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Pai com leucemia esperou filho fazer 18 anos para receber medula óssea: ‘Gratidão’!

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 9 de maio de 2021 às 10:00
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Um ano e meio após transplante, empresário Fernando Carlos, de 54 anos, celebra ajuda do filho Luis Fernando, quando alternativas estavam esgotadas

Pai e filho felizes se sentem vitoriosos por enfrentarem juntos a leucemia

 

Com leucemia, o empresário Fernando Carlos da Silva, de 54 anos, ainda vive sob acompanhamento médico constante um ano e meio depois de receber um transplante de medula óssea, e redobra os cuidados por causa da pandemia da Covid-19.

Uma rotina relativamente simples de ser cumprida, segundo ele, para quem teve que enfrentar a falta de doadores de órgãos e só conseguiu vencer a batalha graças ao protagonismo do filho: assim que completou 18 anos, o jovem Luis Fernando não teve dúvida quando se prontificou a fazer o teste de compatibilidade e a doar a medula para salvar a vida do pai.

“Não tem como eu explicar com palavras o que sinto hoje, a gratidão que eu sinto hoje, tanto eu como ele também por ter salvado a vida do pai. É uma coisa inexplicável”, afirma Fernando.

Procura por doadores

O empresário de Ribeirão Preto foi diagnosticado com leucemia em março de 2019. Ainda sem poder ajudar o pai, Luis Fernando se lembra como a notícia surpreendeu a todos da família.

“Eu estava no primeiro ano de faculdade e meu pai acabou descobrindo que estava com a leucemia. Foi uma coisa que pegou a gente desprevenido, do nada, porque é uma doença que não é hereditária, não teve sintomas, nada do tipo”, diz o estudante de direito, hoje com 19 anos.

Mesmo sendo submetido ao tratamento com quimioterapia, Fernando soube pelos médicos que, para combater o câncer, teria que passar por um transplante de medula óssea.

O empresário contou com a solidariedade do irmão, que chegou a fazer o teste de compatibilidade, mas o cenário não era ideal por conta do percentual de 50%, considerado baixo.

Além disso, não encontrou nenhum doador compatível entre os mais de cinco milhões de cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula (Redome).

Ao ver o sofrimento do pai, em junho Luis Fernando não hesitou ao completar 18 anos, idade mínima para doação voluntária de medula óssea, segundo as orientações do Redome.

Foi quando ele teve a iniciativa de fazer o exame de compatibilidade para descobrir se poderia ser o doador que o pai tanto precisava.

Os resultados demoraram cerca de quatro meses para sair, mas a resposta foi animadora, com uma compatibilidade de 75%.

“Não achava outros doadores no banco de dados nacional e internacional. Assim seria uma única chance que meu pai teria de êxito”, afirma o jovem.

O transplante

O empresário continuou com as sessões de quimioterapia até janeiro de 2020, quando chegou o esperado transplante depois de meses de procura por doadores e de um medo do que poderia acontecer se ele não fosse encontrado.

Até dois meses antes do procedimento, a compatibilidade da medula do filho ainda era uma dúvida.

“É terrível. Você fica numa expectativa, você não acha doador, tem dois filhos pequenos pra criar ainda, menor de idade, é complicado. É muito complicado”, afirma Fernando.

Com a realização do transplante, desde então o acompanhamento médico passou a ser periódico para o empresário, mas a reabilitação, segundo ele, tem sido um sucesso.

“A recuperação graças a Deus tem sido mais tranquila, primeiro porque já fez o transplante, já tirou aquela carga da gente, fica mais leve. Agora, devagarzinho, as coisas vão se encaixando”, diz.

Com a pandemia da Covid-19, os cuidados foram redobrados. As consultas semanais se tornaram quinzenas, mensais até serem a cada três meses.

“Eu era e sou do grupo de risco, então tem que tomar cuidado, não tem outra forma. Desde o início da pandemia até agora a gente evita muita coisa, sair de casa só o mínimo possível”, ressalta.

Para o filho, a recuperação foi ainda mais tranquila e, em questão de dias de repouso, ele já estava de volta às atividades de rotina.

“Entrei em um dia para me preparar, fazer a preparação e no outro dia de manhã já realizei o transplante, voltei pro quarto no hospital e no outro dia já estava liberado.”

Para os dois, permanecem a gratidão mútua e a união. “É um sentimento de gratidão, de poder fazer algo por alguém que já fez tanto por mim, retribuir um pouquinho do que meu pai faz e sempre fez por mim”, afirma o filho.

“A satisfação do meu filho ter completado 18 anos e ele mesmo quis fazer os testes e quis ser doador, acho que não tenho palavras para agradecer a ele, agradecer a Deus por tudo que aconteceu na minha vida. Isso serviu pra unir a gente muito mais, a gente já era unido, mas uniu muito mais”, diz o pai.

*Informações G1


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