Quando se fala em saúde masculina, a próstata costuma ocupar o centro das discussões. Entretanto, alterações no desejo sexual, dificuldades de ereção, mudanças na ejaculação e até problemas relacionados ao sono e à micção podem revelar questões que vão além do funcionamento dos órgãos.
No Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de considerar também o bem-estar emocional durante a avaliação urológica.
A relação entre saúde emocional e sexualidade masculina é reconhecida pela literatura médica. Ansiedade, depressão e estresse podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da disfunção erétil.
Ao mesmo tempo, condições físicas, como diabetes, alterações hormonais e doenças cardiovasculares, também podem comprometer a função sexual, tornando necessária uma investigação individualizada.
Palavra de especialista
Para o urologista Dr. Alberto Tomé, que atende em Umuarama e Cianorte, no Noroeste do Paraná, olhar para a saúde do homem exige considerar diferentes aspectos de sua rotina, inclusive aqueles que nem sempre são relatados espontaneamente durante uma consulta.
Uma das questões que merecem atenção é o impacto emocional das alterações sexuais. Uma dificuldade de ereção, por exemplo, pode provocar insegurança, comprometer a autoestima e gerar ansiedade em relação às próximas experiências íntimas.
Essa preocupação, por sua vez, pode contribuir para a manutenção do problema, criando um ciclo que afeta também os relacionamentos e a qualidade de vida.
A saúde da próstata é outro componente importante dessa discussão. Condições como a hiperplasia prostática benigna podem provocar aumento da frequência urinária, dificuldade para iniciar a micção e necessidade de levantar várias vezes durante a noite para urinar.
Avaliação urológica
Além do desconforto físico, a persistência desses sintomas pode prejudicar o descanso, interferir nas atividades cotidianas e comprometer o bem-estar do paciente.
A literatura médica também reconhece a associação entre sintomas do trato urinário inferior e disfunção erétil, embora isso não signifique que uma condição seja necessariamente a causa da outra.
Por isso, a avaliação urológica não deve ficar restrita à investigação de doenças da próstata. Mudanças persistentes na libido, na ereção, na ejaculação ou no padrão urinário precisam ser relatadas ao médico, mesmo quando o paciente acredita que estejam relacionadas apenas ao cansaço ou ao estresse.
Romper o silêncio
A investigação pode envolver avaliação clínica, histórico de saúde, exames laboratoriais e, quando necessário, acompanhamento multidisciplinar, incluindo suporte psicológico.
Neste Setembro Amarelo, a reflexão também passa pela importância de romper o silêncio masculino em relação à própria saúde.
Reconhecer mudanças no corpo, conversar sobre dificuldades sexuais e buscar orientação profissional são atitudes que contribuem para o cuidado integral, independentemente da idade.




