Suspeita de caso do zika vírus é investigada pela USP de Ribeirão Preto

  • mmargoliner
  • Publicado em 8 de dezembro de 2015 às 16:15
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Notificação foi recebida pelo virologista Benedito da Fonseca, da Faculdade de Medicina da USP

Transmitida pelo mesmo mosquito da dengue e da febre chikungunya, a doença está associada à elevação da incidência de microcefalia de recém-nascidos (Foto Arquivo)

A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto (SP) confirmou na manhã desta terça-feira (8) que investiga uma suspeita de zika vírus na cidade. Uma notificação foi recebida pelo virologista Benedito Antonio Lopes da Fonseca, da Faculdade de Medicina da USP, que analisa os casos.

Transmitida pelo mesmo mosquito da dengue e da febre chikungunya, a doença está associada à elevação da incidência de microcefalia de recém-nascidos no Nordeste e com a síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica que paralisa parte do corpo.

A Secretaria da Saúde confirmou que investiga casos suspeitos de zika vírus, mas informou que não há nenhuma confirmação. Ainda de acordo com o departamento, buscas estão sendo feitas para ver se há a circulação do vírus em Ribeirão.

Paciente

Segundo o virologista da USP, o caso suspeito é de uma mulher de 33 anos, que não está grávida, atendida com febre, vermelhidão no corpo e conjuntivite na Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) Central, em Ribeirão.

O médico infectologista aguarda a chegada do material da paciente para fazer os testes e afirma que o resultado dos exames deve sair até sexta-feira (11).

Casos suspeitos

O virologista, que é professor de infectologia da USP, e tem um laboratório voltado para detecção de vírus como dengue e chikungunya, estima já ter avaliado em torno de 20 casos suspeitos de zika vírus na cidade este ano, mas que nenhum deles foi confirmado.

A situação da paciente mais recente, no entanto, ainda depende de uma avaliação. “É uma suspeita de zika em uma mulher que não está grávida, mas pode ser dengue”, diz Fonseca.

Microcefalia

Além desta suspeita de zika vírus, segundo Fonseca, há dois casos de microcefalia a serem analisados, mas que dependem da análise de anticorpos e que ainda não são relacionados ao vírus.

“Quando chega a uma situação em que o bebê nasce com microcefalia, essa infecção ocorreu há seis meses até quase nove meses atrás. Então a gente não tem o vírus ali presente. A gente tem que fazer uma investigação através da procura de anticorpos específicos contra o vírus no sangue da mãe e do bebê”, afirma.

Uma eventual confirmação da doença no município despertaria um alerta de risco à saúde pública. A única prevenção, segundo ele, é evitar a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da doença.

“Saberíamos que zika está circulando em Ribeirão, a transmissão poderia ocorrer de uma pessoa pra outra através da picada do mosquito e teríamos uma epidemia. Aí sim teríamos que ficar preocupados e fazer um trabalho com as pacientes que ficarem grávidas”, afirma.