Estudo publicado no European Heart Journal relaciona o consumo de café pela manhã a menor risco de mortalidade. Entenda os resultados e os efeitos da cafeína no sono
O café faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Tem quem não dispense uma xícara logo ao acordar, quem faça uma pausa durante o expediente e quem mantenha o hábito até o fim da tarde. Mas o horário em que a bebida é consumida pode ter relação com seus efeitos sobre a saúde.
Uma pesquisa publicada no periódico científico European Heart Journal identificou que pessoas que concentravam o consumo de café no período da manhã apresentavam menor risco de mortalidade geral e por doenças cardiovasculares do que aquelas que consumiam a bebida ao longo de todo o dia.
O estudo analisou dados de 40.725 adultos dos Estados Unidos e acompanhou os registros de mortalidade durante um período médio de quase dez anos. Os resultados sugerem que não é apenas a quantidade de café consumida que merece atenção, mas também a distribuição da ingestão ao longo do dia.
O que a pesquisa descobriu?
Os pesquisadores identificaram dois padrões principais entre os consumidores de café: aqueles que bebiam a bebida predominantemente pela manhã e os que distribuíam o consumo ao longo de diferentes períodos do dia.
No primeiro grupo, a ingestão ficava concentrada entre 4h e 11h59. Já no segundo, o café era consumido pela manhã, à tarde e também à noite.
Na comparação com pessoas que não bebiam café, o padrão de consumo matutino foi associado a uma redução de 16% no risco de mortalidade por todas as causas e de 31% no risco de morte por doenças cardiovasculares.
Já entre os participantes que consumiam café durante todo o dia, não foi observada uma associação significativa com a redução desses riscos.
Os resultados foram ajustados considerando fatores como quantidade de café ingerida, alimentação, atividade física, tabagismo e condições de saúde.
É importante destacar que a pesquisa foi observacional. Isso significa que identificou uma associação entre os hábitos de consumo e os indicadores de saúde, mas não comprovou que tomar café pela manhã seja, por si só, responsável pela redução do risco de morte.
Por que o horário pode fazer diferença?
Uma das explicações discutidas pelos pesquisadores envolve o funcionamento do relógio biológico, conhecido como ritmo circadiano.
Esse sistema organiza diferentes atividades do organismo ao longo das 24 horas, incluindo o sono, a produção de hormônios, o metabolismo e a atividade cardiovascular.
A cafeína, principal substância estimulante do café, atua no sistema nervoso central e ajuda a reduzir temporariamente a sensação de sono. Seus efeitos podem permanecer no organismo por várias horas, dependendo de características individuais, como metabolismo, sensibilidade à substância e quantidade consumida.
Por isso, tomar café no fim da tarde ou à noite pode dificultar o adormecimento e prejudicar a qualidade do descanso, especialmente em pessoas mais sensíveis à cafeína.
Mesmo quando a pessoa consegue dormir, o estimulante pode interferir na duração e na organização das fases do sono.
Afinal, existe um horário limite para tomar café?
A pesquisa não estabeleceu um horário universal a partir do qual o consumo de café se torna prejudicial. O período até as 14h deve ser entendido como uma referência prática, e não como uma regra médica determinada pelo estudo.
A recomendação de observar o intervalo entre a última xícara e o horário de dormir continua sendo importante. Como a cafeína pode permanecer ativa por várias horas, quem tem dificuldade para dormir pode precisar antecipar o último consumo.
A resposta também varia de pessoa para pessoa. Algumas apresentam maior sensibilidade aos efeitos estimulantes, enquanto outras conseguem consumir a bebida mais cedo ou em pequenas quantidades sem perceber alterações importantes no sono.
Quantidade e qualidade também importam
Além do horário, a quantidade consumida merece atenção. O café pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas o excesso de cafeína pode provocar agitação, ansiedade, palpitações e dificuldades para dormir.
A composição da bebida também faz diferença. Café puro, preparações com açúcar e bebidas industrializadas à base de café não apresentam necessariamente o mesmo perfil nutricional.
A principal mensagem da pesquisa é que o momento do consumo merece ser considerado junto com a quantidade e os demais hábitos de vida.
Para quem gosta de café, não é necessário transformar a xícara em motivo de preocupação. O mais importante é observar como a bebida interfere no sono e no bem-estar, respeitando as necessidades individuais e mantendo uma rotina equilibrada.
Fonte: CNN




