Tomar analgésico todos os dias pode trazer riscos à saúde. Entenda quando o uso frequente merece atenção e por que é importante investigar a causa da dor
Tomar um analgésico para aliviar uma dor de cabeça, muscular ou nas costas é um hábito comum. O problema surge quando o medicamento passa a fazer parte da rotina e se torna a principal resposta para qualquer desconforto, sem que a causa seja investigada.
O uso frequente de remédios contra a dor pode esconder sintomas de doenças que precisam de tratamento e, dependendo do medicamento, da dose e do tempo de utilização, provocar efeitos adversos ou favorecer outros problemas de saúde.
O médico Lúcio Gusmão, especialista em dor e fundador da Rede CADE, alerta para a importância de não transformar o analgésico em uma solução permanente para um problema que continua sem explicação.
Quando o alívio deixa de ser suficiente
Medicamentos como paracetamol e dipirona são utilizados para aliviar diferentes tipos de dor. Quando usados corretamente, podem ser úteis. No entanto, precisar deles repetidamente para conseguir realizar as atividades diárias é um sinal de que vale investigar o que está acontecendo.
A dor pode ter diversas origens, como problemas musculares, alterações nas articulações, enxaqueca ou outras condições. Apenas reduzir o desconforto não significa que a causa foi resolvida.
Além disso, os riscos variam de acordo com o princípio ativo. O uso excessivo de alguns analgésicos pode prejudicar órgãos como fígado e rins, enquanto determinados anti-inflamatórios podem aumentar o risco de complicações gastrointestinais, renais e cardiovasculares.
Por isso, não é seguro aumentar a dose, combinar medicamentos ou prolongar o tratamento por conta própria.
Uso excessivo também pode piorar algumas dores
Um exemplo conhecido é a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, que pode ocorrer em pessoas com dores de cabeça recorrentes que utilizam determinados remédios com muita frequência.
Nesses casos, a dor pode se tornar mais frequente e formar um ciclo difícil de interromper: o medicamento alivia temporariamente o sintoma, mas o desconforto retorna, levando a novas tomadas.
O risco depende do tipo de medicamento e da frequência de utilização. Por isso, quem precisa de remédios para dor de cabeça várias vezes por semana deve procurar avaliação médica para investigar a causa e discutir outras formas de prevenção e tratamento.
Opioides exigem atenção especial
Os opioides, uma classe de medicamentos utilizada em situações específicas de dor, exigem acompanhamento cuidadoso devido ao risco de dependência e a outros efeitos adversos.
Um estudo que analisou 4,3 milhões de pessoas com dor crônica não relacionada ao câncer e tratadas com opioides, identificou dependência ou transtorno relacionado ao uso em 9,3% dos pacientes. Quase 30% apresentaram sinais ou sintomas dessas condições, segundo a reportagem.
Esses números não significam que todas as pessoas que recebem opioides desenvolverão dependência. Eles reforçam, porém, a importância de avaliar os riscos, acompanhar a resposta ao tratamento e revisar a necessidade do medicamento ao longo do tempo.
Quem utiliza esse tipo de remédio regularmente não deve interrompê-lo abruptamente sem orientação profissional. Dependendo da medicação e do tempo de uso, a redução pode precisar ser gradual e acompanhada por um médico.
Tratamento da dor exige olhar para a causa
A dor crônica nem sempre pode ser controlada com uma única medida. Conforme a origem e as características do problema, o tratamento pode envolver medicamentos, fisioterapia, atividade física orientada, ajustes no sono e acompanhamento psicológico.
Essa abordagem não significa que a dor seja imaginária ou que dependa apenas do estado emocional. O objetivo é considerar os diferentes fatores que podem influenciar a experiência dolorosa e encontrar estratégias adequadas para cada pessoa.
A orientação é procurar atendimento quando a dor é persistente, recorrente, piora com o tempo ou interfere no sono e nas atividades habituais. Dor súbita e muito intensa ou acompanhada de sintomas como falta de ar, desmaio, confusão ou fraqueza repentina exige avaliação imediata.
O analgésico pode ter um papel importante no controle dos sintomas, mas não deve substituir a investigação de dores que continuam voltando. Entender a origem do desconforto é um passo fundamental para escolher o tratamento mais adequado e evitar riscos associados ao uso inadequado de medicamentos.
Fonte: CNN




