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Programa Mais Médicos pode ter situação estabilizada até o fim do ano

Os médicos cubanos ocupam 45,7% das 18.240 vagas do Mais Médicos

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Programa Mais Médicos pode ter situação estabilizada até o fim do ano

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O anúncio de Cuba, no dia 14, de que irá retirar até o fim do ano seus mais de 8,3 mil médicos intercambistas do programa Mais Médicos surpreendeu o governo brasileiro e ainda gera incertezas a respeito da manutenção dessa iniciativa, que hoje garante o atendimento a 63 milhões de brasileiros na rede de atenção básica de saúde em 4 mil municípios e 34 distritos sanitários especiais indígenas. 

Os médicos cubanos ocupam 45,7%  das 18.240 vagas do Mais Médicos, e em 1.575 cidades respondem exclusivamente pelo atendimento de saúde, sendo que 80% desses municípios têm até 20 mil habitantes.

RAZÕES PARA A SAÍDA

Para deixar o programa, Cuba alegou descontentamento com algumas declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) acerca da participação dos cubanos no Mais Médicos: “Com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, [Bolsonaro] disse e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, desrespeitando a Organização Pan-Americana da Saúde e o que esta acordou com Cuba, ao questionar o preparo de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título [Revalida] e como única forma de se contratá-los a forma individual”, manifestou-se, em nota, no dia 14, o Ministério da Saúde Pública de Cuba.

BOLSONARO: INAPTOS E COM SALÁRIOS INJUSTOS

Após a decisão de Cuba, o presidente eleito disse que o país caribenho não aceitou atender as exigências que seriam apresentadas: que os médicos passassem pelo Revalida, que recebessem salário integral e que tivessem liberdade de vir com suas famílias para o Brasil. “Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”, comentou. 

POR QUE TAMANHA DEPENDÊNCIA DE CUBA?

Embora o programa Mais Médicos não trate a contratação de cubanos como prioridade (leia detalhes no box ao lado), já houve épocas em que 11 mil profissionais daquele País integravam o programa. 

A razão disso é um acordo firmado, em 2013, pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), pelo qual o Brasil paga à Opas um valor referente a cada médico cubano no programa, atualmente R$ 11,8 mil mensais, e governo da ilha caribenha remunera cada médico com aproximadamente R$ 3 mil mensais e fica com o restante do recurso, com a justificativa de que o investe na formação de novos médicos daquele País. 

Segundo informações do portal UOL, entre 2013 e 2017, dos R$ 13 bilhões que o Governo Federal destinou ao Mais Médicos, R$ 7,1 bilhões foram para o acordo com a Opas.

“O programa Mais Médicos foi um projeto de governo, com um caráter temporário e precário, com médico bolsista, muitos sem o diploma reconhecido”, criticou Donizette Dimer Giamberardino, coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS, formada por representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e outras entidades médicas. 

“Destes mais de 8 mil médicos cubanos, alguns estão em municípios que não precisariam de mais médicos, e em cinco anos cerca 10 mil médicos brasileiros foram demitidos”, afirmou Giamberardino, assegurando que desde o início o programa tem priorizado a contratação de cubanos e que muitas prefeituras aderiram à iniciativa para evitar maiores gastos com a contratação de médicos para a atenção básica de saúde, pois é a União que remunera o profissional do Mais Médicos. 

E AGORA, O QUE FAZER?

À parte as disputas políticas, a população das áreas mais periféricas do Brasil tem sido impactada pela falta de atendimentos nas cidades onde já houve a saída dos médicos cubanos. Na tentativa de repor quadros, o Ministério da Saúde lançou um edital para a contratação de 8.517 médicos em 2.824 municípios e 34 distritos indígenas. 

Até a noite do domingo, 25, já havia cadastro para quase 97% das vagas. A expectativa do Ministério da Saúde é que a maioria dos novos médicos do programa comece a trabalhar até o fim de dezembro. 

“Com a publicação dos editais de contratação, a expectativa é a de que haja médicos para manter o programa em todos os municípios do Brasil, inclusive nas áreas indígenas, onde a quase totalidade dos médicos atendem pelo programa Mais Médicos”, comentou à reportagem Glademir Aroldi, presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM). 

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Aroldi acredita que pelos próximos 30 dias devem haver dificuldades pontuais no atendimento de saúde, mas ele afirma que as cidades têm agido para amenizar o problema. “Conversei recentemente com o prefeito de Entre Ijuís, no Rio Grande do Sul, e ele me disse que o médico cubano que lá trabalhava já saiu do programa. 

Então, o prefeito ampliou as horas dos dois outros médicos que atuam na Estratégia de Saúde de Família para suprir a necessidade, e aguarda que nos próximos dias tudo esteja solucionado com a vinda de médicos vinculados ao programa Mais Médicos”, comentou. 

SOLUÇÕES EFETIVAS

Em nota, no dia 14, o Conselho Federal de Medicina garantiu que há no País quantidade suficiente de médicos para atender as demandas da população e cobrou que as diferentes instâncias de governo ofereçam aos médicos condições adequadas, como “infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves”. 

O estudo Demografia Médica no Brasil 2018, feito pelo CFM, apontou para as desigualdades na quantidade de médicos nas diferentes regiões do País (leia detalhes abaixo). Nessa perspectiva, a entidade representativa dos médicos acredita que “para estimular a fixação dos médicos brasileiros em áreas distantes e de difícil provimento, o Governo deve prever a criação de uma carreira de Estado para o médico, com a obrigação dos gestores de oferecer o suporte para sua atuação, assim como remuneração adequada”, conforme consta na nota do dia 14. 

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“Esperamos que, no novo governo, tenhamos uma carreira médica de ordem federal, sistêmica, para permitir a fixação do médico em municípios muito pequenos, aqueles com menos de 20 mil pessoas”, comentou Giamberardino. 

Aroldi ressaltou que, além da atenção básica, é preciso que se estruturem unidades de referência para atender as demandas de alta complexidade em saúde. Para ele, é positiva a intenção do futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que a União contrate médicos para os municípios. “Ao longo dos anos, e não só no governo Temer, a União se afastou e transferiu muito das responsabilidades em saúde para os municípios, com programas subfinanciados em sua maioria, fazendo com que os municípios tenham que entrar com uma contrapartida muita alta, quando a maioria deles não têm orçamento para isso”, observou o Presidente da Confederação Nacional de Municípios.

Autor

Cesar Colleti

Redação · Jornal da Franca

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Atualizado 22/09/2026 22h30
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