Rampas, fraldas e meias para cães e gatos idosos: descubra o que realmente vale o investimento na terceira idade do seu animal de estimação
Conforme os animais de estimação envelhecem, a rotina dentro de casa ganha novos contornos. Cães e gatos idosos perdem parte da mobilidade e da energia de antes, manifestando sinais sutis — como hesitar diante de um degrau, parar de subir nos móveis favoritos ou trombar nos objetos durante a noite.
Para adaptar o lar e devolver o conforto e a segurança aos bichinhos, o mercado pet oferece uma infinidade de soluções. Mas o que realmente funciona e o que não passa de propaganda?
Especialistas ouvidas pela reportagem ajudam a separar o que vale o investimento do que não passa de cilada.
(Aviso importante: as adaptações ambientais são fundamentais, mas nunca substituem o acompanhamento veterinário regular, indispensável na geriatria animal).
O que realmente funciona (e vale o investimento)
Para garantir autonomia e prevenir acidentes domésticos, alguns itens contam com recomendação técnica sólida:
Tapetes antiderrapantes: “Piso liso vira uma verdadeira pista de patinação para um cão com osteoartrite, fraqueza muscular ou doença neurológica”, afirma Natália Macedo, coordenadora regional da Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV).
Tapetes firmes e bem posicionados criam rotas contínuas entre a cama, a água e a comida, evitando quedas graves.
Adesivos antiderrapantes para patas: Uma excelente alternativa para melhorar a tração sem gerar o incômodo sensorial de meias, pois são colados diretamente nas almofadinhas, conforme explica a fisioterapeuta veterinária Franciane Cardoso.
Rampas e escadas firmes: Essenciais para amortecer o impacto articular de saltos. Para os felinos, a especialista em gatos e membro da ABFel Letícia Gomes destaca: “Gatos são verticais e territoriais, e gostam de avaliar o território de cima. Então a gente sempre facilita, porque às vezes ele vai tentar pular no local e pode se machucar”.
Caixas de areia com entrada baixa: “Um gato com osteoartrite pode deixar de entrar simplesmente porque dói. A recomendação é caixa ampla, facilmente acessível e com pelo menos uma lateral baixa”, orienta Natália Macedo.
Iluminação noturna: Abajures de tomada ajudam a orientar cães e gatos que sofrem com visão reduzida ou desorientação noturna. “Parece besteira, mas a iluminação para esses animais com diminuição da acuidade visual ajuda bastante”, aponta Macedo.
O que não é essencial (avalie antes de comprar)
Alguns produtos populares podem ser úteis em casos muito específicos, mas passam longe de ser obrigatórios para todos os pets:
Comedouros elevados: Podem ser úteis em casos selecionados para cães e gatos com dores na cervical, mas exigem avaliação individual de porte e postura.
Como pondera Letícia Gomes, na natureza os animais comem na altura do chão, mas a adaptação pode facilitar a vida de um pet idoso com dor.
Fontes de água: Embora estimulem felinos a beber mais líquido para proteger os rins, Natália Macedo alerta que a fonte “não substitui vários potes de água espalhados pela casa”, devendo ficar sempre distantes da comida e da caixa sanitária.
Suporte pélvico: Frequentemente comprado por impulso por tutores ansiosos, a fisioterapeuta Franciane Cardoso lembra que o acessório “não é extremamente necessário para qualquer cachorro idoso, vai depender do nível de artrose e deficiência do cachorro”.
Ciladas: O que você deve evitar
Meias antiderrapantes: De acordo com as especialistas, costumam ser rejeitadas pelos animais. “As meias atrapalham o andar. O bicho estranha muito usar meia. Todo mundo compra e ninguém fica usando, porque eles não se adaptam”, relata Franciane Cardoso. Letícia Gomes reforça que os felinos aceitam ainda menos essa opção.
Fraldas: Devem ser tratadas estritamente como última opção para casos severos de incontinência. Além de exigirem suspensórios para não escorregar, aumentam consideravelmente o risco de infecções urinárias.
Mantas e tapetes elétricos humanos: Altamente perigosos. “Pets com alterações neurológicas ou dor crônica perdem a sensibilidade térmica e não conseguem se afastar do calor, podendo sofrer queimaduras graves”, adverte Natália Macedo, que recomenda alternativas seguras como camas autoaquecidas sem eletricidade ou bolsas de água quente bem protegidas.
Fonte: G1




