ESCREVER…

  • mmargoliner
  • Publicado em 21 de abril de 2016 às 16:17
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UMA VIAGEM SEM FIM (II)

   Na edição de outubro de 2013 de “Enfoque” (“Marcas III”) referi que “O conhecimento de um homem não pode ir além de sua própria experiência” (John Locke). A propósito, é bom lembrar Álvaro Lins, em “Jornal de Crítica” (5ª série, pág. 144): “…ser escritor exige antes uma experiência de vida e uma experiência de cultura, que não se adquirem com a improvisação, por mais hábil e brilhante que seja”. Fica claro que essas exigências (experiência de vida e cultura) condicionam e limitam tudo o que se abordar e registrar daqui por diante no panorama que segue sobre “Escrever”. Assim continuemos, simplesmente registrando o que estudiosos escreveram.

…É notável quão tardiamente na história de cada literatura a simplicidade é inventada. As primeiras tentativas de ser conscientemente literário, feitas por qualquer indivíduo, são sempre produtoras da mais elaborada artificialidade.  Aldous Huxley.

Joseph Anton [livro de memórias de Salman Rushdie] apareceu em algumas listas de Melhores [do ano de 2012], mas essas são obviamente escritas por pessoas que somente leram dez livros naquele ano e, portanto, têm que inclui-los todos. Jessa Crispin.

 Muitos dos melhores romances em todo o mundo têm finais ruins. Não quero dizer que o final é infeliz, ou do tipo de “volta-ao-trabalho”, ou no tom de “tudo-está-perdoado” (por exemplo, “Guerra e Paz” [de Tolstoi], “O Vermelho e o Negro” [de Stendhal], “A Suitable Boy” [de Vikram Seth]). O final é antiartístico; contraria o texto anterior. Joe Acocella.

Quando escrevo, não pen­so na literatura: penso em capturar coisas vivas. Foi a necessidade de capturar coisas vivas, junta à minha repulsa física pelo lugar-comum (e o lugar-comum nunca se confunde com a simplicidade), que me levou à outra necessidade íntima de enriquecer e embelezar a língua, tornando-a mais plástica, mais flexível, mais viva. Guimarães Rosa. 


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.