouco e movimentar suavemente os ombros e o pescoço são alternativas simples para variar a posição do corpo.
Uma estratégia é programar lembretes para evitar passar horas seguidas sentado. O intervalo deve ser compatível com as tarefas e com a rotina de trabalho, sem substituir a necessidade de ajustar o ambiente.
A prática regular de atividade física também contribui para a saúde musculoesquelética. Exercícios de fortalecimento e mobilidade podem ajudar, mas devem ser escolhidos de acordo com as condições de cada pessoa, especialmente quando já existe dor.
Quando a dor no ombro merece atenção?
Um desconforto passageiro pode melhorar com a mudança de posição e a movimentação. No entanto, é importante procurar avaliação profissional quando a dor persiste após o expediente, piora progressivamente ou começa a atrapalhar atividades cotidianas.
Dificuldade para levantar o braço, perda de força e dor que interrompe o sono também são sinais que merecem investigação.
Esses sintomas não indicam necessariamente uma lesão grave. A origem pode estar nos tendões do manguito rotador, em processos inflamatórios, em alterações na região cervical ou em outras condições que exigem avaliação individualizada.
A principal recomendação para quem trabalha diante de uma tela é combinar um espaço de trabalho bem organizado com pausas e movimentação ao longo do dia.
Se a dor persistir ou limitar os movimentos, o ideal é não tentar resolver o problema apenas com mudanças na postura: uma avaliação profissional ajuda a identificar a causa e orientar o tratamento adequado.
Fonte: CNN




