Boreout é associado ao tédio e à falta de estímulos no trabalho. Veja os sinais de alerta, as diferenças em relação ao burnout e quando buscar ajuda
Nem sempre o sofrimento profissional está relacionado ao excesso de tarefas. Em alguns casos, o problema é justamente o contrário: a falta de desafios, a rotina repetitiva e a sensação de que o trabalho perdeu o sentido.
Esse conjunto de experiências é associado ao chamado boreout, fenômeno que tem despertado atenção por seus possíveis impactos na saúde mental.
Enquanto o burnout está relacionado ao estresse crônico decorrente do trabalho, o boreout está ligado à falta de estímulos e à percepção de que as habilidades e os conhecimentos do profissional não são devidamente aproveitados.
A psicóloga Denise Milk Vargas explica que o fenômeno merece atenção, embora ainda não seja reconhecido como diagnóstico clínico nos principais sistemas de classificação de doenças.
O que pode provocar o boreout?
O problema pode estar relacionado a diferentes situações no ambiente profissional. Entre os fatores associados estão atividades excessivamente repetitivas, falta de desafios compatíveis com as habilidades do trabalhador e ausência de perspectivas de crescimento.
A falta de objetivos claros, a liderança inadequada e a percepção de que o próprio trabalho não faz diferença também podem contribuir para a desmotivação.
Nesse contexto, a questão não é simplesmente ter poucas tarefas ou uma rotina tranquila. O sofrimento aparece quando a falta de estímulo se prolonga e o profissional passa a sentir que suas capacidades estão sendo desperdiçadas, sem perspectivas de mudança.
O trabalho também ocupa um papel importante na construção da identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento. Por isso, a sensação persistente de inutilidade ou de falta de propósito pode afetar o bem-estar para além do expediente.
Quais são os sinais de alerta?
O boreout pode se manifestar de diferentes maneiras. Entre os sinais associados ao fenômeno estão:
– Desmotivação persistente;
– Apatia e irritabilidade;
– Dificuldade de concentração;
– Sensação de inutilidade;
– Queda da autoestima;
– Cansaço mental, mesmo sem uma carga elevada de tarefas;
– Alterações no sono;
– Ansiedade e tristeza;
Sintomas físicos relacionados ao estresse
Esses sinais não são exclusivos do boreout e podem aparecer em outras condições de saúde. Por isso, não é possível identificar o problema apenas por uma lista de sintomas ou por uma fase de desânimo no trabalho.
A persistência dos sinais e o impacto na vida pessoal e profissional são aspectos importantes para avaliar a necessidade de ajuda especializada.
Boreout e burnout: qual é a diferença?
Apesar dos nomes parecidos, os dois fenômenos estão associados a experiências diferentes no ambiente de trabalho.
O burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente.
Entre seus aspectos característicos estão a exaustão, o distanciamento mental das atividades e a redução da eficácia profissional.
O boreout, por sua vez, está associado ao tédio prolongado, à falta de desafios e à perda de significado das atividades profissionais. Ainda que não tenha o mesmo reconhecimento diagnóstico, o fenômeno pode representar sofrimento real e merece atenção.
Em ambos os casos, é importante observar as condições de trabalho e evitar tratar o problema apenas como falta de esforço ou de força de vontade do profissional.
Como lidar com a falta de estímulo no trabalho?
O primeiro passo é reconhecer o que está provocando a insatisfação. Conversar com a liderança sobre as atividades, buscar tarefas mais compatíveis com as próprias habilidades e avaliar possibilidades de desenvolvimento profissional podem ajudar, quando essas alternativas estão disponíveis.
Também é importante observar se a desmotivação está restrita ao ambiente de trabalho ou se já afeta outras áreas da vida, como os relacionamentos, o sono e a disposição para atividades cotidianas.
Quando o sofrimento é persistente, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender os fatores envolvidos e a construir estratégias para uma relação mais saudável com o trabalho.
Dependendo dos sintomas, uma avaliação médica também pode ser necessária.
A atenção aos sinais e às condições do ambiente profissional é fundamental. Afinal, trabalhar em uma rotina aparentemente tranquila não significa, necessariamente, estar bem emocionalmente.
Fonte: CNN




