Por que a atração pode virar aversão de repente? Entenda o “momento eca” e as explicações da psicologia para essa mudança nos relacionamentos
Uma mania aparentemente inofensiva, o jeito de mastigar ou até uma escolha de roupa podem mudar a maneira como alguém enxerga uma pessoa por quem sentia atração.
Nas redes sociais, essa virada repentina ganhou o nome de “momento eca” — tradução livre do termo em inglês ick — e virou assunto entre pessoas que relatam perder o interesse romântico por detalhes que antes passavam despercebidos.
Mas o que explica essa mudança? Segundo a psicóloga Rachael Leggett, professora da Universidade de Coventry, no Reino Unido, existem diferentes hipóteses para compreender a reação. Não há, porém, uma explicação única que se aplique a todos os casos.
Quando um detalhe muda a percepção
O fenômeno pode surgir diante de comportamentos considerados banais, como falar de determinada maneira, usar uma roupa específica ou fazer barulho ao comer.
O detalhe em si nem sempre é o principal fator: a reação depende das preferências, das experiências e da interpretação de cada pessoa.
Em alguns casos, aquilo que antes parecia engraçado ou irrelevante passa a causar desconforto. Isso não significa necessariamente que o sentimento anterior era falso, mas pode indicar uma mudança na forma de perceber o outro.
O papel do apego e da proximidade emocional
Uma das hipóteses relaciona o “momento eca” ao estilo de apego evitativo. Pessoas com essa tendência podem sentir desconforto quando a relação se torna mais íntima e, em algumas situações, procurar motivos para criar distância emocional.
Nessa interpretação, a repulsa pode funcionar como uma forma de afastamento. Isso não significa que toda pessoa que perde a atração tenha esse estilo de apego, nem permite identificar padrões psicológicos apenas por uma reação isolada.
Experiências passadas também influenciam
Outra explicação possível envolve o condicionamento: experiências anteriores podem fazer com que determinados hábitos ou sons sejam associados a lembranças desagradáveis.
Assim, um comportamento do parceiro atual pode despertar uma reação negativa por lembrar uma situação vivida anteriormente.
Sensibilidades individuais, como a misofonia — caracterizada por reações intensas a determinados sons —, também podem contribuir para o incômodo com hábitos específicos.
A repulsa significa que o relacionamento acabou?
Não necessariamente. Uma reação pontual de desconforto não determina, por si só, o futuro de uma relação. É importante diferenciar uma implicância passageira de uma perda persistente de atração ou de um desconforto relacionado à própria dinâmica do relacionamento.
Também vale lembrar que ninguém precisa sentir atração por outra pessoa por obrigação. O importante é compreender os próprios sentimentos sem transformar diferenças pequenas em julgamentos definitivos sobre o outro.
O chamado “momento eca” mostra como a atração é complexa e individual. Em vez de buscar uma regra universal, a psicologia considera o contexto, as experiências pessoais e a maneira como cada pessoa constrói seus vínculos.
Fonte: G1




