Lindo e colorido, Manacá-de-cheiro exige atenção em jardins com crianças e animais

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 13 de agosto de 2026 às 17:00
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Espécie pode causar sintomas digestivos e neurológicos; manacá-da-serra tem efeito visual semelhante e pode ser uma alternativa no paisagismo

Presente em jardins, condomínios e áreas públicas de diferentes regiões do Brasil, o manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora) é conhecido pelo perfume intenso e pelas flores que mudam de cor.

Elas surgem em tonalidades arroxeadas e se tornam progressivamente mais claras, fazendo com que uma mesma planta apresente flores violetas, lilases e brancas ao mesmo tempo.

A beleza, no entanto, convive com uma característica que exige atenção: o manacá-de-cheiro produz diferentes metabólitos secundários, substâncias que integram os mecanismos naturais de defesa da planta e que podem causar intoxicação quando partes vegetais são ingeridas.

Paisagista faz alerta

”Entre os compostos identificados ou associados à espécie estão alcaloides, saponinas, glicosídeos esteroidais, flavonoides e outras substâncias bioativas. A exposição pode provocar vômito, diarreia, salivação excessiva, ansiedade, tremores, falta de coordenação motora, hipersensibilidade e movimentos involuntários dos olhos”, explica Simone Arthur Nascimento,  especialista em paisagismo seguro e autora do projeto Jardim do Bicho.

Nos casos mais graves, podem ocorrer manifestações neurológicas, como convulsões e neurotoxicidade aguda. ”O vômito também pode causar nova exposição das mucosas ao material vegetal ingerido, contribuindo para o agravamento do quadro”, alerta Simone.

Por esse motivo, o manacá-de-cheiro não é indicado para ambientes frequentados por crianças pequenas, cães ou gatos, especialmente quando a planta permanece em locais de fácil acesso.

Em projetos de paisagismo seguro, a escolha das espécies deve considerar não apenas o efeito ornamental, mas também o perfil dos usuários do espaço e a possibilidade de contato ou ingestão.

Uma alternativa brasileira

Para quem deseja manter no jardim o efeito visual das flores que mudam de cor, uma possibilidade é o manacá-da-serra (Pleroma mutabile), espécie nativa e endêmica do Brasil, característica da Mata Atlântica e bastante utilizada no paisagismo e na arborização urbana.

”Assim como o manacá-de-cheiro, o manacá-da-serra apresenta flores em diferentes tonalidades ao longo da floração. As flores costumam se abrir brancas, tornam-se rosadas e, posteriormente, adquirem coloração arroxeada. Por isso, a copa pode exibir simultaneamente flores brancas, rosas e violetas”, elucida Simone.

Apesar da semelhança visual e do nome popular compartilhado, as duas plantas pertencem a famílias botânicas diferentes e apresentam características distintas.

Duas famílias diferentes

”O manacá-de-cheiro pertence à família Solanaceae. Possui crescimento predominantemente arbustivo, copa densa e flores perfumadas. Já o manacá-da-serra pertence à família Melastomataceae e, em sua forma típica, desenvolve-se como árvore de pequeno a médio porte, com copa mais ampla e maior presença estrutural na composição do jardim”, diz a especialista.

Em áreas com espaço suficiente para o desenvolvimento da copa e das raízes, o manacá-da-serra pode exercer função ornamental semelhante, além de oferecer sombra, verticalidade e forte impacto visual durante a floração.

Versão anã pode ser usada em jardins menores

Quando o objetivo é preservar um porte mais próximo ao do manacá-de-cheiro, pode-se utilizar o chamado manacá-da-serra-anão, variedade de crescimento mais compacto.

Essa opção é mais adequada para jardins pequenos, canteiros reduzidos, vasos de grandes dimensões e áreas próximas às edificações, desde que sejam respeitadas as necessidades de luz, solo, irrigação e espaço para o desenvolvimento da planta.

A substituição permite conservar o principal efeito ornamental associado aos manacás: a presença simultânea de flores em diferentes cores. A única característica que não pode ser reproduzida é o aroma intenso do manacá-de-cheiro, pois o manacá-da-serra não apresenta perfume floral equivalente.

”A proposta não é considerar as duas espécies idênticas, mas demonstrar que o paisagismo pode oferecer alternativas visualmente semelhantes e mais compatíveis com ambientes frequentados por crianças e animais”, aconselha Simone.

”A escolha deve levar em conta o espaço disponível, o porte da variedade, as condições de cultivo e, principalmente, a segurança de quem utiliza o jardim”, finaliza.


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